Dados do Infarmed há dias divulgados referiam que durante 2025 se dispensaram por dia 80 mil embalagens de psicofármacos. A venda destes medicamentos, antidepressivos e antipsicóticos entre 2015 e 2025 subiu 82% e 72%, respetivamente.
Recordo que em 2023, o consumo de
antidepressivos nos países da OCDE aumentou mais de 40% e Portugal tinha a taxa
de consumo mais alta da EU com 152 doses diárias por mil habitantes, apenas
suplantada na Europa pela Islândia, 158 doses diárias.
Importará considerar ainda que
aos dados divulgados relativos venda dos psicofármacos faltará o volume de
situações de mal-estar não abordadas através dos fármacos, as não tratadas e o
contributo da automedicação apesar da exigência de prescrição médica para este consumo.
Este quadro levará a que o número de consumidores seja superior às prescrições
e número global de situações de mal-estar seja bem superior aos indicadores de
consumo.
Aliás, na altura um trabalho
divulgado em 2021 realizado pelo investigador na área da economia da saúde da
Nova SBE, Pedro Pita Barros, “Acesso a cuidados de saúde - As escolhas dos
cidadãos 2020”, em que se referia que 10% dos portugueses não vão ao médico
quando sentem algum mal-estar e que desta população, 63% recorre à
automedicação.
Como defende Miguel Xavier,
coordenador nacional das políticas da Saúde Mental “Os problemas de Saúde
Mental previnem-se antes de aparecerem. Através de bons programas de
parentalidade, bons programas sociais, como os programas de apoio às populações
vulneráveis”, o que envolve a necessidade de políticas integradas, mas também a
importância dos recursos adequados.
Esperemos que o processo de
reforma dos serviços de saúde mental que está em curso possa ter um impacto
positivo. A saúde mental tem sido de há muito o parente pobre das políticas públicas de
saúde.
Existe muita gente a passar mal,
pode ser na casa ao lado.
No entanto, como agora se diz,
somos resilientes e queremos viver, seremos capazes de continuar.
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