Iniciam-se hoje as provas ensaio que visam preparar o sistema e os alunos para a realização das provas de monitorização das aprendizagens (Moda) dos 4.º e 6.º anos e para as provas finais do 9.º ano no termo do ano lectivo. Serão ralizadas, naturalmente, por todos os alunos do 4.º, 6.º e 9.º ano.
A avaliação externa é uma
ferramenta imprescindível de regulação dos sistemas educativos em diversos
patamares.
No entanto e como tenho escrito,
parece-me crítica a decisão de realização do exame em formato digital, fruto do
“deslumbramento digital”, perdão, da transição digital.
No ano passado, as provas ensaio
detectaram dificuldades que também se verificaram nas provas “a sério”.
Durante algum tempo, tive
esperança de que o bom senso e o conhecimento do que se passa noutros sistemas
educativos sustentassem uma reflexão e alguma prudência relativamente à
introdução em termos excessivos dos recursos digitai e pudesse contribuir para
um maior equilíbrio e precaução na utilização destes recursos, designadamente
nos primeiros anos de escolaridade. Sabemos também que se determinou uma
restrição mais exigente relativa aos telemóveis nas escolas e, global e
felizmente, se está a reconsiderar a forma de utilização dos recursos digitais.
Por outro lado, continuam a ser
conhecidas com demasiada frequência queixas relativas ao acesso a equipamentos
por parte dos alunos, à qualidade dos equipamentos, que, de acordo com os
directores de escolas e agrupamentos, a insuficiência dos recursos necessários
à adequada utilização dos equipamentos, nas escolas, mas em particular nas
salas de aulas, infra-estruturas eléctricas e rede de net eficientes, por
exemplo. Acontece ainda que existe uma enorme diversidade na literacia digital
dos alunos.
Deste cenário, apesar do esforço
que vai ser realizado recorrendo ao apoio dos docentes de informática, podem
decorrer situações sérias de desigualdade entre escolas e entre alunos e todos
conhecemos múltiplas situações que evidenciam a enorme disparidade de recursos
e da sua utilização. A proficiência da escrita e realização em formato digital
será na esmagadora maioria dos alunos de natureza e nível diferente o que pode
contaminar os resultados.
Voltando ao início, sei que nem
sempre é fácil “fazer as coisas certas e fazer certas as coisas”, mas neste
caso não me parecia muito difícil.
Foi mesmo uma opção, uma má
opção.
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