Estão a chegar os primeiros dias de tempo quente ao Alentejo. Ainda não é o calor áspero que lá para Julho e Agosto é mais habitual e faz parte do que é o Alentejo.
No entanto, estes primeiros dias
mais quentes parece que custam mais, o corpo ainda não se acostumou, como dizia
o Mestre Marrafa, e a lida também parece ficar mais pesada.
Tenho à espera mais umas horas em
cima do tractor com o roça-matos a limpar caminhos e valados do monte cobertos
de erva alta que as chuvas prolongadas deste ano alimentaram. Há anos que não
víamos as nascentes do monte correr assim.
Daqui a umas semanas será roçar o
pasto e fazer aceiros para prevenir incêndios. Para aliviar, ainda é preciso pegar na
roçadora para dar um jeito em torno das laranjeiras para poder fazer as caldeiras
para a rega durante o Verão.
O calor obriga também a mais
atenção à rega na horta para não perder o que está plantado ou semeado. Já
deviam ter ido para a terra, mas hoje e amanhã é a vez dos tomateiros.
Pode ser que ainda consiga
carregar parte da erva cortada para colocar no moitão, como se fala por aqui,
que depois do próximo Inverno estará transformado num composto que enriquece a
terra.
Confesso que quando andamos na
lida quase nos esquecemos das inquietações que o estado do mundo alimenta.
E são assim os dias do Alentejo,
cansativos, mas vividos. Sorte a nossa.
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