Merece leitura o texto de Paulo Prudêncio no Público, “IA: são os professores dispensáveis?”. No mesmo sentido recupero algumas notas.
Apesar do seu enorme potencial as
ferramentas digitais não são a poção mágica para o ensino e aprendizagem. Os
computadores ou tablets na sala de aula, os smart boards, não promovem sucesso
só pela sua existência. A forma como são utilizados por professores e alunos é
que potencia a qualidade e os resultados desse trabalho. Aliás, o mesmo se pode
dizer de qualquer outro recurso ou actividade no âmbito dos processos de
aprendizagem.
É certo que múltiplos estudos e
experiências valorizam estes recursos nos processos de ensino e aprendizagem
pelo que é importante garantir o acesso pela generalidade dos alunos, mas, não
podem passar a ser o tudo no trabalho escolar.
Neste contexto e como já tenho
afirmado, considerando o que se sabe em matéria de desenvolvimento das crianças
e adolescentes, dos processos de ensino e aprendizagem e da sua complexa teia
de variáveis, das experiências e dos estudos neste universo, mesmo quando
aparentemente contraditórios:
1 – O contacto precoce com as
tecnologias digitais é, por princípio, uma experiência positiva para os alunos,
para todos os alunos, se considerarmos o mundo em que vivemos e no qual eles se
estão a preparar para viver. Nós adultos ainda estamos a pagar um preço elevado
pela iliteracia, os nossos miúdos não devem correr o risco da iliteracia
informática.
2 – O computador/tablet, kits
robóticos, smart boards, IA, etc., na sala de aula são mais uma ferramenta, não
são A ferramenta, não substituem a escrita manual, não substituem a
aprendizagem do cálculo, não substituem coisa nenhuma, são “apenas” mais um
meio, muito potente sem dúvida, ao dispor de alunos e professores para ensinar
e aprender e agilizar o acesso a informação e conhecimento. E sobretudo, não
substituem o Professor.
3 – Na verdade, o que dá
qualidade e eficácia aos materiais e instrumentos que se utilizam na sala de
aula não é a tanto a sua natureza, mas, sobretudo, a sua utilização, ou seja,
incontornavelmente, o trabalho dos professores é uma variável determinante.
Posso ter um computador para fazer todos os dias a mesma tarefa, da mesma
maneira, sobre o mesmo tema, etc. Rapidamente se atinge a desmotivação e
ineficácia, é a utilização adequada que potencia o efeito as capacidades dos
materiais e dispositivos.
4 - Para alguns alunos com
necessidades especiais as ferramentas digitais podem ser mesmo a sua mais
eficiente ferramenta e apoio para acesso ao currículo.
5 – Para além de garantir o
acesso dos miúdos aos materiais é obviamente imprescindível promover o acesso a
formação e apoio ajustados aos professores sem os quais se compromete a
qualidade do trabalho a desenvolver bem como, evidentemente, assegurar as condições
exigidas para que o material possa ser rentabilizado. São por demais conhecidas
as dificuldades sentidas nas escolas com os recursos e acessibilidade.
6 – Finalmente, como em todo o
trabalho educativo, são essenciais os dispositivos de regulação e avaliação do
trabalho de alunos e professores.
Como referi acima, não existem
poções mágicas em educação por mais desejável que possa parecer a sua
existência. Não deixemos que o fascínio deslumbrado pelo que julgam ser as
"salas de aula do futuro" faça esquecer os problemas do presente.
Finalmente e em linha com o texto de Paulo
Prudêncio, ao contrário do que parece ser uma tentação destes tempos de
vivências e inteligência artificiais, nunca como hoje se tornou importante e
crítico o trabalho dos professores. Assim as políticas públicas o entendam e valorizem. O
futuro não lhes perdoará.
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