segunda-feira, 1 de junho de 2015

ENTRE HELSÍNQUIA E LISBOA

A lida só agora permitiu umas notas a propósito do trabalho de Isabel Leiria no Expresso sobre o sistema educativo finlandês.
É claro que as comparações devem ser realizadas com alguma prudência dadas as diferenças substanciais entre países. No entanto, a análise de diferentes contextos constitui uma boa ferramenta de reflexão e um contributo para tomadas de decisão com as requeridas adaptações às dimensões e especificidades dos contextos.
Assim, vou inventariando algumas notas de leitura do trabalho do Expresso deixando a cada um de vós, peço desculpa por isso, o trabalho de olhar para o nosso sistema e reflectir na diferença .
“os finlandeses acreditam que a Educação é a única forma de subir na vida.”
“83% da população activa (18-64) têm pelo menos o secundário, em Portugal são 38% e 40 % de diplomados para 19%.
Exemplificando e sabendo-se como a escolaridade dos pais, em Portugal particularmente a das mães, é um factor comprovado como preditor para o sucesso dos alunos e considerando os exames de 2014, na escola pública melhor colocada, a Raul Proença, nas Caldas da Rainha, a média das habilitações das mães, é de 12 anos e tem 8,6% dos seus alunos oriundos de famílias carenciadas apoiados no 1º escalão da acção social escolar.
Na Secundária de Resende que apresenta a média mais baixa, 7,3 valores, as mães dos alunos têm, em média, apenas o ensino primário completo, 5,1 anos de estudo, e tem no escalão mais carenciado 30% dos alunos.
“a educação não é arma de arremesso político nem objecto de guerras partidárias.”
Em Portugal …
“os valores (custos do sistema finlandês) não se afastam das médias da OCDE e UE.”
Em Portugal …
O ensino obrigatório é gratuito incluindo refeições transportes e manuais.”
Em Portugal …
“Não há mega-agrupamentos como em Portugal. O número médio de alunos por estabelecimento de ensino secundário, por exemplo, é de 250.”
Em Portugal …
Ser professor “é uma carreira prestigiada e temos muita autonomia no nosso trabalho” “só 10% dos candidatos à formação de professores entram na universidade.”
Em Portugal …
“os directores das escolas anunciam as vagas que têm e escolhem os professores.”
Em Portugal …
“Confiamos nos nossos professores porque sabemos que estão altamente preparados. Não acreditamos que temos de fazer como os EUA em que estão sempre a medir os resultados.”
Em Portugal …
“todas as escolas públicas têm equipas de assistência ao estudante. É uma espécie de força de intervenção que actua aos primeiros sinais de alarme, composta pelo director, um enfermeiro um psicólogo, um assistente social, um orientador escolar e um professor de ensino especial. A ideia é simples: dar todo o apoio possível antes que o problema se torne maior.”
Em Portugal …
“os alunos não têm de se preocupar em estudar para os exames nacionais porque não os há, pelo menos até chegarem ao final do liceu. Os professores não estão preocupados com escalas de vigilância e assoberbados em correcções de testes.”
Em Portugal …
Está a promover-se “o desenvolvimento da aprendizagem por fenómenos em alternativa ao modelo clássico de disciplinas individuais”. Potencia a integração de conteúdos e a colaboração de diferentes docentes.
Em Portugal  …
“Na Finlândia se conseguiu escrever em 10 páginas o que os alunos precisam de saber fazer a Matemática do 1º ao 9º ano. Por cá foi preciso um documento de 80 a que se juntam 30 do programa. A proporção repete-se nas outras disciplinas.”
Julgo que o completar das frases pode constituir um bom exercício sobre a nossa realidade educativa, os caminhos que tem tomado e que parece continuar a tomar.

2 comentários:

José Tomé disse...

Não li o artigo do Expresso, mas, além das diferenças referidas, podemos acrescentar ainda:
- Início da escolaridade aos 7 anos de idade;
- Menor (muito menor) carga horária.
É claro que estas diferenças devem ser contextualizadas, mas são muitas...

Zé Morgado disse...

De qualquer forma e para além das diferenças de contexto existem, evidentemente, diferenças em matéria de política educativa que não se justificam pelas diferenças de ... contexto. Trata-se mesmo uma outra visão de educação e escola.