quinta-feira, 4 de junho de 2015

A HISTÓRIA DO GOZADOR

Era uma vez um rapaz chamado Gozador. Andava na escola e tinha uns doze anos. O Gozador era um miúdo um bocado estranho, parecia que estava sempre a gozar. 
Tinha um sorriso permanentemente pendurado na cara e as pessoas ficavam um bocado incomodadas porque ele embora não falasse muito, antes pelo contrário, passava muito tempo calado, mas com aquele ar de gozador.
Os professores então sentiam-se mesmo sem saber muito bem o que fazer, ele não perturbava as aulas, estava tranquilo, mas aquele sorriso de quem estava a troçar incomodava.
Os colegas não se davam muito com ele e o Gozador também não se aproximava muito, mantinha-se no seu canto e compunha o sorriso habitual. Um dia, um dos professores falava do Gozador com o Professor Velho aquele que já não dá aulas, está na biblioteca e fala com os livros. Depois de ouvir a descrição do Gozador o Velho disse para o professor.
Ainda bem que me falas no Gozador, também estou um bocado preocupado com ele, acho que ele ri de tristeza mas ainda não consegui perceber porque está sempre tão triste. Quando descobrir digo-te.
Velho, rir de tristeza?!
Sim, eu acho que o Gozador tem medo que percebam a sua tristeza, então esconde-a com o sorriso.

2 comentários:

Elsa Bessa disse...

Pois pois, existem aqueles que choram por tudo e por nada e os que sorriem por tudo e por nada...mas só Deus sabe aquilo que lhes vai na alma...o palhaço ri COM VONTADE DE CHORAR...história muito linda e bastante real,bjs meus Angelita.

Zé Morgado disse...

Os miúdos, alguns, são uns fingidores, tal como os poetas, ao que dizia Fernando Pessoa.