terça-feira, 10 de julho de 2012

MIÚDOS ONLINE

No Público divulgam-se hoje novos dados do Projecto EU Kids OnLine, coordenado em Portugal pela Professora Cristina Ponte da Universidade Nova de Lisboa, desenvolvido no âmbito da relação das crianças, adolescentes e pais com as novas tecnologias. Os dados sugerem que uma em cada cinco crianças e jovens já contactou com conteúdos potencialmente perigosos na Internet, por exemplo, sites que promovem a anorexia ou que ensinam técnicas de suicídio.
Refere ainda que 12,3% dos menores entre os 9 e os 16 anos afirmam que acederam a imagens sexuais em sites, o que inclui 7,2% de jovens na classe 11-16 anos que observaram pessoas a fazer sexo e 1,2% que contactaram com imagens sexuais violentas.
Por outro lado, Portugal é o país europeu em que mais pais expressaram preocupações com os riscos online: 65% preocupam-se com contactos de estranhos e 61% com conteúdos, embora estas não sejam as suas principais preocupações.
Algumas notas a propósito destes dados.
Um estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, há algum tempo divulgado sobre a utilização da net por parte de crianças e adolescentes revela que entre os mais novos, dos 8 aos 10 anos, 35.7% afirma que utiliza a net em casa sem regras estabelecidas, sendo que 42% também refere que não têm controlo dos pais sobre páginas consultadas e correio electrónico. São também conhecidos estudos que sugerem uma estadia média diária em frente a um ecrã de cerca de 4h para as crianças portuguesas, número que sobe ao fim de semana.
Estes dados, apesar de não surpreendentes, são preocupantes. Muitas vezes já aqui tenho referido como o ecrã, qualquer ecrã, é hoje a “baby-sitter” de muitíssimas das nossas crianças e adolescentes que neles, ecrãs, passam um tempo enorme “fechados”, às vezes "acompanhados" de outros miúdos tão abandonados quanto eles. Como também sabemos, parte importante desse tempo é passado só, facilitando a falta de controlo sobre a utilização do ecrã, neste caso a net. A situação é ainda agravada pelo facto de em muitas das nossas famílias se verificar alguma iliteracia informática que também complica a possibilidade dos pais aceder e dominar a utilização dos recursos informáticos. Neste quadro, importa que o acesso e domínio destes meios seja estimulado juntos dos pais, que os programas de net segura, sejam reforçados, e que pelas vias da educação a tempo inteiro (não confundir com escola a tempo inteiro) e de mudanças na organização do trabalho, se diminua o tempo que as crianças e adolescentes passam, sós, ligados a um ecrã.
Considerando as implicações e nos sérios riscos presentes na vida diária, importa que se reflicta sobre a atenção e ajuda, em informação e na forma de lidar com os riscos, destinada aos pais para que a utilização imprescindível seja regulada e protectora da qualidade de vida das crianças e adolescentes.

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