Isto não anda nada bem. Dizem-nos que embora menos gente beba, os que bebem fazem-no de forma excessiva.
Informam-nos que andamos a comer
mal, abusamos das gorduras, economizamos nos legumes, ficamos gordos e estamos
em risco.
Ralham porque temos uma das mais
altas taxas de prevalência de problemas de saúde mental sendo, aliás, um dos
maiores consumidores de psicofármacos.
Sistematicamente afirmam que
produzimos pouco, que não poupamos o que devíamos e que gastamos bastante mais
do que produzimos criando inúmeras e enormes situações de crédito pessoal e
familiar que não conseguimos suportar.
Temos miúdos mal sucedidos na
escola e pais pouco produtivos, ou seja, nem pais nem filhos são competitivos
como agora se exige.
Os comportamentos cívicos também
não são algo de que nos possamos orgulhar, basta olhar para o lixo, a pegada
biológica dos cães nos passeios, as beatas para o chão ou os sacos de lixo pela
beira das estradas. Acontece ainda que muita gente gosta de registar e divulgar
tais cenários nas incontornáveis redes sociais. São gente que aprecia as nossas
especificidades culturais e um espaço limpo não é a mesma coisa. Alguns não apreciam, mas não são "influencers".
O diálogo vai desaparecendo sendo substituído por monólogos à vez ou mesmo sobrepostos. O insulto ou a indiferença são recorrentes. O telemóvel sem ninguém do outro lado, apenas "produtos" é a companhia insubstituível.
Passamos o tempo a dizer mal uns
dos outros sendo que o outro, seja quem for, nunca tem razão e a culpa, seja do
que for, é sempre deles, os gajos, uma entidade indefinida responsável por tudo
o que nos acontece.
Parece, que no meio disto tudo, o
único que se aproveita, sou eu, o cada um de nós que é sempre perfeito. Juntos
é que é um problema, é das companhias, como dizem os pais.
Não há saco para esta turma tão
mal comportada que constituímos.
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