No CM encontra-se uma peça sobre os
dados do abandono escolar precoce, jovens com idades compreendidas entre os 18
e os 24 anos que deixam o ensino e a formação. Em 2025 foi de 6,1%, abaixo da
meta europeia de 9% estabelecida para 2030. O valor médio na União Europeia é
de 9,1%. A percentagem tem vindo a descer e comparando com 2015 Portugal baixou
7,5%, a segunda maior descida. O trabalho não citava a fonte, presumo que seja o eurostat.
O abaixamento do abandono escolar
não pode deixar de ser uma boa notícia, mas … há sempre um maldito “mas” para
atrapalhar.
Parece claro que não basta, manter
os alunos, todos os alunos. Acresce a óbvia necessidade de que o abaixamento da
taxa de abandono escolar signifique conhecimentos e competências adquiridas
pelos alunos.
No entanto, os últimos anos
tem-se registado alguma incoerência nos resultados da avaliação interna,
percursos de sucesso, e os dados das avaliações externas, provas de aferição,
exames ou estudos comparativos internacionais.
No mesmo sentido, importa ainda
recuperar que em 2020, o Tribunal de Contas afirmava que no sistema educativo
nacional não existem indicadores ajustados, a imprescindível avaliação externa,
que permita conhecer "os reais números do Abandono em Portugal, frustrando,
quer a implementação eficiente das medidas preventivas e de recuperação dos
alunos em Abandono ou em risco de Abandono, quer o direccionamento adequado do
financiamento".
Na realidade, o abaixamento do
abandono escolar precoce é fundamental e, sendo importante que os alunos não
abandonem, é necessário assegurar que a sua continuidade tenha sucesso. Aliás,
à semelhança do que tem sido o caminho da designada educação inclusiva, não
basta que tenhamos os alunos com necessidades especiais “entregados” nas
escolas regulares para que possamos falar de educação inclusiva.
Temos indicadores que mostram que
muitos alunos, estando “ligados” à máquina educativa, ainda lutam, por razões
diversas, por uma trajectória bem-sucedida e importa que cumprir a escolaridade
signifique mesmo carreiras escolares promotoras de competências e capacidades como
escrevi acima.
Só assim se promove a construção
de projectos de vida viáveis, que proporcionem realização pessoal e base do
desenvolvimento das comunidades.
Neste caminho é fundamental que a
qualidade dos processos educativos e que a existência de dispositivos de apoio
competentes e suficientes às dificuldades de alunos e professores na
generalidade das comunidades educativas seja uma opção clara pois é uma ferramenta
imprescindível à minimização do abandono e insucesso.
Por outro lado, importa não
perder de vista a população que abandona e a que está em alto risco de que tal
aconteça. Neste sentido é fundamental que a oferta de trajectos diferenciados
de formação e qualificação ou iniciativas em desenvolvimento como o programa
Qualifica, sucessor do Novas Oportunidades ou os anunciados no âmbito do ensino
superior, tenham os meios necessários e se resista à tentação do trabalho para
a “estatística”, confundindo certificar com qualificar.
Apesar dos indicadores de
progresso é necessário insistir, merecemos e precisamos de mais e melhor
sucesso e qualificação e menos abandono e exclusão.
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