Há dias o JN referenciava um comunicado da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) relativo à violência contra idosos. Os episódios de agressão dirigidos a idosos ocorrem na maioria dos casos em contexto familiar e genericamente os agressores são filha ou filho da vítima, 32,3%, seguida do cônjuge, 21,5%.
Ainda de acordo com a APAV a
maioria das vítimas apoiadas, 53,6%, está em situação de vitimização continuada
e 46,6% das vítimas não apresentou queixa nem teve a sua situação denunciada.
É um cenário inquietante no meio
de mundo em estado inquietante. Quer no seio das famílias, quer em instituições
para onde alguns velhos são enviados compulsivamente como tem sido denunciado
pela APAV, algumas encerradas por determinação legal, tal é a gravidade das
situações, multiplicam-se as referências à forma inaceitável como os velhos
estão a ser tratados.
Começam por ser desconsiderados
pelo sistema de segurança social que com pensões miseráveis, transforma os
velhos em pobres, dependentes e envolvidos numa luta diária pela sobrevivência.
Continua com um sistema de saúde
que deixa muitos milhares de velhos dependentes de medicação e apoio sem médico
de família.
Em muitas circunstâncias, as
famílias, seja pelos valores, seja pelas suas próprias dificuldades ou
alterações nos estilos de vida, não se constituem como um porto de abrigo,
sendo parte significativa do problema e não da solução. As situações muito complicadas
em que milhares de famílias estão envolvidas com o retornar de várias gerações
à mesma casa e a tentação de aproveitar os baixos rendimentos dos velhos
potenciam o risco de maus tratos.
Finalmente, as instituições,
muitas delas, subordinam-se ao lucro e escudam-se numa insuficiente
fiscalização além de que, com frequência, os equipamentos de qualidade são
inacessíveis aos rendimentos de boa parte dos nossos velhos.
Lamentavelmente, boa parte dos
velhos, sofreu para chegar a velho e sofre a velhice.
Não é um fim bonito para nenhuma
narrativa, entende o velho que escreve estas letras.
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