quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

OS AMANHÃS NÃO VÃO CANTAR, MESMO QUE SEJA UMA PROMESSA DE NATAL

Em alguns textos que aqui tenho deixado, referi a importância que é de atribuir às palavras e aos comportamentos das lideranças, de várias naturezas. Nesta perspectiva e quando se trata da liderança do país, em circunstâncias particularmente difíceis registe-se, estas palavras assumem ainda particular impacto.
Serve esta introdução par uma pequena nota sobre algumas das palavras do Primeiro-ministro na sua mensagem de Natal.
Durante os últimos tempos em que devido à crise económica mundial certamente, mas também a modelos políticos e económicos trazidos por um programa de austeridade já de si gravoso e reconhecidamente excessivo e ainda ampliado pelo Governo, sempre ouvimos o Primeiro-ministro afirmar que o empobrecimento era a salvação, palavras difíceis de sustentar num país pobre, no qual a maioria das famílias não vivia acima das suas possibilidades mas muitos milhares de famílias mas muitas passaram a viver aquém das suas necessidades.
Na verdade, atingimos cerca três milhões de portugueses em risco de pobreza e exclusão, perto de um milhão de desempregados, centenas de milhares de portugueses, sobretudo jovens, a partir buscando um futuro que por cá lhes parece negado, sempre ouvimos o Primeiro-ministro.
Neste cenário, torna-se difícil ouvir hoje Passos Coelho afirmar que “todos” beneficiarão “das novas oportunidades” a serem criadas “nos próximos anos” e ainda que na "recuperação do nosso país, ninguém pode ficar para trás”, prometendo que “ninguém que esteve presente nos piores momentos da crise, com a sua coragem e o seu esforço, será deixado para trás nos anos de oportunidade que temos pela frente”.
Passos Coelho sabe bem que, mais uma vez, não cumprirá uma promessa, NÃO beneficiarão TODOS das "novas oportunidades", seja lá isso o que for.
Muitos, demasiados, ficaram mesmo para trás e já não chegarão à frente, velhos ou novos. Chegarão à frente, como sempre, os que menos "estiveram presentes com o seu esforço", muitos dos outros perderam um comboio que não voltarão a apanhar.
Os amanhãs não vão cantar, ainda que seja um promessa numa mensagem de Natal.

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