Merece leitura o texto de João Conde no Expresso “A paranoia das fusões no ministério: a alquimia de somar dois desastres”, a propósito da “bizarra crença fetichista de que a fusão burocrática é a resposta milagrosa para todos os males estruturais da ciência e do ensino do nosso país”.
De facto, e como é habitual, a
generalidade das equipas ministeriais no universo da educação, mas não só,
apresentam-se sempre com um inevitável “ímpeto reformista”. Como se sabe, uma
dose de “ímpeto reformista” é um ingrediente imprescindível no desenho das
políticas públicas.
Também o MECI puxou do seu
“ímpeto reformista” e desatou a reformar as estruturas e organismos do estado.
No entanto, como também se sabe, o “ímpeto reformista” é trôpego e acontece que
a coisa fica complicada.
Sendo certa a necessidade de
ajustamentos nas políticas públicas de educação, “todo o mundo é composto de
mudança”, o “ímpeto reformista” tem de partir da necessária avaliação das
fragilidades e desajustamentos e então, de forma estudada, reflectida e
envolvendo os diferentes actores envolvidos, decidir os objectivos e os
processos e os tempos da mudança. A equipa que gere a PEC (política educativa
em curso), é de uma tal agitação que parece funcionar ao contrário, ou seja,
procura mudar tudo e ao mesmo tempo e pensa depois, se pensar. A situação acaba por criar um quadro de “agitação
improdutiva” que é frequente no nosso país.
Acresce que face aos sucessivos
problemas, a irresponsabilidade e passa-culpas é o que se conhece.
O cidadão fica perplexo, sem
confiança o que acaba por minar o impacto de algumas medidas que podem ir no
sentido adequado.
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