domingo, 27 de setembro de 2026

MAYDAY, MAYDAY

 Não sendo a primeira vez que o faço, recupero este título de um artigo histórico de um dos meus Mestres, o Professor Joaquim Bairrão Ruivo, e que também o usou com o sentido que tem na aviação, alerta para a gravidade extrema de uma situação que exige socorro urgente e adequado. É o caso da actual situação no nosso sistema educativo.

Na verdade, vivemos uma situação de extraordinária complexidade e com repercussões severas no futuro das gerações que estão e vão chegar à escola.

Não temos professores para todos os alunos em todas as disciplinas. Os professores e  a sua carreira não são valorizados, a capacidade de resposta das instituições de formação de professores é insuficiente.

Não temos escola para todos os alunos. Num contexto já complexo e difícil a solução está passar por aumentar o efectivo de turma.

Não temos recursos e dispositivos de apoio a alunos e professores suficientes e competentes.

O clima de funcionamento em muitas escolas é complexo e pouco amigável, por assim dizer, para todos os elementos da comunidade escolar, professores, técnicos, auxiliares, alunos, pais …

As políticas públicas oscilam ao sabor do “ímpeto reformista” e da actual “densificação” lembrando Lampedusa, “é preciso que tudo mude para tudo fique na mesma”.

Desencadeia-se uma “reforma” do MECI que deixou o MECI do avesso e com falhas críticas como a classificação dos exames finais, a "digitalização" a vapor ou enormes dificuldades de comunicação ntre serviços do MECI e comunidade escolar.

O desempenho dos alunos, aferido com diferentes dispositivos, reflecte o contexto desfavorável em que vivem a sua educação escolar. Felizmente e até ver, o MECI ainda não refere uma eventual perda de capacidades de aprendizagem nos nossos alunos. Na verdade, temos é um sério problema de "ensinagem", sobretudo no que envolve o contexto diário do trabalho de alunos e professores.

Vive-se um clima de irresponsabilidade e de passa culpas que não é admissível, mas não acontece nada.

Caminhamos para onde?

Sem comentários: