O MECI, Ministro dos Enleios, Caliqueiras e Irresponsabilidade (em alentejano) entendeu por bem minimizar a falta de lugares nas escolas para um número significativo de alunos recorrendo ao aumento do efectivo de turma.
Considerando que o problema, não
sendo desconhecido nem repentino, não tem solução imediata entende-se a
decisão. O que não se entende, ou melhor, não é aceitável é a argumentação do
Ministro afirmando que a "Evidência científica diz que até aos 30 alunos a qualidade do ensino não sai prejudicada”, sempre a evidência para sustentar o
que quer que seja. Compreendendo o recurso ao alargamento de turmas nestas circunstâncias,
temo que possa tornar-se uma poção mágica para minimizar a falta de docentes.
A revisão de estudos sobre o
número de alunos por turma e o seu impacto mostra o que também conhecemos,
existem vantagens em turmas de menor dimensão que podem ser mais ou menos
significativas em função das variáveis em análise.
Parece-me de acentuar que os
estudos sugerem com clareza a existência de impacto positivo no clima e
comunicação na sala de aula, na maior facilidade de práticas educativas mais
diferenciadas, no comportamento dos alunos, etc., o que, evidentemente deve ser
considerado.
Alguns estudos, apenas centrados
em resultados, não encontram diferenças significativas, mas também me parece
que nem sempre são consideradas variáveis importantes, de contexto por exemplo,
o que frequentemente também não é tido em conta nos discursos de alguns “economistas”
da educação.
É também fundamental considerar
as diferentes características dos diversos territórios educativos
independentemente da sua classificação como TEIP. Na verdade, é necessário
considerar as diferenças de contexto, isto é, a população servida por cada
escola, as características e dimensão da escola, a constituição do corpo
docente, os recursos disponíveis, etc.
Importa ainda sublinhar que a
qualidade e sucesso do trabalho de professores e alunos depende de múltiplos
factores, sendo que a dimensão do grupo é apenas um, ou seja, importa
considerar, vejam-se relatórios e estudos nesta área, as práticas pedagógicas,
os processos de organização e funcionamento da sala de aula e da escola,
recursos e dispositivos de apoios, bem como o nível de autonomia de cada escola
ou agrupamento, entre outros.
Acresce nesta matéria a
importância da qualidade do trabalho em turmas com alunos com necessidades
educativas especiais o que, evidentemente, deve ser considerado na análise do
efectivo de turma, desde logo cumprindo o que esteja legislado e acautelando a
tentação de “inclusões administrativas” em que os alunos ficam “entregados” e
não “integrados”.
É dispensável referir a diferença
entre trabalhar com 30 alunos num estabelecimento privado de acesso “protegido”
ou com o mesmo número de alunos num mega-agrupamento de uma escola pública em
que um professor lida com várias turmas, centenas de alunos ou se desloca entre
escolas para trabalhar.
Por outro lado, não só por esta
razão, dimensão das turmas e qualidade do trabalho dos alunos, de todos os
alunos, e dos professores, também me parece urgente a promoção de uma
verdadeira desburocratização do trabalho nas escolas e promovido algum
ajustamento na sua organização e funcionamento o que certamente libertaria
tempo de professores para trabalho em turma ou em apoios que promovessem
qualidade.
Sei que mudanças neste sentido
são politicamente difíceis e terão custos. No entanto, são imprescindíveis e os
custos do insucesso e da exclusão são incomparavelmente mais caros.
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