quinta-feira, 22 de outubro de 2015

O PRESIDENTE FALOU

O Presidente falou.
O Presidente, desta vez, falou com clareza e indigitou Passos Coelho para chefiar o Governo.
O Presidente está zangado com a maioria dos eleitores portugueses.
O Presidente não gostou que estes portugueses não tivessem votado como ele empenhada e desinteressadamente sugeriu mas ele corrigiu os votos dos portugueses porque ele é que sabe, ele é o Presidente.
O Presidente falou e disse “quem não é por nós … é contra o interesse nacional”. Onde é que eu ouvi isto?
O Presidente bem avisou o PS que deveria aceitar o Programa da coligação.
O Presidente não gostou que o PS ande com más companhias, os radicais da esquerda, gente de má vida e de maus costumes.
O Presidente é Presidente dos portugueses de quem gosta e são bem comportados, votam da maneira certa.
O Presidente falou, sem se engasgar e disse “odeio essa malandragem da esquerda”.
O Presidente meteu medo às gentes. Os senhores que mandam lá de fora vão ficar muito zangados se vocês não apoiarem a coligação e depois castigam as pessoas. Portem-se bem.
O Presidente bem falou da democracia mas não tolera a diferença. Também é dos que espera ansiosamente que deputados do PS votem no … PSD. Se ele mandasse seriam obrigados, em nome da democracia e do interesse nacional, é claro.
O Presidente, felizmente, está em final de mandato.
O Presidente fez-me recordar um homem bom cá da tribo familiar que já partiu há muito e que sempre que alguém menos simpático se ia embora dizia, “olha, leva muitas saudades que é coisa que cá não deixas”.
O Presidente falou. Fez-me desejar de forma ainda mais veemente que em Belém esteja alguém que seja um Presidente da República e não o Presidente de parte da República, alguém que não considere que quem não vota em si e nos seus não pensa no interesse nacional, alguém que percebe que a diferença enriquece, alguém que pense que não existem donos da democracia, alguém que …
Alguém como Sampaio da Nóvoa.

3 comentários:

maria melo disse...

muito mas mesmo muito bom! adorei o texto, a forma como o escreveu e as palavras que escolheu - só é mau demais isto ser verdade, este Presidente existir mesmo e ser ainda por cima o Presidente do meu País...mas sim, no texto existe a mensagem de esperança, o presidente está quase a deixar de o ser (será??) esperemos que venha um Presidente a sério!!!

Teresa

António Aleixo disse...

É das tais coisas: há "democratas" que só sabem governar em maioria. Assustaram-nos (não a todos, felizmente) com o fantasma grécia, continuaram a tentar assustar-nos com o bicho-papão comissão europeia e agora este senhor invoca o homem-do-saco mercados. Para o economicista apenas o número, nunca o Homem.
Parabéns pela excelente exposição que apenas peca por ser curta, mas isso é o problemas dos bons pudins: sabem sempre a pouco.
Um abraço e desculpe lá mas vou partilhar. :)

não sei quem sou... disse...

O cerne do problema é que este presidente foi um presidente a sério com falta de seriedade. Assinei por baixo quando Catarina Martins disse que mais parecia um chefe de seita.

Bom esforço de campanha sr. Professor José Morgado. Torço para que o sr. Professor sinta que não foi trabalho infrutífero.


VIVA!