É uma questão demasiado séria
para fazer parte do anedotário nacional ou estar no topo do ranking da incompetência, mas merece. Sendo
certo que o MECI simpatiza com rankings sentir-se-á eventualmente confortável com o brilho da
sua incompetência. Estamos no final do ano lectivo, daqui a pouco teremos os exames do 9.º,
11.º e 12.º anos e muitos alunos não tiveram docentes a alguma disciplina e o
MECI continua sem revelar o número de alunos nesta situação. Acresce que as
escolas, obviamente, não fazem milagres.
No Expresso aborda-se a questão
recordando a afirmação do Ministro em Julho de 2025 no Parlamento, “Em
2024/2025 não soubemos o número de alunos sem aulas, mas em 2025/2026 vamos
saber”. Estamos na mesma, é mau demais e competência de menos.
Na verdade e como há pouco tempo
escrevi, vivemos tempos estranhos. Lidamos diariamente com “novos normais”, por
assim dizer. A existência de tantos alunos sem professor já no final do ano
lectivo passa quase despercebida. Claro que os próprios alunos, a família e,
naturalmente, os outros professores destes alunos sentem o que é, de facto, um
problema sério e com consequências óbvias. Como será o trajecto escolar destes
alunos, alguns com exames à porta? Que está previsto que possa minimizar o
impacto nas aprendizagens que não se realizaram? Que responsabilidades
assumidas?
Há décadas que a falta de
docentes estava escrita nas estrelas e sucessivas equipas ministeriais, para
além de más políticas públicas que afastaram milhares de professores das
escolas negavam a evidência, ouvia-se o mantra dos “professores a mais”. Maria
de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato foram dois exemplos de incompetência e
irresponsabilidade nesta matéria e nem um rasgo de seriedade no assumir do que
é óbvio, falharam. Continuam serenos e de consciência tranquila, provavelmente,
também com uma outra percepção, está na moda, do que é consciência tranquila.
O resultado está à vista, o
atropelo a um direito fundamental, o direito à educação, e o desempenho escolar
de muitos alunos prejudicado pela falta de docentes.
As famílias com mais recursos
recorrem ao ensino privado ou a explicações externas, as outras … lamentam.
As escolas tentam o milagre de
que não podemos depender.
A questão é que cada vez se torna
mais difícil falar de responsabilidade. Entrámos no mundo da
irresponsabilidade.
Com que preço? Pago por quem?
E não acontece nada?
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