domingo, 31 de maio de 2026

O(A) MELHOR PROFESSOR(A) DO ...

 A educadora de infância Marisa Teixeira, a desempenhar funções no jardim de infância de Vale do Côvo que integra o Agrupamento de escolas da Alpendurada em Marco de Canaveses, venceu a edição 2026 do Global Teacher Prize Portugal. A iniciativa é desenvolvida em Portugal pela Mentes Empreendedoras, uma organização privada sem fins lucrativos, com o apoio da Fundação Santander Portugal. Além do prémio de 30 mil euros para investimento na comunidade escolar foi atribuída uma Menção Honrosa Acesso à Cultura, que conta a colaboração do Plano Nacional das Artes à professora Ana Fontão, docente numa escola do 1.º ciclo do Agrupamento de Escolas Laura Ayres, em Quarteira.

Como se sabe, o prémio Global Teacher Prize Portugal é a versão nacional do Global Teacher Prize, uma iniciativa em mais de 120 países que visa reconhecer "os professores que contribuem para a excelência na educação, para a inovação e para a descoberta de novas respostas educativas”.

Uma saudação à educadora Marisa Teixeira e à professora Ana Fontão pelo seu trabalho e algumas notas repescadas.

Como já tenho escrito tenho algumas reservas face a este tipo de iniciativas, mas creio que podem ter algum significado, sobretudo como valor simbólico de valorização e reconhecimento do trabalho dos professores num tempo em que tal reconhecimento e valorização são dramaticamente necessários. Os tempos que temos vivido recentemente tornaram ainda mais evidente a importância do seu trabalho. No entanto, não acredito muito na ideia do melhor professor de …

A esmagadora maioria dos professores é competente e empenhada no seu trabalho, procurando desenvolvê-lo com qualidade, rigor e eficácia, sem facilitismos, contrariamente ao que tantas vezes se afirma de forma ignorante.

Todos os dias, em todas as escolas muitos professores fazem trabalhos de notável qualidade e empenho que, com alguma frequência, apenas são valorizados e conhecidos … pelos seus alunos. Com demasiada frequência esse trabalho é dificultado por muitas decisões, dimensões e discursos das políticas públicas de educação que, mais do que contributos para soluções nas escolas, associam-se a boa parte das dificuldades de professores, técnicos, alunos, ao clima de muitas escolas, etc.

Como tantas vezes refiro, quando qualquer de nós faz um esforço para recuperar lembranças positivas sobre os professores, poucos ou muitos, com que nos cruzámos durante o nosso trajecto escolar, creio que quase todos nos lembramos de professores que continuam na nossa lembrança, não só pelos saberes escolares que nos ajudaram a adquirir, mas, sobretudo, por aquilo que representaram e foram para nós, ou seja, pela forma como nos marcaram. Cada um desses professores é, certamente, o melhor professor que conhecemos.

Por isso, cada vez mais estou convicto de que os professores, tanto quanto ensinar o que sabem, ensinam o que são, ou seja, existem muitos que nos ensinam, ensinaram, saberes, o que é bom e indispensável, mas nem todos permanecem com a gente.

Parece-me sempre oportuno, mas nestes tempos mais que nunca, acentuar a importância desta dimensão mais ética e afectiva do ensino que corre alguns riscos com o “deslumbramento digital” que se instalou. Deve ser valorizada e promovida para que os miúdos possam, posteriormente, falar dos professores que os marcaram e que, por essa razão, continuaram com eles.

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