A educadora de infância Marisa Teixeira, a desempenhar funções no jardim de infância de Vale do Côvo que integra o Agrupamento de escolas da Alpendurada em Marco de Canaveses, venceu a edição 2026 do Global Teacher Prize Portugal. A iniciativa é desenvolvida em Portugal pela Mentes Empreendedoras, uma organização privada sem fins lucrativos, com o apoio da Fundação Santander Portugal. Além do prémio de 30 mil euros para investimento na comunidade escolar foi atribuída uma Menção Honrosa Acesso à Cultura, que conta a colaboração do Plano Nacional das Artes à professora Ana Fontão, docente numa escola do 1.º ciclo do Agrupamento de Escolas Laura Ayres, em Quarteira.
Como se sabe, o prémio Global
Teacher Prize Portugal é a versão nacional do Global Teacher Prize, uma
iniciativa em mais de 120 países que visa reconhecer "os professores que
contribuem para a excelência na educação, para a inovação e para a descoberta
de novas respostas educativas”.
Uma saudação à educadora Marisa
Teixeira e à professora Ana Fontão pelo seu trabalho e algumas notas
repescadas.
Como já tenho escrito tenho
algumas reservas face a este tipo de iniciativas, mas creio que podem ter algum
significado, sobretudo como valor simbólico de valorização e reconhecimento do
trabalho dos professores num tempo em que tal reconhecimento e valorização são
dramaticamente necessários. Os tempos que temos vivido recentemente tornaram
ainda mais evidente a importância do seu trabalho. No entanto, não acredito
muito na ideia do melhor professor de …
A esmagadora maioria dos
professores é competente e empenhada no seu trabalho, procurando desenvolvê-lo
com qualidade, rigor e eficácia, sem facilitismos, contrariamente ao que tantas
vezes se afirma de forma ignorante.
Todos os dias, em todas as
escolas muitos professores fazem trabalhos de notável qualidade e empenho que,
com alguma frequência, apenas são valorizados e conhecidos … pelos seus alunos.
Com demasiada frequência esse trabalho é dificultado por muitas decisões,
dimensões e discursos das políticas públicas de educação que, mais do que
contributos para soluções nas escolas, associam-se a boa parte das dificuldades
de professores, técnicos, alunos, ao clima de muitas escolas, etc.
Como tantas vezes refiro, quando
qualquer de nós faz um esforço para recuperar lembranças positivas sobre os
professores, poucos ou muitos, com que nos cruzámos durante o nosso trajecto
escolar, creio que quase todos nos lembramos de professores que continuam na
nossa lembrança, não só pelos saberes escolares que nos ajudaram a adquirir,
mas, sobretudo, por aquilo que representaram e foram para nós, ou seja, pela
forma como nos marcaram. Cada um desses professores é, certamente, o melhor
professor que conhecemos.
Por isso, cada vez mais estou
convicto de que os professores, tanto quanto ensinar o que sabem, ensinam o que
são, ou seja, existem muitos que nos ensinam, ensinaram, saberes, o que é bom e
indispensável, mas nem todos permanecem com a gente.
Parece-me sempre oportuno, mas
nestes tempos mais que nunca, acentuar a importância desta dimensão mais ética
e afectiva do ensino que corre alguns riscos com o “deslumbramento digital” que
se instalou. Deve ser valorizada e promovida para que os miúdos possam,
posteriormente, falar dos professores que os marcaram e que, por essa razão,
continuaram com eles.
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