Estamos a caminho do final do ano lectivo, teremos os exames do 9.º, 11.º e 12.º anos existem muitos alunos não têm docente. As escolas não fazem milagres e o MECI nem sequer consegue revelar o número de alunos nesta situação. É mau demais e competência de menos. No DN encontra-se uma peça sobre esta questão sublinhando as dúvidas e receios de professores e direcções das escolas.
Na verdade, vivemos tempos
estranhos. Lidamos diariamente com “novos normais”, por assim dizer. A
existência de tantos alunos sem professor já no final do ano lectivo passa
quase despercebida. Claro que os próprios alunos, a família e, naturalmente, os
outros professores destes alunos sentem o que é, de facto, um problema sério e
com consequências óbvias. Como será o
trajecto escolar destes alunos, alguns com exames à porta? Que está previsto
que possa minimizar o impacto nas aprendizagens que não se realizaram? Que
responsabilidades assumidas?
Há décadas que a falta de
docentes estava escrita nas estrelas e sucessivas equipas ministeriais, para
além de más políticas públicas que afastaram milhares de professores das
escolas negavam a evidência, ouvia-se o mantra dos “professores a mais”. Maria
de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato foram dois exemplos de incompetência e
irresponsabilidade nesta matéria e nem um rasgo de seriedade no assumir do que
é óbvio, falharam. Continuam serenos e de consciência tranquila, provavelmente,
também com uma outra percepção, está na moda, do que é consciência tranquila.
O resultado está à vista, o
atropelo a um direito fundamental, o direito à educação, e o desempenho escolar
de muitos alunos prejudicado pela falta de docentes.
As famílias com mais recursos
recorrem ao ensino privado ou a explicações externas, as outras … lamentam.
As escolas tentam o milagre de
que não podemos depender.
A questão é que cada vez se torna
mais difícil falar de responsabilidade. Entrámos no mundo da
irresponsabilidade.
Com que preço? Pago por quem?
E não acontece nada?
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