sexta-feira, 9 de outubro de 2026

PARA O ENSINO PROFISSIONAL, UMA BOA IDEIA

 Ontem, recebi uma mensagem de André Eusébio, docente no ensino profissional solicitando uma opinião sobre uma sua iniciativa.

O professor André Eusébio criou um site com materiais de apoio para a componente tecnológica dos cursos profissionais, organizados por unidade de competência. O site é Aulify (auliy.pt) e os materiais dirigidos a professores e alunos são gratuitos.

“Em cada unidade há sebenta, fichas com soluções, slides, mini-projeto, critérios e grelhas de avaliação e planificação. Não é preciso registo nem pagar, e os materiais têm licença Creative Commons (BY-NC-SA)."

https://aulify.pt/sobre?utm_source=blogs 

Numa visita rápida e não sendo de todo um especialista na área julgo que pode ser um excelente contributo para o trabalho docente. Também não conheço o professor André Eusébio estando ainda mais à vontade para reconhecer o trabalho que realiza.

Como ainda há pouco aqui escrevi, é fundamental diversificar a oferta formativa, ou seja, promover a diferenciação de percursos. Só por esta via, me parece possível atingir um objectivo absolutamente central e imprescindível, todos os alunos devem aceder a alguma forma de qualificação, única forma de combater a exclusão e responder mais eficazmente à principal característica de qualquer sala de aula actual, a heterogeneidade dos alunos. O desenvolvimento do ensino profissional precisa de ir contrariando a ideia de que não se destina preferencialmente aos "que não servem" para a escola.

Precisamos, pois, de responder às exigências de qualificação, mas não podemos mascarar as estatísticas empurrando os “maus” para percursos que “recebem” um rótulo de “segunda” pois são percebidos por parte da comunidade como destinados aos menos dotados, “preguiçosos” ou com problemas vários.

Por outro lado, esta oferta deve ser adequada às comunidades educativas e dotada dos recursos e meios necessários bem como de maior e efectiva autonomia das escolas. Como tem sido referido em diferentes avaliações e pelas direcções escolares esta situação está longe de acontecer embora também se conheçam excelentes respostas.

A diferenciação dos percursos é necessária e imprescindível, incluindo, obviamente, o ensino profissional tendo como potenciais destinatários todos os alunos como se verifica em boa parte dos sistemas educativos.

Devem estar disponíveis desde sempre dispositivos de apoio suficientes, competentes e oportunos a alunos e professores e formas de diferenciação que melhor permitam acomodar a diversidade dos alunos.

Finalmente, é fundamental para todo o sistema educativo, importa que existam dispositivos de regulação que sustentem e promovam a qualidade da desta indispensável oferta educativa dado o seu papel na construção de projectos de vida bem-sucedidos.

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