"Menos candidatos colocados no acesso ao ensino superior na primeira opção"
São conhecidos os resultados do
acesso ao ensino superior. Cerca de 89% dos candidatos ficaram colocados, 54%
conseguiram uma colocação na sua primeira opção e 88% numa das três primeiras.
A colocação e as escolhas
assenta, naturalmente, nas motivações dos candidatos e das suas expectativas
face ao futuro.
Umas notas breves na linha do que
aqui já tenho escrito.
Sou dos que entendem que cada um
de nós deve poder escrever, tanto quanto as circunstâncias o permitirem, a sua
narrativa, cumprir o seu sonho. Por outro lado, a vida também nos ensina que é
preciso estar atento aos contextos e às condições que os influenciam, sabendo
ainda a volatilidade e rapidez com que hoje em dia a vida acontece.
Nesta perspectiva, parece-me
importante que um jovem, sabendo o que a sua escolha representa, ou pode
representar, nas actuais, sublinho actuais, condições do mercado de trabalho,
faça a sua escolha assente na sua motivação ou no projecto de vida que gostava
de viver e, então, informar-se sobre opções, sobre as escolas e respectivos
níveis de qualidade.
Por outro lado, é esta questão
que nesta notas queria sublinhar, boa parte da questão da empregabilidade,
mesmo em situações de maior constrangimento, relativiza-se à competência, este
é o ponto fulcral.
Na verdade, o que frequentemente
me inquieta, como muitas vezes afirmo, é a ligeireza com que algumas pessoas
parecem encarar a sua formação superior, assumindo logo aqui uma atitude pouco
"profissional", cumprem-se os serviços mínimos e depois logo se vê. O
caso de Miguel Relvas é apenas um exemplo extremo deste entendimento, a
formação não é um conjunto de saberes e competências, é um título que se cola
ao nome.
Mesmo em áreas de mais baixa
empregabilidade, ou assim entendida, continuo a acreditar que, apesar dos maus
exemplos que todos conhecemos, a competência e a qualidade da formação e
preparação para o desempenho profissional, são a melhor ferramenta para entrar
nesse "longínquo" mercado de trabalho. Dito de outra maneira, maus
profissionais terão sempre mais dificuldades, esteja o mercado mais aberto ou
mais fechado.
Assim sendo, importa que o investimento,
a preocupação com a aprendizagem e a aquisição de saberes e competências possam
ser uma preocupação que pode, e deve, coexistir com o desenvolvimento de uma
vida académica socialmente rica, divertida e fonte de bem-estar e
satisfação. É desejável resistir à tentação do facilitismo, do passar não
importa como, da fraude académica, da competição desenfreada que inibem
partilha, cooperação e apoio para momentos menos bons.
O futuro vai começar dentro de
momentos.
Boa sorte e boa viagem para todos
os que vão iniciar agora esta fase fundamental nas suas vidas.
1 comentário:
Para contribuir para “a coesão territorial e para a fixação de jovens qualificados no interior do país”, o Governo criou 1.000 vagas, no ensino superior público continental, para bolsas de 1.500 euros para a mobilidade de estudantes.
Destas, atribuiu ao Instituto Politécnico de Santarém 75 vagas, e ao Instituto Politécnico de Tomar 80 vagas, ou seja, no Distrito de Santarém, contíguo ao de Lisboa, o Governo atribuiu 155 vagas.
Uma das questões que se coloca, é se a cidade de Santarém, capital do distrito, que dista cerca de 60 km da cidade de Lisboa, integra parte do território continental desabitado e abandonado que esta medida aparenta visar?
Ou, ao invés, não será este, mais um caso que só as teias da política explicam?
Como é o caso da existência de 2 Institutos Politécnicos num mesmo distrito, caso único no país, e ainda por cima, a poucos km da sua capital.
Por outro lado, será que o úbere Ribatejo, que num mesmo distrito – o de Santarém – averba 15,5 % destas 1.000 vagas, integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono?
Da mesma perplexidade enferma a atribuição ao Instituto Politécnico de Viana do Castelo de 100 destas vagas.
Mas será que o Minho, mais concretamente Viana do Castelo, integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono?
É que, se no alto critério deste Governo, o Minho integra o Portugal profundo, desabitado e ao abandono, então olvidou-se da sua universidade – a Universidade do Minho – pela qual certamente, atenta a preferência dos alunos (e das suas famílias) pelo ensino universitário em detrimento do ensino politécnico, como resulta à saciedade dos resultados a 1.ª fase de colocações no ensino superior, os alunos terão muito maior apetência…
Das 1000 bolsas criadas, o Governo de supetão atribuiu 25,5% das suas vagas com um critério que no mínimo é duvidoso. A não ser que se considere que o interior do país é tudo o que não for em Lisboa, critério este que esbarra com o óbice de ter atribuído as vagas para as bolsas apenas a algumas instituições fora de Lisboa, algumas às portas de Lisboa…
Diz o povo, “que os amigos são para as ocasiões”, espero que não seja o caso, o país está exausto de clientelismo. A questão deve ser aprofundada e o Governo, preto no banco, deve explicar ao país porque em concreto foram estas 12 instituições, de fora de Lisboa, contempladas com estas 1000 vagas, e as demais não o foram, incluindo as instituições de ensino superior público das Ilhas da Madeira e dos Açores.
http://www.ionline.pt/artigos/portugal/bolsas-1500-euros-mil-alunos-queiram-tirar-cursos-no-interior
http://www.publico.pt/sociedade/noticia/bolsa-de-1500-anuais-para-mil-alunos-irem-para-o-interior-1668863
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