Conhecidos os resultados da candidatura ao ensino superior vejamos alguns indicadores. O número de candidaturas válidas aumentou substantivamente, 60 513, mais 11795 que em 2025. Nesta fase ficaram colocados 49 991, mais 13,9% em relação a 2025, sendo que 26 819 alunos, 53,6%, conseguiram ficar na sua 1.ª opção.
Estes resultados para além de uma desejável maior motivação, estarão associados a alterações no dispositivo de
acesso que terá levado a candidaturas de alunos que no ano anterior não
conseguiram o acesso e, provavelmente, reflectir o elevado número de
reapreciações nos exames finais que com frequência levam à subida da nota.
Uma primeira nota para registar
este aumento de alunos no superior, a qualificação e formação são ferramentas indispensáveis de
realização e desenvolvimento, mas … há sempre um mas, vejamos algumas questões.
Se consideramos a o contexto
social familiar apenas 3% dos alunos apenas 1625 alunos beneficiários do
escalão A da Acção Social, incluindo o contingente especial, ficaram colocados.
Nada de novo, sabemos a
fortíssima associação entre o estatuto económico e o nível de escolarização
familiar na frequência do ensino superior. Os alunos com famílias mais
favorecidas acedem aos cursos com mais prestígio, preferencialmente
universitário e também com maiores dificuldades no acesso que, como é sabido e
julgo merecer reflexão, assenta quase que exclusivamente nas notas obtidas no
secundário.
Acresce que a frequência do
ensino superior é muito cara em Portugal. Os rendimentos das famílias
portuguesas não são do mesmo patamar que a generalidade da UE, o que torna
particularmente difícil a continuação de estudos para o superior. As famílias
suportam 30% dos custos da frequência do ensino superior, mais do dobro dos
custos médios da UE, 13% sem incluir o elevado custo do alojamento.
Os alunos do interior e com
baixos rendimentos sentem fortemente condicionado a frequência bem-sucedida do
ensino superior que acontece logo na escolha do percurso, a oferta é ela
própria condicionada, sobretudo nas regiões do interior. Para além de um
eventual cenário de desencanto ou ausência em muitos jovens de uma imagem
criadora de futuro associada a qualificação de nível superior, os custos de
frequência do ensino superior entre propinas, materiais, vida diária e
necessidades de deslocação e alojamento difíceis de suportar para muitos jovens
e famílias e um dispositivo de bolsas insuficiente são um conjunto de obstáculos
sérios à formação no ensino superior.
Creio também que um número
elevado de alunos não colocados na sua primeira opção pode gerar números
significativos de desistência e as dificuldades próprias a um processo de
transição, do secundário para o superior, colocarão desafios que as
instituições de ensino superior, universitário e politécnico, poderão ter
alguma dificuldade em responder com sucesso assim como nos recursos alocados a
dispositivos de apoio de natureza diferenciada.
Embora já afastado do trabalho
universitário creio que se têm acentuado as dificuldades sentidas pelas instituições
face a apoios a alunos nos primeiros anos no que respeita ao seu desempenho
académico, preparação e motivação para estudo e qualificação.
Espero bem que este aumento da
procura por formação de nível superior seja bem-sucedido para todos os que
agora irão iniciar o seu percurso de estudantes do ensino superior.
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