quarta-feira, 5 de agosto de 2026

OS CONSUMOS DE ADOLESCENTES E JOVENS

 No JN encontra-se a referência a um estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) que envolveu 88682 jovens presentes no Dia da Defesa Nacional em 2025. Alguns dados, 72% dos inqueridos assumiram ter consumido álcool nos 12 meses anteriores e 75% uma qualquer bebida ao longo das suas vidas.

Também 41% destes jovens referiram consumo de tabaco durante a vida, 36% nos últimos 12 meses, e 23% consumiram substâncias ilícitas, 19% nos últimos 12 meses, sobretudo canábis, num total de 21% durante a vida e 17% nos últimos 12 meses.

A propósito, recordo o relatório anual do ICAD de 2024 relativo ao consumo de álcool, tabaco e drogas por adolescentes e jovens. O estudo envolveu uma amostra de mais de onze mil alunos de 329 escolas públicas entre os 13 e os 18 anos.

Neste relatório sublinhavam-se alguns dados positivos, o consumo de álcool, tabaco e drogas baixou em todo o país, mas o jogo envolvendo dinheiro aumentou,

Por outro lado, verificaram-se assimetrias regionais significativas, os adolescentes e jovens do Alentejo fumam, bebem e consomem mais cannabis do que a média nacional e nos Açores o jogo a dinheiro triplicou.

No seu conjunto estes dados, apesar de alguma melhoria continuam a ser preocupantes e a merecer atenção pelo que retomo algumas notas envolvendo os consumos de adolescentes e jovens.

O consumo de diferentes substâncias, em quantidade e em grupo por adolescentes e jovens, sobretudo ao fim-de-semana, é muitas vezes entendido e sentido como o factor de pertença ao grupo, potenciando a escalada desse consumo. Juntos bebemos ou fumamos mais do que estando sós, como é óbvio, e o "estado" que se atinge é sentido como um "facilitador" relacional.

Por outro lado, a acessibilidade aos diferentes produtos não é complicada, antes pelo contrário, processa-se com a maior das facilidades apesar de algumas alterações legais. Muitos adolescentes ou jovens, ouvidos em estudos nesta matéria, referem ainda a ausência de regulação dos pais sobre os gastos, sobre os consumos ou sobre as horas de entrada em casa, que muitas vezes tem de ser discreta e directa ao quarto devido ao “mau estado” do protagonista.

Como é evidente, já muitas vezes aqui o tenho referido com base na experiência de contacto com pais de adolescentes, não estamos a falar de pais negligentes. Podem acontecer situações de negligência, mas, em boa parte dos casos, trata-se de pais que sabem o que se passa, “apenas fingem” não perceber desejando que o tempo “cure” porque se sentem tremendamente assustados, sem saber muito bem o que fazer e como lidar com a questão.

De fora parece fácil produzir discursos sobre soluções, mas para os pais que estão “por dentro” a situação é muitas vezes sentida como maior que eles.

É preciso que a comunidade esteja atenta a estes adolescentes que, por vezes ainda antes dos 13 ou 14 anos começam a “aceder” às “litrosas”, aos shots, a qualquer outro produto para fumar ou consumir e também aos seus pais que estão tão perdidos quanto eles.

Apesar das alterações na legislação de natureza proibicionista, parecem-me imprescindíveis, evidentemente, a adequada fiscalização e, sobretudo a criação de programas envolvendo pais e aos adolescentes que minimizem o risco do consumo excessivo das diferentes substâncias.

É mais uma das áreas, comportamentos e saúde, que podem ser abordadas nas escolas com todos os alunos e não necessariamente ou apenas pelos professores, já assoberbados pelas suas tarefas e burocracia esmagadora para além, obviamente, da escassez de docentes.

Estas abordagens não têm de constituir uma “disciplina” que engorda um currículo já pesado.

Acresce que a proibição, como sempre, não basta e se prevenir e cuidar é caro que se façam as contas aos resultados do descuidar.

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