domingo, 27 de novembro de 2016

BRINCAR É A ACTIVIDADE MAIS SÉRIA QUE AS CRIANÇAS REALIZAM

O Natal aproxima-se. Entre outros aspectos, a época de Natal caracteriza-se por uma valorização temporária dos brinquedos e do brincar.
Digo temporária porque brincar e brinquedos têm vindo a ficar arredados da vida dos mais novos.
Estes empos que não são de brincar, são de trabalhar, muito, em nome da competitividade e da produtividade, condição para a felicidade, entendem alguns. Roubaram aos miúdos o tempo e o espaço que nós tínhamos e empregam-nos horas sem fim nas fábricas de pessoas, escolas, chamam-lhes. Aí os miúdos trabalham a sério, a tempo inteiro, dizem, pois só assim serão grandes a sério, dizem também.
Às vezes, alguns miúdos ainda brincam de forma escondida, é que brincar passou a uma actividade quase clandestina que só pais ou professores “românticos”, “facilitistas”, “eduqueses” ou “incompetentes” acham importante.
Muitos outros miúdos vão para umas coisas a que chamam “tempos livres”, que de livres têm pouco, onde, frequentemente, se confunde brincar com entreter e, outras vezes, acontece a continuação do trabalho que se faz na fábrica de pessoas, a escola.
Também são encaixados em dezenas de actividades fantásticas, com nomes fantásticos, que promovem competências fantásticas e fazem um bem fantástico a tudo e mais alguma coisa.
Era bom escutar os miúdos. Se perguntarem aos miúdos, vão ficar a saber que brincar é a actividade mais séria que eles fazem, em que põem tudo o que são, sendo ainda a base de tudo o que virão a ser.
Vem este texto a propósito de uma peça no Público sobre duas empresas que em Portugal produzem brinquedos, um bem de primeira necessidade. Uma mais antiga, a Majora, felizmente recuperada da falência (lá está, brinquedos não são produtos interessantes) que reaparece com muitos dos brinquedos e jogos que acompanharam a infância de muitos de nós.
A outra referência a uma empresa mais moderna, a Science4you, mais voltada para os tempos actuais e para a ligação entre a ciência e os brinquedos.
Num clima em que o tempo para brincar vai rareando importa sublinhar a importância dos brinquedos.
O brincar da infância vai-se encurtando, algum dia os miúdos vão nascer crescidos para já não precisarem de brincar.
No entanto, como sempre digo, brincar é a coisa mais séria que as crianças fazem. No brincar põem tudo o que são, sendo ainda a base de tudo o que vão ser.

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