Merece leitura o texto de Paulo Guinote no DN, “Enshittification”. Aborda um aspecto crítico do mundo do deslumbramento digital, o PMR, Processo de Merdificação em Curso. Umas notas.
Como é sabido, as nossas
políticas públicas têm como desígnio, gosto muito desta ideia do desígnio, a
transição digital. Os caminhos que nos levarão ao futuro serão as estradas
digitais e os algoritmos. Como tal, em todas as áreas do funcionamento das comunidades
estamos em plena conversão ao digital e, naturalmente, à inteligência
artificial.
É verdade que vamos tendo, como
não podia deixar de ser, sobressaltos. Nascem plataformas como cogumelos.
Felizmente, o parque informático das escolas e qualidade do acesso à net são de
excelente nível e, portanto, temos um sistema bem preparado para o
deslumbramento digital. O problema é que, com demasiada frequência, o
terrorismo platafórmico que é contra o desenvolvimento e o futuro, desencadeia
acções que deixam as nossas plataformas em dificuldades, mas nada que nos
atrapalhe, para o digital a todo o vapor.
Na abertura da recente Websummit,
Gonçalo Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado prometeu a cada aluno
um tutor de inteligência artificial, que, de acordo com o Ministro da Educação
“ouve, orienta e inspira a aprendizagem”. Presumo que os professores, na sua
esmagadora maioria, estarão particularmente entusiasmados com os seus novos
ajudantes ou, quiçá, novos colegas que minimizarão o efeito da falta de
docentes e até, numa espécie de dois em um, dos custos da sua formação.
Este é o mundo da “enshittification’.
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