sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

DO ABANDONO ESCOLAR

 

Leio no Público que, conforme já acontece em boa parte dos países europeus, a Direcção-Geral de Estatística da Educação está a desenvolver uma ferramenta com o objectivo de avaliar e construir uma informação mais robusta sobre o abandono escolar.

Pretende-se construir informação que permita o acompanhamento próximo do aluno e das escolas, identificando perfis de risco ou preditores de abandono que possibilitarão o desenvolvimento de intervenções oportunas prevenido e combatendo o abandono escolar. Já agora é de desejar que o dispositivo a estruturar não seja mais um contributo para a burocracia platafórmica. Se assim for não ficará doa lado da solução, mas do problema. 

Manter-se-á ainda o actual modelo que envolve o INE e a construção de dados sobre abandono no quadro do Eurostat.

Assim enunciado parece-me um passo positivo.

Sabemos que os dados do abandono escolar construídos pelo INE têm vindo a mostrar um abaixamento que se regista, mas importa não esquecer o caderno de encargos que ainda continuamos a ter pela frente, pois sendo importante que os alunos não abandonem, ainda precisamos de assegurar que a sua continuidade tem sucesso. 

Temos indicadores que mostram que muitos alunos, estando “ligados” à máquina educativa, ainda lutam, por razões diversas, por uma trajectória bem-sucedida e importa que cumprir a escolaridade signifique mesmo percursos escolares promotores de competências e capacidades.

Só assim se promove a construção de projectos de vida viáveis, que proporcionem realização pessoal e sejam base do desenvolvimento das comunidades.

Neste caminho é fundamental que a qualidade dos processos educativos e que a existência de dispositivos de apoio competentes e suficientes às dificuldades de alunos e professores na generalidade das comunidades educativas seja uma opção clara pois é uma ferramenta imprescindível à minimização do insucesso e abandono.

Por outro lado, importa não perder de vista a população que abandona e que está em alto risco de que tal aconteça. Neste sentido é fundamental que a oferta de trajectos diferenciados de formação e qualificação ou as iniciativas anunciadas no âmbito do ensino superior tenham os meios necessários e se resista à tentação do trabalho para a “estatística”, confundindo certificar com qualificar.

Como há pouco escrevia, apesar dos indicadores de progresso é necessário insistir, merecemos e precisamos de mais e melhor sucesso e qualificação e menos abandono e exclusão.

A ferramenta agora anunciada pode ser um contributo.

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