Foram finalmente divulgados os resultados das Provas ModA. O MECI, como sempre, entende que o facto de apenas agora serem conhecidos, não é relevante. Nada de novo, o funcionamento em modo enguia é assim. Algumas notas registando as discretas referências na comunicação.
Em síntese, considerado os dados
do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (Eduqa) e em comparação com a
edição anterior, (sempre prudente dada a natureza das provas) no 4.º e 6.º ano
verificou-se uma ligeira subida a Matemática. No que respeita ao Português e
tendo em conta as dimensões avaliadas, verifica-se uma ligeira subida na
produção de textos, no 4.º ano, a média passou de 47,4 para 50 pontos e no 6.º
ano subiu de 45 para 47,9 pontos. Na compreensão de textos, verificou -se um
abaixamento no 4.º ano, de 53,7 para 51,8 e de 51,4 para 49,5 pontos no 6.º.
Globalmente verifica-se uma ligeira subida, de 51,4 para 51,7 pontos no 4.º ano
e de 48,6 para 49,4 pontos no 6.º.
Uma nota para a subida em PLNM. Na
interacção e produção de enunciados escritos aumentou de 43,3 para 55,4 pontos
e na interacção e produção oral, subiu de 46,6 para 52 pontos.
Estranhamente, ou talvez não, estes
resultados não suscitam grandes comentário na imprensa. Sobretudo, considerando a tempestade
dos exames nacionais e dos resultados do PISA, em que se procuraram com afinco
definir responsáveis que, evidentemente, raramente assumem e os especialistas,
tudólogos e palpitólogos a perorar,
quase sempre com agendas implícitas, mas sempre, sempre, em nome da ciência e das
leituras à medida.
Continuo a pensar que sem assumir
a necessidade e urgência de ajustamento nas políticas públicas, designadamente,
de educação e sociais dificilmente teremos
alterações significativas.
É essencial promover e tornar
acessíveis a alunos, professores e famílias apoios e recursos adequados e
competentes a minimizar o risco de insucesso.
É claro que mudanças estruturais
têm custos pelo que será de considerar a necessidade de investimento sério em
educação, 6% do Produto Interno Bruto o que está definido pela UNESCO como meta
para 2030. Talvez a aposta na Defesa condicione a aposta no futuro, a educação.
É crítica a necessidade de uma
política que atraia novos docentes com um modelo de carreira valorizada, justa
e atractiva.
É imprescindível é dotar as
escolas de forma continua e estável dos recursos necessários para minimizar
tanto e tão rápido quanto possível as dificuldades que identificam.
É necessário promover a
desburocratização asfixiante e reflectir sobre modelos de governança das
escolas mais adequados, competentes e participados.
Com real autonomia, com mais
recursos e com modelos organizativos, incluindo a governança, mais adequados e
desburocratizados as escolas poderiam certamente fazer mais e melhor. que quem
vem de fora numa passagem transitória, mais ou menos longa, mas transitória.
Sim, tudo isto deveria ser objecto de escrutínio, regulação e avaliação também
externa, naturalmente.
Escolas com mais auxiliares,
auxiliares informados e formados podem ter um papel importante em diferentes
domínios.
Directores de turma com mais
tempo para os alunos e professores com menos alunos poderiam desenvolver
trabalho útil em múltiplos aspectos do comportamento e da aprendizagem.
Psicólogos e outros técnicos em
número mais adequado poderiam acompanhar, promover e desenvolver múltiplas
acções de apoio a alunos, professores, técnicos e pais.
Mediadores que promovessem
iniciativas no âmbito da relação entre escola, pais e comunidade seriam, a
experiência mostra-o, um investimento com retorno. Repetindo e sintetizando, os
professores sabem como avaliar e identificar as dificuldades dos alunos.
Uma nota final para sublinhar a
necessidade de estabilização curricular e da questão da avaliação e percurso
escolar dos alunos e reafirmar a importância da avaliação externa como
reguladora do trabalho realizado.
É este o desafio que enfrentam as
políticas públicas de diferentes sectores.
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