Como é sabido, as nossas políticas públicas têm como desígnio, gosto muito desta ideia do desígnio, a transição digital. Os caminhos que nos levarão ao futuro serão as estradas digitais e os algoritmos. Como tal, em todas as áreas do funcionamento das comunidades estamos em plena conversão ao digital e, naturalmente, à inteligência artificial.
O Ministro Adjunto e da Reforma
de Estado, o hiperactivo e hipercompetente, (não existirá o termo, mas fica a
ideia) Gonçalo Matias, esteve numa audição no Parlamento em que elogiou,
claro, o incontornável "ímpeto reformista" do Governo e sublinhou que não trazia anúncios “por já
estar tudo em curso”. Não é coisa para ficarmos descansados até porque reconheceu
alguns problemas com a digitalização dos exames.
Na verdade, a reforma está em
andamento, reduzem-se ou extinguem-se serviços e recursos e nascem plataformas
como cogumelos.
Felizmente, no que toca à
educação, o parque informático das escolas e qualidade do acesso à net são de
excelente nível e, portanto, temos um sistema bem preparado para o
deslumbramento digital. O problema é que, com demasiada frequência, o
terrorismo platafórmico que é contra o desenvolvimento e o futuro, desencadeia
acções que deixam as nossas plataformas em dificuldades, mas nada que nos
atrapalhe, para o digital a todo o vapor.
Não esqueço também que na última Websummit, Gonçalo Matias, prometeu a cada aluno um tutor de inteligência artificial, que, de acordo com o Ministro da Educação “ouve, orienta e inspira a aprendizagem”. Presumo que os professores, na sua esmagadora maioria, estarão particularmente entusiasmados com os seus novos ajudantes ou, quiçá, novos colegas que minimizarão o efeito da falta de docentes e até, numa espécie de dois em um, dos custos da sua formação. É de uma sagacidade e competência notáveis.´
As centenas
de turmas sem professor e as outras tantas com o efectivo de turma aumentado, terão certamente a situação alterada, estarão aí a chegar os tutores de inteligência artificial. Genial.
Claro que o MECI mantém a sua actuação
“low profile” distribuindo responsabilidades e cavalgando o mantra da pandemia “vai
correr bem”.
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