quarta-feira, 9 de setembro de 2026

DA IRRESPONSABILIDADE

 Estamos à beira do início do ano lectivo e, lê-se no Expresso, é muito provável que venham a existir mais turmas sem professores a todas as disciplinas que no ano passado. A agenda da educação está agora entretida com a definição de responsabilidades pelos resultados do PISA 25 pelo que o “pormenor” de muitos alunos não terem professores a todas as disciplinas já não parece ser “notícia” que inquiete, é um novo normal.

A verdade é que há décadas que a falta de docentes estava escrita nas estrelas e sucessivas equipas ministeriais, para além de más políticas públicas que afastaram milhares de professores das escolas e ainda negavam a evidência e ouvimos o mantra dos “professores a mais”. O então Primeiro-ministro Passos Coelho convidava os “professores a mais” a emigrar (entrevista ao CM em 18/12/11) e Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato foram dois exemplos de incompetência e irresponsabilidade nesta matéria e nem um rasgo de seriedade na assunção do que é óbvio, falharam. Nuno Crato, com a devida autoridade, entretém-se ainda a distribuir responsabilidades, por exemplo, relativamente aos resultados do PISA 25. Nada de novo, é gente com muito “jogo de cintura” e pouca espinha.

O resultado está à vista, o atropelo a um direito fundamental, o direito à educação, e o desempenho escolar de muitos alunos prejudicado pala falta de docentes.

As famílias com mais recursos recorrem ao ensino privado ou a explicações externas, as outras … lamentam.

A questão é que cada vez se torna mais difícil falar de responsabilidade. Entrámos no mundo da irresponsabilidade.

Com que preço? Pago por quem?

E não acontece nada?

É uma questão muito séria, mas lembrei-me de uma anedota que se contava quando eu era miúdo. Na inauguração de uma ponte esta desabou. Seguiu-se o normal inquérito no qual foram interrogados muitos intervenientes e também os materiais, quando perguntaram ao ferro se sabia de algum problema, a resposta foi "eu?!!, nem sequer lá estava".

É verdade, esta gente nunca lá esteve.


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