Estamos à beira do início do ano lectivo e, lê-se no Expresso, é muito provável que venham a existir mais turmas sem professores a todas as disciplinas que no ano passado. A agenda da educação está agora entretida com a definição de responsabilidades pelos resultados do PISA 25 pelo que o “pormenor” de muitos alunos não terem professores a todas as disciplinas já não parece ser “notícia” que inquiete, é um novo normal.
A verdade é que há décadas que a
falta de docentes estava escrita nas estrelas e sucessivas equipas
ministeriais, para além de más políticas públicas que afastaram milhares de
professores das escolas e ainda negavam a evidência e ouvimos o mantra dos
“professores a mais”. O então Primeiro-ministro Passos Coelho convidava os “professores
a mais” a emigrar (entrevista ao CM em 18/12/11) e Maria de Lurdes Rodrigues e
Nuno Crato foram dois exemplos de incompetência e irresponsabilidade nesta
matéria e nem um rasgo de seriedade na assunção do que é óbvio, falharam. Nuno
Crato, com a devida autoridade, entretém-se ainda a distribuir responsabilidades,
por exemplo, relativamente aos resultados do PISA 25. Nada de novo, é gente com
muito “jogo de cintura” e pouca espinha.
O resultado está à vista, o
atropelo a um direito fundamental, o direito à educação, e o desempenho escolar
de muitos alunos prejudicado pala falta de docentes.
As famílias com mais recursos
recorrem ao ensino privado ou a explicações externas, as outras … lamentam.
A questão é que cada vez se torna
mais difícil falar de responsabilidade. Entrámos no mundo da
irresponsabilidade.
Com que preço? Pago por quem?
E não acontece nada?
É uma questão muito séria, mas
lembrei-me de uma anedota que se contava quando eu era miúdo. Na inauguração de
uma ponte esta desabou. Seguiu-se o normal inquérito no qual foram interrogados
muitos intervenientes e também os materiais, quando perguntaram ao ferro se
sabia de algum problema, a resposta foi "eu?!!, nem sequer lá
estava".
É verdade, esta gente nunca lá
esteve.
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