segunda-feira, 2 de março de 2026

É MAU DEMAIS

 Foi com alguma perplexidade que li a peça do Público sobre a realização em muitas escolas de iniciativas promovidas pelos alunos com a participação de “influencers” que fazem da sua intervenção uma “performance” promovendo a sexualização dos alunos espectadores e potenciais clientes de um negócio a correr nas inevitáveis redes sociais.

É mau demais.  Lembrei-me de Sá de Miranda, "M'espanto às vezes, outras m'avergonho".

O mundo está completamente às avessas.

Isto não tem rigorosamente a ver com a relação da escola com a comunidade.

Isto não tem rigorosamente a ver com a promoção e incentivo da autonomia dos alunos.

Isto não tem rigorosamente a ver com competência e responsabilidade da direcção de uma escola ou agrupamento.

Isto não tem rigorosamente a ver com divertimento e festa.

Isto não tem rigorosamente a ver com o apoio a projectos dos alunos.

Isto não tem a ver com cidadania e valores.

Isto não tem rigorosamente a ver com Educação.

Isto … não pode acontecer.

domingo, 1 de março de 2026

DA BARBÁRIE

 Já faltam as palavras para falar do horror e da barbaridade que vão acontecendo. Sei também da inutilidade deste texto, ainda assim aqui fica.

A mediocridade das lideranças actuais da generalidade dos países e de entidades que põem e dispõem no xadrez do poder mundial e de tantos outros subservientes e submissos que, em muitos casos, de pessoas não sabe nem quer saber, permite, sem um sobressalto e com palavras e acções que de inócuas são um insulto, que se assista à barbaridade que as imagens, os relatos, mostram e o muito que se imagina, mas não se vê.

Morre gente inocente, milhares de vidas destruídas, a barbaridade estende-se, o horror é imenso e, por vezes, nem a retórica da condenação ou uma afirmação de solidariedade é convincente e muitos menos é eficaz, evidentemente. Apesar da história, também é ainda possível assistir ao branqueamento patético do horror.

A questão é séria, os ventos sempre semeiam tempestades e as tempestades num mundo global não ficam confinadas nos epicentros.

Não existe terror mau e terror bom. Não existe horror mau e horror bom. Não existe terrorismo bom e terrorismo mau, não existe democracia sem direitos humanos.

Como é possível que tal horror aconteça? Como explicar a guerra aos meus netos?