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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

A PROPÓSITO DAS PROVAS ModA

 Foram finalmente divulgados os resultados das Provas ModA. O MECI, como sempre, entende que o facto de apenas agora serem conhecidos, não é relevante. Nada de novo, o funcionamento em modo enguia é assim. Algumas notas registando as discretas referências na comunicação.

Em síntese, considerado os dados do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (Eduqa) e em comparação com a edição anterior, (sempre prudente dada a natureza das provas) no 4.º e 6.º ano verificou-se uma ligeira subida a Matemática. No que respeita ao Português e tendo em conta as dimensões avaliadas, verifica-se uma ligeira subida na produção de textos, no 4.º ano, a média passou de 47,4 para 50 pontos e no 6.º ano subiu de 45 para 47,9 pontos. Na compreensão de textos, verificou -se um abaixamento no 4.º ano, de 53,7 para 51,8 e de 51,4 para 49,5 pontos no 6.º. Globalmente verifica-se uma ligeira subida, de 51,4 para 51,7 pontos no 4.º ano e de 48,6 para 49,4 pontos no 6.º.

Uma nota para a subida em PLNM. Na interacção e produção de enunciados escritos aumentou de 43,3 para 55,4 pontos e na interacção e produção oral, subiu de 46,6 para 52 pontos.

Estranhamente, ou talvez não, estes resultados não suscitam grandes comentário na imprensa. Sobretudo, considerando a tempestade dos exames nacionais e dos resultados do PISA, em que se procuraram com afinco definir responsáveis que, evidentemente, raramente assumem e os especialistas, tudólogos e palpitólogos  a perorar, quase sempre com agendas implícitas, mas sempre, sempre, em nome da ciência e das leituras à medida.

Continuo a pensar que sem assumir a necessidade e urgência de ajustamento nas políticas públicas, designadamente, de educação e sociais dificilmente teremos alterações significativas.

É essencial promover e tornar acessíveis a alunos, professores e famílias apoios e recursos adequados e competentes a minimizar o risco de insucesso.

É claro que mudanças estruturais têm custos pelo que será de considerar a necessidade de investimento sério em educação, 6% do Produto Interno Bruto o que está definido pela UNESCO como meta para 2030. Talvez a aposta na Defesa condicione a aposta no futuro, a educação.

É crítica a necessidade de uma política que atraia novos docentes com um modelo de carreira valorizada, justa e atractiva.

É imprescindível é dotar as escolas de forma continua e estável dos recursos necessários para minimizar tanto e tão rápido quanto possível as dificuldades que identificam.

É necessário promover a desburocratização asfixiante e reflectir sobre modelos de governança das escolas mais adequados, competentes e participados.

Com real autonomia, com mais recursos e com modelos organizativos, incluindo a governança, mais adequados e desburocratizados as escolas poderiam certamente fazer mais e melhor. que quem vem de fora numa passagem transitória, mais ou menos longa, mas transitória. Sim, tudo isto deveria ser objecto de escrutínio, regulação e avaliação também externa, naturalmente.

Escolas com mais auxiliares, auxiliares informados e formados podem ter um papel importante em diferentes domínios.

Directores de turma com mais tempo para os alunos e professores com menos alunos poderiam desenvolver trabalho útil em múltiplos aspectos do comportamento e da aprendizagem.

Psicólogos e outros técnicos em número mais adequado poderiam acompanhar, promover e desenvolver múltiplas acções de apoio a alunos, professores, técnicos e pais.

Mediadores que promovessem iniciativas no âmbito da relação entre escola, pais e comunidade seriam, a experiência mostra-o, um investimento com retorno. Repetindo e sintetizando, os professores sabem como avaliar e identificar as dificuldades dos alunos.

Uma nota final para sublinhar a necessidade de estabilização curricular e da questão da avaliação e percurso escolar dos alunos e reafirmar a importância da avaliação externa como reguladora do trabalho realizado.

É este o desafio que enfrentam as políticas públicas de diferentes sectores.

Em nome do futuro, não podem falhar, repito, não podemos falhar.

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