quarta-feira, 21 de outubro de 2026

MAIS DOIS PROJECTOS

 Recebi um mail de divulgação em que se anunciavam mais dois projectos dirigidos à escola. Citando a introdução:

“Lisboa, 20 de outubro de 2026 - A Nova SBE e a Fundação Pedro Queiroz Pereira reforçam a parceria na área da educação através de dois novos projetos: um programa intensivo de liderança para Diretores Escolares de todo o país e a criação de um laboratório de melhoria das práticas pedagógicas em sala de aula com recurso a inteligência artificial. As duas entidades reforçam assim em conjunto o compromisso com o futuro da Educação em Portugal, unindo conhecimento académico, investigação aplicada e intervenção concreta para responder a alguns dos principais desafios enfrentados pelas Escolas, pelos Professores e pelos Diretores Escolares.

Liderança Escolar

O PRISMA — Programa de Liderança Escolares, desenvolvido pelo Centro de Economia da Educação da Nova SBE, desafiará 200 Diretores de Escolas Públicas do ensino básico e secundário para uma semana imersiva com o objetivo de reforçar as competências exigidas a um diretor escolar e proporcionar a cada participante a oportunidade de refletir sobre a sua visão estratégica para a escola.

Inovação Pedagógica com recurso a IA

O Laboratório de inovação pedagógica, desenvolvido pelo Digital Data Design Institute da Nova SBE e da NOVA Medical School, irá explorar o potencial dos dados e da inteligência artificial com o objetivo de apoiar professores e alunos e contribuir para a inovação e evolução das práticas de ensino em ambiente de sala de aula.”

Algumas notas já aqui repetidas a propósito da chuva de projectos que vai tombando sobre as escolas.

Sempre recordo José Afonso, “seja bem-vindo quem vier por bem”, e registo e saúdo todas as iniciativas que possam contribuir para minimizar ou erradicar problemas ou dificuldades, mas já me falta convicção no impacto do modelo frequentemente seguido.

Para cada constrangimento ou dificuldade percebida nas e pelas escolas ou "porque parece útil", com regularidade, aparece vindo de fora ou gerido de fora, um Plano, um Projecto, um Programa, uma Iniciativa, as combinações são múltiplas, destinado a essa problemática.

Com demasiada frequência muitos destes projectos vêm de fora das escolas, as origens são variadas, não chegam a envolver a gente das escolas, esmagada pelo trabalho, burocracia e outros constrangimentos como, por exemplo, assegurar da melhor forma possível o dia-a-dia do trabalho educativo que tem de ser realizado.

Também com demasiada frequência muitos destes projectos morrem de “morte matada” ou de “morte morrida”, não são avaliados de forma robusta e dão umas fotografias ou vídeos que compõem o portfólio dos organizadores e proporcionam uma experiência que se deseja positiva aos intervenientes no tempo que durou, mas sem impacto significativo na comunidade.

Todavia, também é preciso reconhecer que muitos destes Planos, Projectos, Inovações, etc. dão origem a trabalhos notáveis que, também com frequência, não têm a divulgação e reconhecimento que todos os envolvidos mereceriam. Fico satisfeito com isto, mas …e os outros?

Também demasiadas vezes estas iniciativas consomem recursos com baixo retorno e ao serviço de múltiplas agendas.

Na verdade, a “Projectite”, sobretudo vinda de fora, é uma opção com pouco potencial apesar, insisto, das boas experiências que felizmente também existem e que desejo a todos.

A escola não consegue fazer tudo, mas as políticas públicas não são só escola e os projectos de vida bem-sucedidos para cada criança desenvolvem-se e assentam na diversidade, competência e coerência das políticas públicas de diversas áreas e dos objectivos que pretendem atingir.

É “só” isso que falta e fazer melhor não é uma impossibilidade.

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