segunda-feira, 3 de agosto de 2026

A COISIFICAÇÃO DAS PESSOAS

 No aeroporto Humberto Delgado as autoridades detectaram uma criança de doze anos que que estaria em viagem para França onde seria obrigada a casar para pagar uma dívida de família. Uma situação dramática que, felizmente, não se concretizou. i

Este negócio, o tráfico de pessoas, designadamente dos grupos mais vulneráveis como as crianças, um dos mais florescentes e rentáveis em termos mundiais, alimenta-se da vulnerabilidade social, da pobreza e da exclusão o que, como sempre, recoloca a imperiosa necessidade de repensar modelos de desenvolvimento económico que promovam, de facto, o combate à pobreza e, caso evidente também em Portugal, às escandalosas assimetrias na distribuição da riqueza.

As pessoas, muitas pessoas, apenas possuem como bem, a sua própria pessoa, o seu corpo, e o mercado aproveita tudo, por isso, compra e vende as pessoas dando-lhe a utilidade que as circunstâncias, a idade, e as necessidades de "consumo" exigirem.

O que parece ainda mais inquietante é o manto de silêncio e negligência, quando não cumplicidade, que frequentemente cai sobre este drama tornando transparentes as situações de escravatura e abusos, não se vêem, não se querem ver.

Neste universo não conseguimos ouvir o coro dos escravos, não têm voz, são coisas.

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