No aeroporto Humberto Delgado as autoridades detectaram uma criança de doze anos que que estaria em viagem para França onde seria obrigada a casar para pagar uma dívida de família. Uma situação dramática que, felizmente, não se concretizou. i
Este negócio, o tráfico de
pessoas, designadamente dos grupos mais vulneráveis como as crianças, um dos
mais florescentes e rentáveis em termos mundiais, alimenta-se da
vulnerabilidade social, da pobreza e da exclusão o que, como sempre, recoloca a
imperiosa necessidade de repensar modelos de desenvolvimento económico que
promovam, de facto, o combate à pobreza e, caso evidente também em Portugal, às
escandalosas assimetrias na distribuição da riqueza.
As pessoas, muitas pessoas,
apenas possuem como bem, a sua própria pessoa, o seu corpo, e o mercado
aproveita tudo, por isso, compra e vende as pessoas dando-lhe a utilidade que
as circunstâncias, a idade, e as necessidades de "consumo" exigirem.
O que parece ainda mais
inquietante é o manto de silêncio e negligência, quando não cumplicidade, que
frequentemente cai sobre este drama tornando transparentes as situações de
escravatura e abusos, não se vêem, não se querem ver.
Neste universo não conseguimos
ouvir o coro dos escravos, não têm voz, são coisas.
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