domingo, 17 de janeiro de 2016

DAS PRESIDENCIAIS. ASSIM ESTÁ MAIS CLARO

Contrariamente ao que Marcelo Rebelo de Sousa pretendia da sua empenhada tentativa de se distanciar da cumplicidade política com Passos Coelho e as políticas recentes, este veio apelar explicitamente ao voto em Marcelo que se apressou a minimizar o recado.
Na verdade. Passos Coelho aproveitou a campanha em S. João da Madeira para, num presente envenenado, recolocar Marcelo Rebelo de Sousa no alinhamento partidário de que desesperadamente procura libertar-se.
No entanto, a intervenção de Passos Coelho traz uma maior clareza e tira o tapete aos discursos de Marcelo Rebelo de Sousa que tudo e todos procura seduzir através de retóricas inconsequentes e vazias.
No mesmo sentido, clareza, recupero a entrevista elucidativa de Marcelo Rebelo de Sousa ao Observador em que afirma, cito, agora, “Tenho que pensar 2 vezes, 3 vezes, 4 vezes, 5 vezes naquilo que devo dizer”.
Esta afirmação é extraordinariamente clarificadora. Marcelo Rebelo de Sousa, uma vez candidato, não pode agir e falar da forma como durante muitos anos realizava o seu mediático número de “análise política” e de oráculo.
Agora a coisa “fia mais fino”, o discurso tem que ser pensado, tem de ser adaptado à caça ao voto, tem que dizer o que em cada circunstância e de acordo com quem ouve pareça ser mais rentável para amealhar mais uns votinhos. Dito de outra forma e recorrendo à imagem criada por Passos Coelho, antes de falar é preciso ver de que lado está o vento e então pronunciar-se-
Todo este cenário contrasta com a campanha de Sampaio da Nóvoa. Desde o início, ainda sem apoios declarados a uma candidatura que “emerge da cidadania”, apresentou uma Carta de Princípios clara, sólida e abrangente em que estabelece uma visão para Portugal no exercício das funções de Presidente da República. O seu trajecto tem sido a defesa consequente dessa Carta de Princípios, das causas que contém e que balizam a sua estrada.
Não ziguezagueia em função de circunstâncias, audiências ou tácticas.
Será um Presidente novo para um tempo novo.
Vai ser difícil mas tem de ser possível.

OS DIAS DO ALENTEJO. QUARTO MINGUANTE

Este fim de semana no Monte foi tempo de limpeza de árvores, as romaneiras estavam mesmo a precisar, e de charruar umas leiras de terra.
Temos de preparar a terra para o cebolo informou logo à chegada o Mestre Zé Marrafa. Para a semana é Lua Cheia e logo a seguir o Quarto Minguante.
E o cebolo deve ser semeado no Quarto Minguante e depois de nascido também deve ser plantado no Quarto Minguante. É assim que temos boas cebolas diziam os antigos e o Mestre Marrafa também diz que assim é.
E eu acredito no Mestre Marrafa, ainda não me decepcionou. A terra ficou charruada para receber a horta, leva uma passagem de escarificador para a semana e no Quarto Minguante fazem-se os criadores para a semente do cebolo.
São assim os dias no Monte. Lá no Alentejo.

sábado, 16 de janeiro de 2016

DAS PRESIDENCIAIS. A ENTREVISTA DE SAMPAIO DA NÓVOA E O "DIRTY WORK" DE CÂNDIDO FERREIRA

A entrevista de Sampaio da Nóvoa ao Público é um documento importante no estado actual da tóxica campanha eleitoral em desenvolvimento.
Em termos gerais creio que ficam bem claras as razões para entender que Sampaio da Nóvoa é o presidente certo mas este tempo que vivemos e para o próximo futuro.
Fica também claro que a sua visão para Portugal e os Portugueses está bem para lá da retórica do "cumprimento da Constituição". Como já afirmei acho pobre e vazio esta argumento. O cumprimento da Constituição é a base que sustenta qualquer candidatura à presidência da República Portuguesa, Quem for eleito jurará cumpri-la. 
É também verdade que com a mesma Constituição e sempre dentro do seu cumprimento se realizaram políticas bem diferentes e diferentes Presidentes fizeram leituras diferentes da mesma Constituição que juraram cumprir e cumpriram, formalmente.
Assim, é importante que Sampaio da Nóvoa explicite o que, no cumprimento óbvio da Constituição e das competências que estão atribuídas à Presidência, pensa e procurará realizar tendo como objectivo o último o bem-estar e o desenvolvimento de Portugal e dos portugueses.
A entrevista permite perceber justamente essa visão e a forma como exercerá a função de Presidente da República o que espero e tenho a convicção de que sendo difícil é possível, tem de ser possível.
Uma nota que tive dúvidas em escrever para registar nova iniciativa de uma figura menor, Cândido Ferreira,  que insiste numa espécie de "dirty work".
Lembram-se que há alguns dias pediu em carta aberta a Sampaio da Nóvoa que desistisse por razões como "inexperiência política", "impressionante desconhecimento do país”, “não merece o lugar”, “ter aberto o caminho a uma vitória fácil da direita” “derrota certa nos debates quando confrontado com as suas tremendas fragilidades e contradições”, “pôr os seus interesses pessoais à frente de tudo”, “extremismo das posições políticas”. Seria risível se não fosse mais um exemplo do nível tóxico desta campanha.
Agora lançou uma disparatada dúvida sobre o currículo académico de Sampaio da Nóvoa. Num país dado a relvices e outra trafulhices e com a ajuda prestimosa do aparelho de intoxicação preparado, não só na imprensa mas também nas redes sociais, a coisa vai fazendo o seu caminho e cumprindo os tão claros quanto negros objectivos desta campanha tóxica.
Como na altura referi, de quem será a mão que Cândido Ferreira irá lamber e lhe fará umas festas na cabeça por ter realizado estas tarefas? 
Não se trata evidentemente do papel do “idiota útil”. Pode ser útil aos tais objectivos que são claros na percepção e escuros na ética e na democracia mas não é idiota, é “apenas” mediocridade ética e má formação cívica.

DA SÉRIE A ARROGÂNCIA DA IGNORÂNCIA. Em modo VPV

É forte, em poucos dias ter que levar com a prosa de Guilherme Valente, José Manuel Fernandes e hoje Vasco Pulido Valente sobre as mudanças em educação, designadamente, no sistema de avaliação do Ensino Básico.
Na sua cátedra do Público, VPV um Sábio que está congelado algures ente o século XIX e o início do século XX tem assumido uma cruzada no sentido, impossível é claro, de educar o indigenato demasiado estúpido e ignorante que ... somos nós. 
Na primeira das suas duas aulas semanais, o Sábio afirma que o ME veio "virar do avesso" o sistema de ensino que encontrou. E depois, claro, sustenta a sua "tese" com as habituais referências históricas que dão, supostamente, um carácter erudito a um entendimento que não passa de um achismo ignorante, preconceituoso e, evidentemente, dentro da agenda ideológica que é nítida apesar das máscaras.
Como já afirmei, as alterações verificadas têm virtualidades mas não são perfeitas e alguns aspectos merecem, aliás, sérias reservas sendo que matérias importantes como apoios a alunos e professores, conteúdos e organização curricular, autonomia das escolas, dimensão de turma e das escolas para evitar os mega-problemas criados pelos mega-agrupamentos, são apenas algumas das dimensões que exigem reflexão e ajustamentos.
No entanto, VPV, apesar da sua vasta e profunda obra sobre o "sistema de ensino" mostra um total desconhecimento do que é a educação no ensino básico e secundário e num exercício de arrogância consentido pela ignorância perora sobre o "virar do avesso" de um "sistema de ensino" que tinha encontrado alguma "estabilidade". Estabilidade?! Qual? Em quê? Com que efeitos?
Não há pachorra.
Como declaração de interesses renovo a afirmação de que, sem particular contentamento, não tenho de há muito qualquer fidelização partidária e que tudo o que afirmo se inscreve no que, com base no que sei e penso, me parece ser um caminho de qualidade na educação para todos, sublinho, para todos. Também sei que tudo pode ser discutível e é assim que deve ser.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A CIÊNCIA EM CONSTRUÇÃO

Mais de 500 projectos de ciência para serem desenvolvidos nas escolas

Há vida, ciência, para lá do currículo.

DA SÉRIE A ARROGÂNCIA DA IGNORÂNCIA

O famoso tudólogo José Manuel Fernandes que tem a educação como uma das suas mais vastas e reconhecidas áreas de saber, instalado no seu "speaker's corner" do Obervador vociferou ferozmente contra as alterações no sistema de avaliação do ensino básico. Não compreende porque não quer a natureza das alterações que, aliás, aumentam o número de momentos e conteúdos no âmbito da avaliação externa apesar de conterem alguns aspectos que merecem reserva e prudência.
Primeiro, a insistência na retórica do "facilitismo", JMF nunca será capaz de compreender que entender que a existência de exames, só por si, promove a qualidade é que é uma atitude facilitista e barata. Depois, a notável descoberta de que com estas alterações se presta um serviço ao grupo de bandidos, delinquentes, energúmenos e calaceiros que são os professores, os do ensino público sobretudo, porque os do ensino privado devem comportar-se como empregados servis e obedientes . Não podem andar por aí armados em contestatários. Aliás se assim for ... há muitos professores desempregados e os mais novos são mais baratos, portanto, não levantem ondas.
Reage mal, tal como Guilherme Valente, às mudanças que alteram o legado do seu ídolo Nuno Crato que nesta matéria constitui, comprovadamente, uma receita errada. É claro que a argumentação e a evidência que o demonstram são desvalorizadas, consideradas erradas por este pessoal que só entende como bons os relatórios e estudos que lhes suportam as teses.
No fundo, a arrogância da ignorância, alguma desonestidade intelectual e, fundamentalmente, uma agenda política que José Manuel Fernandes sempre foi vendendo e agora mais claramente no "speaker's corner" do Observador.

O PRIMEIRO CIGARRO

O DN tem hoje uma peça muito curiosa sobre as memórias nostálgicas de um tempo “socialmente incorrecto” em que se fumavam cigarros com uma enorme carga de nicotina e de marcas já desaparecidas ou em vias disso. Algumas dessas marcas adquiram um estatuto de longevidade que não nos deixa esquecer delas. No meu caso foi durante muitos anos o mítico Português Suave sem filtro, nunca gostei de tabaco com filtro. Às vezes também recorria ao tabaco de enrolar.
Já que entrei nas teias da memória deixem-me partilhar a experiência do primeiro cigarro, apenas o primeiro de uma longa, demasiado longa, série.
Naquela idade em que queremos crescer depressa para fingir que crescemos adoptamos comportamentos dos mais crescidos, o cigarro era uma das opções de “aceleração” do crescimento.
Dado que o dinheiro não era muito, aproveitei a boleia do meu primo, apenas com uns meses a mais e que também queria ser crescido, para experimentarmos em conjunto.
A experiência, no que respeita aos recursos envolvidos até ficou barata, nós os dois fornecemos a mão-de-obra e a vontade e o meu primo surripiou da loja do pai um maço para o grande evento.
No dia aprazado, o meu primo aparece com um maço, se não me falha a memória, da marca Sintra que tinha uma novidade, filtro de cristais, isso lembro-me bem e dava um ar mais sofisticado à experiência. Tratava-se agora de escolher o palco. Optámos por nos sentarmos debaixo de um damasqueiro numa quinta perto das nossas casas, naquele tempo havia quintas na zona onde morava. E começámos.
Com muita tosse, caretas, falta de jeito, uma enorme dor de cabeça final e uma sensação de nauseado que não tinha jeito, quase despachámos o maço e quase nos despachámos a nós, tal era o mal-estar.
Quando voltámos, meio enjoados e com um fardo enorme aos ombros, vínhamos a pensar que se calhar não sabíamos fumar, porque as pessoas que fumavam pareciam gostar e ficar bem e nós estávamos num estado lastimável.
Na verdade, crescer não é fácil, dá algumas dores e embaraços. Eu que sou um tipo persistente e queria mesmo crescer, aprendi a fumar, sempre tabaco sem filtro, o referido Português Suave, e depois o cachimbo. Assim continuei por muitos anos.
Um dia, achei que já não precisava de crescer mais e deixei de fumar.
Às vezes ainda tenho saudades.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A MINHA FILHA TOMA BANHO TODOS OS DIAS

As questões da avaliação escolar estão na agenda. Deixem que partilhem uma pequena história que falta de tempo me leva a recuperar.
Há já alguns anos participei num encontro no qual se discutia a relação entre os pais e a escola, reflectindo-se sobre os nós, os laços e os equívocos que essa relação contém.
A história foi-me contada por um engraçadíssimo professor do 1º ciclo, velhote, seguramente um daqueles que estão sentados, quietos, na memória boa dos seus alunos, sempre a olhar por e para eles.
Dizia então esse Mestre que a Mãe de uma sua aluna olhava indignada para a ficha trimestral de avaliação da filha que acabara de receber e zangada interpelou-o, “O Sr. Professor diz aqui que a minha filha é pouco asseada, mas ela toma banho todos os dias”. A senhora reagia ao “pouco assídua” que estava escrito na ficha.
Pois é, na relação dos pais com a escola, para além dos nós e dos laços, temos equívocos, os da linguagem, os dos papéis, os das responsabilidades e competências que tantas vezes são confundidos com culpa, as políticas educativas que enquadram esta matéria, etc.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

NA BLOGOSFERA - COMREGRAS - DISCUSSÃO DO MÊS PROPOSTA POR PAULO GUINOTE

Dois textos para a participação no Conselho Geral do ComRegras deste mês. Ordem de Trabalhos proposta pelo Paulo Guinote: 
Ponto 1 - Como reanimar as salas de professores 
Ponto 2 - Ensino profissionalizante ou vocacional no ensino básico
Conselho Geral: A Imprescindível Valorização dos Professores | Do Ensino Vocacional – Por José Morgado

Ponto 1 - Como Reanimar as salas de professores.

Os valores, padrões e estilos e vida das famílias alteraram-se significativamente fazendo derivar para a escola, para os professores, parte do papel que competia(e) à família. Este trabalho é realizado, muitas vezes, sem qualquer tipo de apoio ou suporte, com cada professor entregue a si mesmo.
Importa ainda considerar o impacto de variáveis relativas à estabilidade e segurança profissional, bem como os modelos de carreira e progressão. Acrescem ainda questões como a liderança e a autonomia das escolas variáveis importantes na construção de climas positivos nas instituições educativas.
Também deve ser ponderada a deriva política a que o universo da educação tem estado exposto nas últimas décadas, criando instabilidade e ruído permanente sem que se perceba um rumo, um desígnio que potencie o trabalho de alunos, pais e professores. Sucessivas equipas ministeriais têm empreendido um empenhado processo de desvalorização dos professores com impacto evidente nas relações que a comunidade estabelece com estes profissionais
Com muita frequência os professores são injustiçados na apreciações de muita gente que no minuto a seguir à afirmação de uma qualquer ignorante barbaridade, vai, numa espécie de exercício sadomasoquista, entregar os filhos nas mãos daqueles que destrata, depreendendo-se assim que, ou quer mal aos filhos ou desconhece os professores e os seus problemas. Também são conhecidos os casos sucessivos de agressão e insulto por parte de alunos e famílias.
A forma como os miúdos, pequenos e maiores, vêem e se relacionam com os professores está directamente ligada à forma como os adultos os vêem e os discursos que fazem e isto contamina a serenidade do processo de trabalho.
É também imprescindível que a educação e os problemas dos professores não sejam objecto de luta política baixa e desrespeitadora dos interesses dos miúdos, mesmo por parte dos que se assumem como seus representantes.
Na verdade, ser professor é uma das funções mais bonitas do mundo, ver e ajudar os miúdos a ser gente, mas é seguramente uma das mais difíceis e que mais respeito deveria merecer.

Os sistemas educativos com melhores resultados são, justamente, os sistemas em que os professores são mais valorizados, apoiados e reconhecidos.

Ponto 2 - Ensino profissionalizante ou vocacional no ensino básico

Os discursos sobre o chamado ensino vocacional ou ensino profissional têm, do meu ponto de vista, sido contaminados por alguns equívocos.
Estes equívocos estão presentes quando se colocam questões como “sim ou não ao ensino vocacional?”  Esta formulação emergiu de novo com a decisão do actual Governo de finalizar o modelo de ensino vocacional instituído por Nuno Crato no ensino básico defendendo que só no ensino secundário se deve disponibilizar este tipo de oferta educativa.
Como muitas vezes tenho afirmado é fundamental diversificar a oferta formativa, a diferenciação de percursos, de forma a conseguir um objectivo absolutamente central e imprescindível, todos os alunos devem atingir alguma forma de qualificação, única forma de combater a exclusão e responder mais eficazmente à principal característica de qualquer sala de aula actual, a heterogeneidade dos alunos. Aliás, a oferta formativa de natureza profissional a alunos mais velhos, no âmbito do ensino secundário que também está a acontecer, pode ser um passo nesse sentido desde que não canalizado para os "que não servem" para a escola. Esta oferta tem contribuído para baixar os níveis de abandono.
Assim sendo é claro que temos de estruturar percursos de ensino com formação de natureza profissional.
A questão que se coloca é quando deve ser disponibilizada esta oferta e para quem.
Relativamente ao modelo que estava em vigor sempre considerei fortemente discutível, até num plano ético, a introdução desta diferenciação tão cedo, aos 13 anos, e “obrigatória” para os que chumbam. Por outro lado, aos 13 anos, apesar de se remeter a “decisão” para um processo de orientação vocacional que a insuficiência gritante de recursos não permite assegurar, que alunos decidem? Alguém vai decidir por eles.
Poucos sistemas educativos assumem este entendimento e o facto de o ensino alemão, a inspiração de Nuno Crato, colaboradores e admiradores, o admitir não é nenhuma chancela de correcção do modelo como atestam as apreciações internacionais.
Na verdade, Relatórios da OCDE e da UNESCO têm sustentado que a colocação dos alunos com piores resultados escolares em ensino de carácter técnico e vocacional muito cedo em vez da aposta nas aquisições escolares fundamentais, aumenta a desigualdade social.
É verdade e devastador que em Portugal temos cerca de 150 000 alunos que chumbam em cada ano. Temos de responder às causas deste enorme problema mas não podemos mascarar as estatísticas empurrando os “maus” para percursos que “recebem” um rótulo de “segunda” pois são percebidos por parte da comunidade como destinados aos menos dotados.
Por outro lado este tipo de oferta tem de ser adequado às comunidades educativas, voltamos à quase inexistente autonomia das escolas, e dotado dos recursos e meios necessários o que tem estado longe de acontecer.
Julgo que se deve sublinhar que todos os alunos deverão cumprir uma escolaridade de 12 anos, a idade de entrada no mercado de trabalho é aos 16 e isso deve ser considerado no desenho de ofertas formativas que envolvam trabalho em empresas. Aliás, esta questão deve, é uma forte convicção ser considerada quando se trata de alunos com necessidades especiais que ao abrigo de uma coisa chamada CEI são em algumas situações sujeitos a situações inaceitáveis que de educação, formação ou inclusão têm nada, seja em espaço escolar, seja em espaço institucional ou laboral. Também por isto o modelo que estava em vigor parece francamente desajustado e foi generalizado sem que na altura tivesse terminado a sua avaliação.
No modelo que estava em vigor, os alunos com insucesso, estamos a falar, presumo, de gente com capacidades "normais" irão “obrigatoriamente para” o ensino vocacional. Sabe-se que o insucesso escolar é mais prevalente em famílias mais desfavorecidas embora também conheçamos as excepções, muitas. Assim, mantemos a velha ordem, os mais pobres "destinados" preferencialmente para o trabalho manual, os mais favorecidos preferencialmente para o trabalho intelectual como a UNESCO reconhece.
A diferenciação dos percursos, necessária e imprescindível mas, reafirmo, deve surgir mais tarde, disponível para todos os alunos como se verifica na maioria dos sistemas educativos que se preocupam com os miúdos, com todos os miúdos.
Uma nota final para lançar a ideia de que a prazo, de forma bem cautelosa e sustentada se poderia considerar a introdução no 3º ciclo de disciplinas opcionais mais vocacionadas para a aquisição de competências e saberes a desenvolver em formação de natureza mais profissionalizante durante o ensino secundário.

ENSINO PÚBLICO E ENSINO PRIVADO

Na audição de hoje da equipa do ME na Comissão de Educação da Assembleia da República, a Secretária de Estado Alexandra Leitão informou que, lê-se no Expresso, o Ministério da Educação vai avaliar "de forma criteriosa" os contratos celebrados com as escolas privadas para que se não verifiquem financiamentos desnecessários. Para isso “Vamos avaliar de forma criteriosa a necessidade de turmas e a sua validação dentro de cada contrato” sendo que não serão “quebrados de forma abrupta compromissos assumidos”.
Parece-me interessante e um sinal de mudança relativamente à trajectória recente do ME nesta matéria.
São conhecidos múltiplos casos em que estes contratos permitiram subsidiar turmas em comunidades cujas escolas públicas possuem capacidade de resposta para os alunos apesar dos cortes que se foram verificando recursos, docentes e funcionários.
Com o novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo aprovado pela anterior equipa da 5 de Outubro deixou inclusivamente que ser necessário que se verificasse a inexistência de resposta na escola pública para que se celebrassem para o apoio às turmas em instituições privadas.
Trata-se evidente da utilização de recursos públicos para apoios a estruturas privadas em nome da designada "liberdade de escolha" que mais não é que o cumprimento de uma agenda de apoio aos negócios da educação.
Quero sublinhar, como já tenho afirmado, que entendo a existência de um subsistema educativo de ensino privado como uma necessidade para, por um lado permitir alguma liberdade de escolha, ainda que condicionada por parte das famílias e, por outro lado, como forma de pressão sobre a qualidade do ensino público. Também já tenho referido que a chamada liberdade de educação, a escolha livre por parte dos pais dos estabelecimentos, públicos ou privados, em que querem os seus filhos educados no modelo actual do nosso sistema educativo é, do meu ponto de vista, um enorme equívoco nas múltiplas formas como tem sido defendida.
Insisto de há muito que a melhor forma de proteger a liberdade de educação, é uma fortíssima cultura de qualidade, autonomia e exigência na escola pública e uma acção social escolar eficaz e oportuna. Assim teremos mais facilmente boas escolas, públicas ou privadas.
No entanto, tornou-se bem claro que não era esse o entendimento de quem geriu o Me nos últimos anos.
Aguardemos os desenvolvimentos.

AS PRESIDENCIAIS E A CONSTITUIÇÃO

É com alguma curiosidade que assisto nesta campanha eleitoral, tal como já aconteceu durante a pré-campanha, às referências constantes à Constituição e às funções presidenciais.
Boa parte dos discursos centram-se na ideia, óbvia, de que o Presidente não Governa e apenas faz cumprir a Constituição. Parece claro este entendimento e todos os candidatos afirmam e reafirmam o seu respeito pela Constituição que jurarão cumprir.
Este entendimento, mil vezes repetido, promove a perigosa ideia de que o Presidente da República não tem capacidade de intervenção, apenas zela pela Constituição numa tarefa que em boa parte é também do Tribunal Constitucional.
Como a história da nossa democracia demonstra não é exactamente assim. Na verdade, com a mesma Constituição e apesar das revisões verificadas, ao longo de décadas foram levadas a cabo medidas políticas em sentidos absolutamente díspares sem que do ponto de vista formal fossem anticonstitucionais.
Todos conhecemos e sentimos políticas de sentido diferente na área da saúde, da educação, da justiça, administração interna, etc. que conforme o posicionamento ideológico dos sucessivos governos têm vido a ser tomadas e que passam, formalmente insisto, pelo crivo da constitucionalidade. Dito de uma maneira simples e na minha opinião temos tido várias opções políticas que não servem os interesses e o bem-estar dos portugueses mas não foram consideradas inconstitucionais, nem pelo Presidente da República, nem pelo Tribunal Constitucional. Como se recordam, é recente, durante o último Governo PSD/ CDS-PP várias apreciações negativas do TC travaram até medidas políticas mais gravosas e que até, provavelmente seriam aceites por Cavaco Silva.
Serve esta introdução para referir o que me parece ser um equívoco intencionalmente criado. Tendo como referência a Constituição é possível, a história mostra-o, acomodar políticas de sentido bem diferente e até contrário. Nesta perspectiva e como cidadão, não me basta saber que um candidato se propõe cumprir a Constituição, isso é o óbvio. Eu quero saber, preciso de saber, que visão tem para Portugal e para os portugueses pois esse entendimento é que determinará a forma como interpreta a Constituição.
É neste aspecto essencial que julgo existirem tremendas diferenças entre os candidatos que mais votos provavelmente agregarão.
Marcelo Rebelo de Sousa tem defendido ou sido cúmplice de políticas que, sendo cobertas pela Constituição, não são servem a generalidade dos portugueses e do seu bem-estar. Recorde-se o episódio da sua defesa de constitucionalidade a medidas que comprometiam o SNS ou a desvalorização do investimento na escola pública. É claro que no seu registo de enguia malabarista nega o que disse diz que não disse bem isso ou …
Dos discursos de Maria de Belém sinto alguma dificuldade em extrair uma visão que fuja à retórica do cumprimento da Constituição e do “compromisso” e de uma certa visão do que recorrentemente afirma como “economia social” que sendo uma matéria muito importante não se percebe muito bem como a analisa e se situa.
Sampaio da Nóvoa desde a apresentação da Carta de Princípios estabeleceu uma visão clara sobre Portugal e o seu futuro. Identifica um conjunto de causas que balizarão a sua acção e que interpretação apresenta das funções presidenciais e das disposições constitucionais.
É assim que deve ser, exige-se uma postura ideológica transparente, independente dos partidos mas não hostil aos partidos, sustentada na cidadania e na participação.
Na hora da escolha, do voto, estamos informados do que podemos esperar da acção de Sampaio da Nóvoa. O mesmo não se poderá dizer de Marcelo Rebelo de Sousa ou de Maria de Belém.
É claro que alguns de nós preferirão o cataventismo de Marcelo Rebelo de Sousa ou o cinzentismo inócuo de Maria de Belém. Posso perceber as razões e são essas mesmas razões que me levam, não é nova a afirmação, a entender Sampaio da Nóvoa como o Presidente certo para este tempo.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

DAS POLÍTICAS EDUCATIVAS

A nota que se segue não decorre de qualquer entendimento de natureza partidária. Como já aqui afirmei, aliás, sem orgulho, não tenho filiação partidária há décadas.
Estas mudanças anunciadas na avaliação do Ensino Básico vão no sentido ajustado se considerarmos o que se passa na generalidade dos sistemas educativos melhor sucedidos, se considerarmos estudos e relatórios internacionais e se considerarmos, finalmente, a análise do resultados dos últimos anos verificados em Portugal, estas mudanças. Continuo com algumas reservas quanto aos anos de realização das provas aferidas do 1º ciclo, 2º ano, e do 2º ciclo, 5º ano mas parecem-me que servem melhor os interesses dos alunos, o que não se verificava com vários aspectos das políticas mais recentes.
No entanto, apesar deste importante ajustamento insisto que será insuficiente se não considerarmos dimensões como apoios oportunos, qualificados e adequados, organização e conteúdos curriculares, autonomia das escolas, dimensão das turmas, etc. que têm um papel muito significativo nos processos de ensino e aprendizagem e forte impacto nos resultados, independentemente do modelo de avaliação e/ou medida.

O RAPAZ QUE CRESCEU DEPRESSA

Era uma vez um Rapaz, desculpem mas as histórias têm de começar assim, que mesmo em pequeno não parecia pequeno. Eu explico.
Logo de gaiato interessava-se mais por estar perto dos adultos que dos miúdos da sua idade, tinha comportamentos que espantavam as pessoas pois eram praticamente a cópia de um adulto bem comportado. Gostava de conversar com os adultos e interessava-se pelos temas de conversa que, normalmente, são mais habituais nos adultos. Não revelava particular interesse por coisas típicas dos mais pequenos. Nunca lhe conheceram uma asneira ou disparate daqueles que os miúdos fazem.
A família revia-se enlevada nos elogios que os outros pais faziam, “que maturidade!”, “tão adulto!”, “que inteligente, nem parece ter a idade que tem!”. Estranhamente, até a roupa de que gostava era mais do género adulto certinho do que de miúdo.
Os pais sempre o incentivaram neste estilo e alguns professores felicitavam os pais pela excelente educação que o Rapaz revelava. E assim se foi passando a vida do Rapaz que cresceu depressa. Estranhamente para toda a gente quando ficou mais crescido começou a entristecer e sentir-se infeliz. Todas as noites o Rapaz sonhava que era pequeno e brincava com os miúdos e miúdas da sua idade a todas as brincadeiras que tinha visto fazer e nunca quis participar, sonhava que fazia asneiras nas aulas e que pregava partidas a professores e aos outros adultos. Sonhava que era adolescente e tinha uma namorada com quem trocava beijos às escondidas, fumava uns cigarros sem os pais saber e saía com os amigos para ir a ouvir a música. Sonhava que dizia asneiras e se vestia como os outros rapazes. Quando acordava e se olhava no espelho percebia que a sua infância e juventude não passavam de sonhos e voltava a sentir-se infeliz.
Ninguém pode passar sem ser miúdo e jovem, ninguém pode crescer depressa.
Por isso, por favor, não roubem a infância às pessoas mais pequenas.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

GOSTEI DE LER "A TREINAR PARA NADA"

Gostei de ler o texto "A treinar para nada" de Lurdes Figueiral presidente da Associação de Professores de Matemática. Levanta questões pertinentes na linha do que tenho vindo a referir sobre a avaliação externa
No entanto, continuo a pensar que ma discussão em torno desta questão, deve ser realizada através de provas aferidas ou através de exames ou a "quantidade" de momentos de avaliação e o seu calendário de realização, continua a sobrevalorizar-se um olhar dirigido a resultados e à medida ou avaliação desses resultados.
Sendo certo que se trata de uma questão importante e considerando que o objectivo será a melhoria dos resultados e a forma de optimizar o papel ou impacto da avaliação externa nessa melhoria, a questão central é que a melhoria de resultados, real e não "martelada", depende sobretudo da intervenção e da qualidade dessa intervenção nos processos, no trabalho continuado de alunos e professores.
Neste sentido é importante saber como de facto fazer chegar aos alunos e aos professores recursos e dispositivos de apoio qualificados, suficientes e oportunos para as dificuldades percebidas e logo desde o seu início.
Também é importante saber o que se passará com o número de alunos por turma em muitos territórios educativos, com as metas curriculares, com os apoios aos alunos com necessidades educativas especiais, com a autonomia das escolas que o caminho de "municipalização" anunciado não parece garantir, etc.
A discussão sobre a imprescindível avaliação externa não deve estar separada deste outro conjunto de matérias.

TODA UMA VISÃO, A DESCRISPAÇÃO

Com o começo da campanha eleitoral e para contrariar a recorrente afirmação de que não tem havido apresentação de ideias mobilizadoras Maria de Belém apresentou hoje toda uma visão, todo um projecto, todo um caminho para Portugal e para os Portugueses.
Maria de Belém afirmou que "vai investir na estabilidade" e na "descrispação" do país.
Isto sim, isto é uma ideia descrispante da crispação que por aí vai.
Descrispemos, pois, o país.
Descrispemos, pois, a campanha.
Mas não será fácil, sinto-me até um pouco crispado com estas ideias tão descrispantes.
Manifestamente, Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa não entender que ideias diferentes e confronto de ideias só causa crispação crispado quando falta consistência ou alternativas sólidas. É também por isso que ainda não vi Sampaio da Nóvoa crispado.

PARTIU DAVID BOWIE

Partiu David Bowie mais uma das Figuras que compuseram a banda sonora da estrada que temos vindo a percorrer.

domingo, 10 de janeiro de 2016

DA ARROGÂNCIA DA IGNORÂNCIA

OPINIÃO

Educação, o paroxismo da irresponsabilidade

A assombração voltou ao ataque. Guilherme Valente um dos mais conceituados opinadores sobre educação, estes sim, os verdadeiros Sábios e Mestres, porque como ele afirma, os "especialistas", as pessoas que estudam estas coisas, estão todos errados e são ignorantes, vem de novo dar um ar da sua graça e da sua infinita arrogância que advém da ignorância. Dispara fortemente contra as mudanças que estão a ser realizadas por esta cambada e que estão a destruir o paraíso que Nuno Crato vinha a construir na Educação em Portugal.
Vem aí, de novo, o inferno. O opinador ignorante afirma dados errados, ignora o que se passa nas escolas e com os professores, fala do que não sabe, mas acredita que é assim. Acredita que Deus não erra e Crato é Deus.
Não há pachorra.

DAS PRESIDENCIAIS. JOÃO SOARES EM MODO VALE TUDO


Há algumas horas vinha no carro e ouvi isto. Pensei que tinha percebido mal por estar desatento, a chuva era muita e a condução exigente.
Mas não, é mesmo. João Soares afirmou numa iniciativa da campanha eleitoral de Maria de Belém que a sua mãe, Maria Barroso, se fosse viva votaria na Dra. Maria de Belém.
Talvez eu esteja a ficar velho mas não pode valer tudo, tanto despudor e indignidade. É verdade que existem eleições em que os mortos votam. Mas gente de bem não pode instrumentalizar a memória dos que partiram desta forma aviltante e primária.
João Soares é Ministro da Cultura. Da Cultura?!

AS PRESIDENCIAIS ESTÃO NA "ESTRADA"

Inicia-se hoje formalmente a campanha eleitoral para a Presidência da República. Como muitas vezes já afirmei trata-se de uma campanha verdadeiramente atípica. No dia em que, como se costuma dizer, os candidatos vão para a estrada, algumas notas.
É atípica porque ocorre com um cenário político inédito, um Governo do PS que não foi o partido mais votado nas legislativas mas assente numa maioria parlamentar que traduz o desejo de mudança da maioria dos eleitores que votaram.
Dos candidatos em presença e considerando os que mais votos provavelmente agregarão temos Marcelo Rebelo de Sousa que PSD e CDS-PP se viram obrigados a apoiar mas cuja candidatura não desejavam e campo mais à esquerda temos o PS que não dá indicação de votos face às candidaturas de Sampaio da Nóvoa e de Maria de Belém.
Destas, a candidatura de Sampaio da Nóvoa a primeira a ser apresentada sem atender a calendários tácticos ou de oportunidade e a de Maria de Belém lançada no âmbito das lutas internas do PS com o evidente propósito de criar dificuldades a António Costa e inibir o apoio a Sampaio da Nóvoa.
Como também afirmei há tempos anunciava-se uma campanha tóxica em que seriedade e debate frontal de ideias sem preconceitos seriam um bem de primeira necessidade. A pré-campanha mostrou isso mesmo, os debates de Sampaio da Nóvoa com a Maria de Belém e, em particular com Marcelo Rebelo de Sousa foram particularmente elucidativos.
Marcelo Rebelo de Sousa percebeu que décadas de tempo de antena de diletante fazedor de opinião e oráculo talvez não chegassem para o levar a Belém e enveredou por uma agressividade pessoal mal-educada e que o levou a falhar esse debate e a mostrar … o que tinha para mostrar, um cataventismo inconsequente que, aliás, o fizeram, não ser a opção que PSD mais desejava. Ninguém pode confiar em alguém que sem um sobressalto afiram qualquer coisa e o seu contrário. Não é por acaso que insiste na dramatização da existência de uma segunda volta na qual corre o por si impensável risco da derrota.
Maria de Belém acantonada no grupo do PS que a apoia pouco acrescentou que a pudesse catapultar para Presidente de todos os portugueses e portuguesas e vai tentando desempenhar um personagem numa narrativa sem sucesso.
Deve também sublinhar-se o importante papel que parte da comunicação social tem desempenhado na promoção de Marcelo Rebelo de Sousa. Não é grave que a os órgãos de comunicação social tenham critérios editoriais que se identifiquem com opções políticas mas é desejável que sejam transparentes e assumidas. Não é evidentemente por acaso que tal aconteceu e vai acontecer.
Por outro lado, Sampaio da Nóvoa que desde o famoso discurso do 10 de Junho de 2012 se tornou aos olhos do país atento como uma das figuras presidenciáveis, assumiu cedo e com clareza a sua candidatura, apresentou uma Carta de Princípios que mostraram uma visão nova da função de Presidente da República em que muitos de nós depositámos uma enorme esperança após 10 anos de cinzentismo cúmplice de políticas errada que muitos.
A pré-campanha tem vindo a mostrar Sampaio da Nóvoa como um Presidente capaz para os tempos de agora e para os próximos tempos e com uma visão e um projecto que dentro das competências presidenciais pretende colocar ao serviço de Portugal e dos Portugueses. Durante estes meses a candidatura de Sampaio da Nóvoa promoveu múltiplas iniciativas de discussão e construção de ideias e caminhos dentro das mais importantes áreas do nosso funcionamento enquanto comunidade.
Contrasta com a banalidade diletante, demagógica e populista de Marcelo Rebelo de Sousa que se limita a gerir a sua verdadeira campanha eleitoral, anos de exposição na TV. Quando menos disser menos se compromete e tenta pescar à esquerda num namoro interessante que deixa os seus constrangidos apoiantes do PSD e CDS-PP à beira de um ataque de nervos.
Sampaio da Nóvoa lançou a sua candidatura quando era visto como presidenciável, o caminho percorrido mostra como se tem vindo a “presidencializar”. Falta que o(s) acto(s) eleitoral(ais) o tornem, de facto, Presidente.
Depende de nós. É difícil mas é possível. Para um tempo novo um Presidente Nóvoa.

sábado, 9 de janeiro de 2016

O BANCO DOS SONHOS

“… e então pensei que uma forma de poder proporcionar alguns momentos de bem-estar às pessoas poderia ser a criação de um Banco de Sonhos. A coisa funcionaria mais ou menos nestes termos. O Banco de Sonhos teria um fundo de Sonhos a que as pessoas poderiam recorrer quando julgassem necessário. Para facilitar a tarefa, os sonhos seriam organizados por grandes áreas temáticas. Por exemplo, haveria a secção dos Sonhos de Realização Individual onde se poderiam encontrar um sonho com profissão que sempre se desejou, um sonho de pessoa rica, um sonho de pessoa bonita, de pessoa sempre nova, etc.
Poderíamos encontrar a secção dos Sonhos de Afecto, em que existissem sonhos com a pessoa que sempre desejámos ou sonhos com relações bonitas e eternas com as pessoas de quem gostamos. Uma secção imprescindível seria a dos Sonhos para a Comunidade, em que se disponibilizavam sonhos de uma comunidade sem gente a sofrer, sonhos de uma comunidade com putos felizes, sonhos de solidariedade e tolerância, sonhos sobre lideranças políticas verdadeiramente preocupadas com o bem-estar comum, etc. No fundo, haveria secções que pudessem acolher os mais variados sonhos.
Neste Banco, cada um de nós entrava, dirigia-se à secção de sonhos que mais lhe interessasse, escolhia um para levar, usava-o durante algum tempo e depois devolvia-o para que pudesse ser utilizado por outra pessoa. O abastecimento de sonhos para o Banco seria …

De repente, acordei do meu sonho e não cheguei a perceber como se construiria o Banco dos Sonhos.

OS PROBLEMAS ESPECIAIS DAS PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

Os problemas especiais das pessoas com necessidades especiais. Nada de novo, na verdade, as crianças com necessidades educativas especiais, as suas famílias e os professores e técnicos, especializados ou do ensino regular conhecem, sobretudo sentem, um conjunto enorme de dificuldades para, no fundo, garantir não mais do que algo básico e garantido constitucionalmente, os seus direitos.

Em Portugal, conta Isabel Cottinelli Telmo (Federação Portuguesa de Autismo), poucos autistas conseguem viver com autonomia na sociedade. Encontrar trabalho é raridade até para quem tem talentos excecionais

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

DAS PRESIDENCIAIS. AS NOTÍCIAS SOBRE UM PASSEIO ANUNCIADO TALVEZ TENHAM SIDO UM POUCO EXAGERADAS

O debate de Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém, para além da recorrente impreparação e falta de competência genérica dos moderadores, veio acentuar o que ontem tinha emergido com clareza no debate entre Marcelo e Sampaio da Nóvoa.
Creio que Marcelo Rebelo de Sousa começou a perceber que as notícias sobre um passeio anunciado talvez tenham sido um pouco exageradas. Julgo que Marcelo abanou na sua superconfiança em que uma campanha eleitoral com décadas de avanço e sem contraditório seriam suficientes para que, passando sem grande agitação, seduzindo à esquerda e à direita apenas pela assentimento sobre o que ia ouvindo, a vitória estivesse no "papo".
Sentindo-se mais pressionado faz o que em muitas circunstâncias as pessoas mal preparadas para uma tarefa e assustadas com o inesperado da dificuldade fazem, fogem para frente.
Já ontem com Sampaio da Nóvoa usou a mesma receita, não permite que se discuta o futuro e ideias sobre a presidência para além do mínimo e da banalidade dos compromissos, das pontes, dos consensos, ou que lhe quiserem chamar, e assume uma postura agressiva, mal educada virada para as questões pessoais e para as irrelevâncias.
Como é evidente para uma pessoa como o seu grau de exposição e um cataventismo que acaba por assumir de uma forma ridícula com explicações do tipo "sim eu disse isso mas disse, você não disse nada" ou então, pateticamente, nega o inegável alinetando a  expresssão popular, cada cavadela, cada minhoca.
Aliás, Marcelo Rebelo de Sousa ontem começou por afirmar que Sampaio da Nóvoa dizia representar um tempo novo por oposição a um tempo velho o que no seu entendimento dividia Portugal em dois países e hoje interpelado por Maria de Belém sobre este disparate já afirmou que as divisões de que falou não eram de natureza política mas fruto das políticas de austeridade que ele, evidentemente, nunca questionou seriamente. Elucidativo.
Maria de Belém, por outro lado, apesar de uma prestação que me surpreendeu pela positiva, aguentando e ripostando à postura agressiva e arrogante de Marcelo Rebelo de Sousa acaba por se fragilizar pela própria natureza da sua candidatura e pela falta de solidez percebida na sua potencial base de apoio e nos discursos elaborados.
Pode parecer estranho mas creio que o grande ganhador do debate desta noite terá sido Sampaio da Nóvoa. Sim, eu sei que sou apoiante da sua candidatura mas parece-me claro que foi identificado por Marcelo Rebelo de Sousa como o seu principal adversário apesar deste negar ver adversários na pessoa dos outros candidatos. A mudança de actuação de Marcelo Rebelo de Sousa espelha isso mesmo e, simultaneamente, espelha de forma mais claro porque é que não precisamos de cata-vento na presidência mas de alguém com rumo e visão para Portugal e para os portugueses dentro, claro das funções presidenciais.

O NOVO MODELO DE AVALIAÇÃO DO ENSINO BÁSICO

Com base em tudo o que já aqui escrevi sobre esta questão e na leitura do documento agora conhecido umas notas breves.
Parece-me positivo:
- A manutenção de dispositivos de avaliação externa, incluindo os exames do 9º que me parece aceitável nas actuais circunstâncias embora não esteja convicto de que a opção pela realização das provas de aferição no 2º, no 5º e 8º ano seja a melhor mas adiante retomo esta questão.
- A avaliação de outras áreas do currículo como Estudo do meio e Expressões no 1º ciclo ou outras disciplinas no 2º e 3º ciclo contrariando a afunilada hierarquia curricular vigente.
- A realização das provas no final do ano lectivo.
- A realização da prova do 2º ano na escola que os alunos frequentam acabando com a insensata deslocação dos alunos nos anos anteriores.
- A suspensão do Preliminary English Test uma “geringonça” como agora se diz mal explicada e justificada.
- A devolução dos resultados individuais às escolas o que possibilita a função reguladora que informa as provas.
A minha maior reserva, para além do calendário de implantação da mudança e da necessidade de maior discussão, prende-se com a realização das provas de aferição nos anos intermédios, 2º, 5º e 8º e não no final dos ciclos. A justificação parece clara, “… poder agir atempadamente sobre as dificuldades detectadas”.  É verdade que uma avaliação intermédia pode ter efeito regulador, formativo, e corrigir a trajectória do aluno.
É também verdade que quem conhece a escola e as suas problemáticas reconhece que o 2º, o 5º e o 8º ano são anos importantes quer do ponto de vista das aprendizagens quer, por exemplo no caso do 8º ano na ocorrência de episódios de indisciplina que, frequentemente, estão associados a dificuldades escolares.
No entanto e apesar disto, parece fundamental, como muitas vezes tenho escrito e creio que a generalidade dos docentes e das escolas assim procede, que a avaliação interna ao longo de TODOS os anos do ciclo detecte dificuldades e desencadeie os dispositivos e recursos de apoio para alunos e professores de forma a minimizar ou ultrapassar dificuldades. Nesta perspectiva não me parece essencial que as provas de aferição se realizem nos anos intermédios para detectar dificuldades que deverão ser conhecidas através de avaliação interna e do trabalho em sala de aula e já constantes da “Ficha Individual do Aluno”.
A questão que me inquieta é que a inexistência ou insuficiência destes apoios comprometa o trabalho de alunos e professores independentemente do modelo de avaliação externa que esta montado.
Por outro lado, no actual modelo de três ciclos no Ensino Básico julgo que a avaliação externa deverá realizar-se no final de cada ciclo primeiro porque os conteúdos e saber a adquirir estão estruturados numa lógica de ciclo e, segundo, porque se trata de anos de transição e mudança de currículo e disciplinas.
Parece-me ainda importante a constituição de um dispositivo de acompanhamento e avaliação deste novo modelo e deveríamos tentar que se introduzisse alguma estabilidade no sistema educativo, um bem de primeira necessidade.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

DA TÓXICA PRÉ-CAMPANHA PRESIDENCIAL

O debate entre Sampaio da Nóvoa e Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou mais um capítulo ao que desde o início me pareceu que iria acontecer, uma campanha tóxica.
Não tenho nada contra a agressividade desde que ela seja como suporte de ideias e não como forma de intimidação, ataque pessoal e máscara do nervosismo indisfarçável que o experiente Marcelo Rebelo de Sousa evidenciou.
É claro que realizar umas prédicas sem contraditório compõem a imagem e dão projecção mas o confronto de ideias é para outro patamar e exige … ideias.
Marcelo Rebelo de Sousa gastou um tempo enorme em torno do "pecado original" de Sampaio da Nóvoa, uma suposta falta de currículo político.
Marcelo Rebelo de Sousa subscreve o entendimento de boa parte das nossas elites políticas que criaram e se alimentam da “partidocracia”, vida política é vida partidária. Não compreendendem porque não querem compreender que política é também cidadania e vida cívica. O currículo de Sampaio da Nóvoa em termos de cidadania e vida cívica é sólido e reconhecido mas ... “não é um de nós”, nunca desempenhou funções emergentes a partir do aparelho de um partido o que o torna inelegível. A partidocracia capturou a cidadania e a participação cívica e entende que não existe vida para além dos partidos. Não perdoa a Sampaio da Nóvoa o atrevimento de se candidatar e logo à Presidência ou, como disse elegante e elucidativamente Marcelo Rebelo de Sousa, de “soldado a general”. Notável.
Marcelo Rebelo de Sousa voltou a insistir na antidemocrática, cínica, demagógica e hipócrita tese dos gastos das campanhas em tempo de dificuldades para as pessoas. Retomo o que aqui já afirmei.
É antidemocrática e demagógica porque vai ao encontro dos discursos de muita gente que entende que a democracia não tem custos. Tem custos e é por isso que as campanhas podem fazer parte da  ... democracia. Se assim não for apenas os muito ricos ou os despudorados que andam décadas a receber muito dinheiro num tempo de antena sem fim poderiam fazer chegar a sua mensagem aos cidadãos eleitores. Isto não quer dizer que não defenda contenção e menos circo nas campanhas eleitorais.
É cínica e hipócrita porque esquece as vantagens que esse continuado tempo de antena diletantemente usado a "fazer opinião", "a adivinhar o futuro" e a "educar as massas" lhe dão face a outros candidatos que precisam de meios para fazer chegar ideias aos eleitores.
É cínica porque joga com os sentimentos antipolítica dos cidadãos para diabolizar os candidatos que sem campanha ... não chegam às pessoas e as eleições democráticas seriam um passeio para Marcelo. Estranho entendimento de democracia. Aliás não é original, Cavaco Silva é um mestre nesta manhosa "arte".
É ainda cínica e hipócrita porque usa como arma de arremesso as dificuldades e tragédias da vida das pessoas sem que se oiça uma palavra ou uma ideia para o seu projecto enquanto Presidente da República para minorar as dificuldades de que despudoradamente se serve para se fazer eleger sem concorrência.
Ficou de novo patente a extraordinária competência de Marcelo Rebelo de Sousa num número circense de malabarista das palavras e das ideias. Com o maior despudor afirma e defende ideias e o seu contrário, joga com as palavras que foi profusamente deixando e num notável e sempre na crista da onda como excelente surfista político que é e quer continuar a ser nega e contradiz-se para não perder a onda.
O seu entendimento das funções da Presidência é semelhante ao de Cavaco Silva mas com uma coreografia diferente, assim como uma espécie de restyling com que tantas vezes se tenta vender um produto velho como se fosse, parecesse, novo.
Como sabem, sou suspeito, desde sempre apoiei a candidatura de Sampaio da Nóvoa e vi nela uma oportunidade de mudança.
O debate de hoje tal como tudo o que tem vindo a acontecer sedimentou a essa escolha 

DOS EXAMES NACIONAIS E DO SEU IMPACTO NA RETENÇÃO

No estudo conclui-se que o impacto dos exames de 4º, 6º e 9 ano na retenção é baixo, pouco significativo, e consistente ao longo dos últimos anos. A questão colocada assim e analisada nesta base parece-me enviesada levando a que de forma simplista se questione se os exames têm impacto no sucesso?
Segundo o próprio CNE temos anualmente Portugal cerca de 150 000 alunos que chumbam, uma verdadeira catástrofe e de altíssimos custos para a comunidade, aliás, também sublinhados em relatórios anteriores do CNE.
Nesta perspectiva, coloca-se como um objectivo prioritário de todas as políticas e acções reverter estes dados e minimizar os riscos de abandono.
O CNE vem dizer que os exames não promovem a retenção mas a verdade é que os alunos chumbam pelo que a existência dos exames, só por si, não faz com que os resultados melhorem como uma visão “facilitista” tenta defender com a obsessão pela medida. Como também já tem sido referido e comprovado nos anos sem exames nacionais os chumbos aumentam para que os alunos que realizam os exames sejam os melhor preparados e, para além disso, muitos alunos à beira ou com insucesso são precocemente empurrados para outras vias, ensino vocacional, por exemplo, pois tornam as estatísticas dos exames finais mais simpáticas.
De uma forma intencionalmente simplista pode dizer-se que os exames, só por existirem, não ajudam a ensinar como não ajudam a aprender, apenas medem saberes e espera-se que bem e não de forma política e tecnicamente contaminada o que como sabemos nem sempre se verifica. Dito de outra maneira, os exames centram-se em resultados e não em processos.
Acontece que a melhor forma de melhorar resultados é intervir nos processos e, naturalmente, avaliar e eventualmente medir os efeitos o que não é, obviamente, a mesma coisa. De facto, o que promove a qualidade do trabalho é a existência de apoios oportunos e ajustados às dificuldades de alunos e professores, de currículos e conteúdos adequados, efectivo de turma razoável, autonomia das escolas, qualificação e valorização dos professores, etc.
É por entendimento desta natureza que como o CNE refere neste Relatório e é conhecido, dados do ano passado da OCDE mostram que apenas no ensino secundário existem exames na maioria dos países, no 1º e 2º ciclo apenas três países os realizam e 14 têm exames no 3º ciclo. Nestes níveis de ensino a maioria dos países recorre a provas de aferição como dispositivo regulador do sistema. Deve também registar-se que em muitos destes países, sobretudo os que têm melhor desempenho, existem ao longo de todos os anos de escolaridade e desde o início apoios a alunos e professores que são promotores de sucesso quando as aprendizagens são avaliadas.
Dito de outra maneira, o sucesso escolar e educativo não tem correlação com o número de exames.
Desde que se decidiu eliminar o exame do 4º ano e se aguarda a divulgação por parte do ME do novo modelo de avaliação e aferição que venho a enunciar algumas destas inquietações. Aguardemos o que está anunciado ainda para esta semana.

PS - O CNE no seu parecer vem reafirmar a importância da avaliação externa, seja através de exames ou de provas de aferição mas claramente é pelos exames e propõe aliás a realização de um novo exame. Curiosamente, o CNE, como referi apoia-se nos estudos comparativos para sustentar o que os estudos não evidenciam, a ideia de que se medir a febre muitas vezes a febre um dia vai baixar. Insisto. Sim, é fundamental a avaliação externa, Os exames nas idades mais precoces não são imprescindíveis. A qualidade obtêm-se intervindo de forma consistente nos processos e não apenas medindo os resultados.

DAS PRESIDENCIAIS

Já por aqui escrevi em diferentes ocasiões que estas eleições presidenciais são verdadeiramente atípicas por razões que não vou repetir.
No mesmo sentido, a pré-campanha em curso e sobretudo os debates e a participação dos candidatos com maior probabilidade de receber votações mais expressivas, Marcelo Rebelo de Sousa, Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém acentuam essa atipicidade.
Na verdade de uma forma simples, temos uma campanha que envolve um Cata-vento, um GPS (ou uma Bússola em versão mais clássica) e uma Sombra.
Assistir às intervenções de Marcelo Rebelo de Sousa, conhecendo o seu passado político, anos a debitar afirmações e ouvi-lo agora mostra um extrodinário exercício de cataventismo que não não sendo inédito na política portuguesa não deixa de ser elucidativo.
É ainda espantoso atentar na sua participação nos debates frente a frente. Qualquer que seja o seu adversário é notável o grau de aparente concordância e assentimento com quase tudo o que ouve. É um táctica a que se dedica desde o início, pescar em todas as águas, mas não é isso que se espera de um Candidato. Espera-se uma visão, uma ideia, um rumo para Portugal e para os portugueses dentro, evidentemente, das funções presidenciais.
Em Sampaio da Nóvoa encontramos o GPS, desde o lançamento da sua candidatura com a apresentação da Carta de Princípios que estabeleceu com clareza ao que vinha e donde vinha, da cidadania, qual a visão e o rumo que defende para a promoção do desenvolvimento e do bem-estar de Portugal e dos portugueses sem perder de vista as competências presidenciais.
Não enjeitou, antes pelo contrário, posicionamentos ideológicos claros e tem vindo a mostrar pensamento e ideias para as grandes áreas da vida da nossa comunidade a que chama de causas. É, justamente isso que se espera de alguém que pretende ser Presidente da República
Finalmente temos a Sombra corporizada por Maria de Belém. Trata-se obviamente de uma candidatura fabricada no quadro da luta interna do PS, vazia e inócua destinada, sobretudo,  a atrapalhar a candidatura de Sampaio da Nóvoa e posição de António Costa. E, de facto, vai pairando como uma sombra sobre esta campanha não mostrando substância nem rumo. A verdade é que, como o povo diz, só podemos dar o que temos e um sorriso permanente é curto.
Neste contexto, a escolha parece-me relativamente clara, entre um Cata-vento, um GPS e uma Sombra, voto no GPS embora como mais velho e menos evoluído tecnologicamente goste da ideia da Bússola.
É isso, voto Sampio da Nóvoa.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A DESPROMOÇÃO DE UM AVÔ

Saberão os que por aqui vão passando que entrei no mundo mágico da avozice há quase dois anos e meio e tem sido uma viagem de espanto.
Ao final da tarde de hoje e recuperando memórias antigas e brincadeiras actuais continuei a construção em Lego que estava a fazer com o meu neto que, entretanto, se dedicou a desmanchar o presépio com a Avó. 
Quando os dois reparam na minha "obra" a Avó perguntou-lhe quem fez aquele trabalho.
O Simão com um ar tranquilo aponta para mim e disse "Foi este gajo aqui."
Não poder ser!
Onde já se viu?
Um Avô é despromovido e passa a "Este gajo aqui". Demorei a fechar a boca e engolir em seco.
Este gajo aqui está mesmo convertido ao mundo mágico de ser Avô.

GOSTEI DE LER "A MOTIVAÇÃO E O COMPROMISSO DOS PROFESSORES"

Gostei de ler "A motivação e o compromisso dos professores" de José Afonso Batista no Público.

"Valorizar a profissão, atrair e recrutar os melhores e requalificar os que já estão em exercício. Este compromisso do novo governo tem de ser também um compromisso assumido pelas escolas e pelos próprios professores."

Na verdade, os sistemas educativos com melhores resultados são, justamente, os sistemas em que os professores são mais valorizados, apoiados e reconhecidos.

A HISTÓRIA DO ACHISTA

Como se trata de uma história começa assim, era uma vez uma terra muito engraçada. É uma terra com gente muito boa e muito divertida. Um dos maiores divertimentos das pessoas daquela terra é achar.
Eu explico, a maioria as pessoas estão convencidas de que sabem alguma coisa sobre quase tudo e então manifestam as suas opiniões que, na maioria das vezes, não passam disso mesmo, opiniões porque não têm conhecimento suficiente sobre as matérias de que falam. De forma quase absoluta começam as suas frases por um “Eu acho ..” entoado de forma definitiva, alguns até reforçam o “Eu acho” com um popular “Cá p’ra mim”.
De entre todos, distingue-se uma das pessoas lá da terra, até lhe chamam o Achista, é o maior dos opinadores. Não há um tema, dos mais simples aos mais sofisticados, sobre o qual o Achista não …ache, claro. Participa em todos os debates que se organizem sobre qualquer matéria, fala, acha, com o maior dos à vontade em qualquer circunstância, sempre com um ar de tal forma sério e convincente que ninguém se atreve a discutir os seus achismos. Ao fim e ao cabo estamos a falar de um Achista.
Com o tempo acabou mesmo por se tornar num respeitado Achista, autor até de livros bem sucedidos onde divulga os seus achismos.
Se estiverem minimamente atentos poderão reconhecê-lo num jornal ou televisão perto de si, há sempre um Achista, apenas mudam os apelidos.

FERIADOS, TEMPO DE TRABALHO E PRODUTIVIDADE

A reintrodução de feriados, civis e religiosos, que tinham sido retirados e as contas imediatas à possibilidade da realização das famosas “pontes” relança a questão do tempo de trabalho e da produtividade. Como hoje alguma imprensa refere Portugal passa a ser o terceiro país europeu com mais feriados como também, e muita gente esquece-se, é um dos países com maior carga horária de trabalho, superior à dos alemães por exemplo, e ainda somos brindados com o rótulo de preguiçosos do sul.
Não discuto agora a justiça relativa das horas e dias de trabalho mas tenho a convicção de que a problema da produtividade é, fundamentalmente uma questão de melhor trabalho e não de mais trabalho. Aliás, conhecem-se estudos neste sentido e podemos reparar o que se passa noutros países com cargas de horário laboral semelhantes à nossa.
Por outro lado, existem factores menos considerados e que do meu ponto de vista desempenham um papel fundamental, a organização do trabalho, a qualidade dos modelos de organização e funcionamento, no fundo, a qualidade das lideranças nos contextos profissionais. O nível de desperdício no esforço, nos meios e nos processos em alguns contextos laborais é extraordinariamente elevado.
Relembro que os empregadores portugueses, sobretudo nas médias, pequenas e micro empresas, as que asseguram a grande fatia dos postos de trabalho, possuem um baixíssimo nível de qualificação em termos europeus, excepção feita, evidentemente, a alguns nichos.
Neste cenário, a simples decisão de aumentar o horário de trabalho como foi realizado, com redução ou reintrodução de feriados, dias de férias, não parecem ser, só por si, as soluções milagrosas de incremento da produtividade.
Parece-me bem mais potente um esforço concertado e consistente de apoio à modernização e formação dos empregadores e quadros do tecido empresarial do que baixar custos do trabalho pelo recurso simplista e “fácil” ao aumento da carga horária ou à efectiva redução de salários como se o empobrecimento e mais carga horária, só por si, promovessem desenvolvimento.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

DEVAGAR SE VAI AO LONGE

Estava o Manel, miúdo de sete anos, de volta do seu lanche no intervalo da escola, quando o Professor Velho se sentou ao pé. O Professor Velho é aquele que já não dá aulas, está na biblioteca e fala com os livros.
Olá Manel, o lanche está bom?
É bom, Velho, a minha mãe pôs daquele queijo que eu gosto. Velho, tu sabes coisas, diz-me lá o quer dizer devagar se vai ao longe, estava uma professora a falar isso.
A ver se eu consigo. Imagina que queres ir até uma escola que está longe daqui e começas a correr muito rápido para lá chegares. Quase de certeza vais ficar logo muito cansado, já não consegues nem andar e não vais chegar à escola onde querias ir, se fosses sempre mais devagar, não te cansavas e chegavas lá, percebes?
Acho que sim, Velho.
Manel, imagina ainda que querias aprender as coisas todas da escola muito depressa, não irias ser capaz, tens que ir aprendendo à medida que andas e assim vais conseguir aprender o que é preciso, entendes.
Velho, eu percebo o que estás a dizer e por isso não entendo porque é que toda a gente me está sempre a chatear para fazer depressa, os meus pais querem que eu coma depressa, que eu me vista depressa, que faça os TPCs depressa, tudo depressa, A professora passa o tempo a dizer para me despachar, que tenho de trabalhar mais depressa, escrever mais depressa, ler mais depressa e mais coisas. Podias ir explicar a eles o que é, “devagar se vai ao longe”.

DA AVALIAÇÃO, DA AFERIÇÃO E DO RESTO

Ao que se lê no Público, a proposta do ME relativamente à avaliação externa passará pela realização de provas de aferição, universais ou por amostra, no 4º e 6º ano e a manutenção do exame nacional no 9º ano entendendo o Ensino Básico de forma mais integrada e incorporando neste “protocolo avaliação /aferição” a avaliação de Inglês até aqui realizada através do PET.
Algumas notas telegráficas sem hierarquia na sua apresentação.

1 – A avaliação externa é um dispositivo imprescindível para regulação do sistema educativo e pode, de forma simples, assentar em provas de aferição em modelos variáveis ou em exames nacionais obrigatórios. A maioria dos países não recorre a exames nacionais obrigatórios, sobretudo, nos primeiros anos de escolaridade.

2 – Tal como não se verifica que os exames só por existirem melhorem a qualidade também não se pode considerar que só por acabarem o cenário melhora. Reparemos que existem sistemas educativos com alunos genericamente bem-sucedidos, caso da Finlândia, que só tem exames no final do Secundário e outros sistemas com sucesso, caso de alguns países asiáticos, que têm um número significativo de exames. Dito de outra maneira, a existência de exames, só por si, não explica o sucesso nem o melhora.

3 – Sendo fundamental a preocupação com os resultados, em educação os resultados só se alteram com a intervenção nos processos sendo então importante avaliar o impacto dessa intervenção medindo/avaliando os resultados. Assim, insisto na necessidade de definir de forma adequada e com os recursos necessários apoios para as dificuldades experimentadas por alunos e professores ao longo de todo o ciclo, nos vários ciclos, e disponibilizados em tempo oportuno.
É assim que os melhores sistemas educativos que não têm exames tão cedo estão organizados. Este entendimento não tem rigorosamente a ver com facilitismo pois não consta que esses países tenham sistemas educativos “facilitistas” apesar de não terem exames tão precoces e nos anos de exame apresentarem taxas de retenção muito baixas.
Parece-me ainda de considerar outro conjunto de variáveis com forte impacto nos processos sobretudo se considerarmos as especificidades dos nossos territórios educativos. Refiro, por exemplo, o impacto que turmas sobrelotadas, metas curriculares excessivas e burocratizadas que inibem a acomodação das diferenças entre os alunos, insuficiência de apoios às dificuldades de alunos e professores durantes todos os anos do ciclo, falta de verdadeira autonomia das escolas, entre outros aspectos, podem assumir na qualidade dos processo e, naturalmente, nos resultados.

4 – Para além da anunciada reflexão sobre a questão, difícil mas necessária, das metas curriculares e na lógica do entendimento integrado do Ensino Básico, começa a ser o tempo de lançar uma discussão sobre a organização do Ensino Básico no que respeita ao número de ciclos e organização das áreas disciplinares.
É claro que se trata de um universo complexo e, por isso mesmo, a reflexão e eventuais mudanças, devem ser realizada com competência, serenidade, tempo e envolvimento participado de toda a comunidade.
Como há dias escrevi, depressa e bem não há quem, e o ME deve resistir à tentação habitual de “alterar” para deixar a sua marca e responder a agendas imediatas ou de outra natureza.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

GOSTEI DE LER, "O REGRESSO"

Gostei de ler o texto de hoje no Público do Paulo Guinote, "O Regresso"

O regresso

A propósito das notas de Paulo Guinote recupero um excerto de um texto mais antigo.
(…)
“Queria relembrar desde logo algo que de tão óbvio por vezes se esquece, a importância essencial e a responsabilidade que o trabalho dos professores assume na construção do futuro. Tudo passa pela escola e pela educação. Assim sendo, as mudanças na educação só podem ocorrer e ser bem-sucedidas com o envolvimento dos professores.
Alguns dos discursos que de forma ligeira e muitas vezes ignorante ocupam tempo de antena na imprensa, basta ler os muitos dos comentários às notícias online respeitantes a professores, parecem esquecer a importância deste trabalho e as circunstâncias em que se desenvolve, ou reparar ns discursos de alguns "opinion makers" que na vertigem de falar sobre tudo mais não mostram que ignorância e preconceito.”
(…)

VENTOS DA 5 DE OUTUBRO

O Ministro da Educação realizou hoje uma das primeiras, creio, aparições públicas. Como é habitual nestas circunstâncias produzem-se algumas afirmações sobre orientações e decisões.
Do que a imprensa refere julgo que são de registar algumas ideias.
A importância atribuída à “escola pública” e ao “serviço nacional de educação” como “motores da mobilidade social” e a definição do combate ao abandono e a promoção do sucesso como prioridades.
Sim, eu sei que tudo isto já foi mil vezes afirmado e outras tantas negado por políticas desenvolvidas mas, ainda assim, prefiro que seja este o discurso que a retórica da excelência, do rigor, da liberdade de educação que criam competição, exclusão e favorecem os negócios da educação.
O Ministro afirmou também que apesar da extinção do exame do 4º ano se manterá a realização de provas de aferição em moldes a definir, universais ou por amostra. No 6º e no 9º não se antecipam alterações. É importante, do meu ponto de vista, a manutenção de dispositivos de avaliação externa como ferramenta de regulação e parece positiva a “solução integrada” referida pelo Ministro considerando, dispositivos de aferição e de avaliação e integrando o PET, a PPT criada por Nuno Crato para avaliação de Inglês.
Uma outra alteração no discurso que me merece registo prende-se com o reequilibrar da visão sobre aos diferentes áreas disciplinares recuperando a importância global das “artes, do desporto e das ciências experimentais” desvalorizadas pela anterior equipa da 5 de Outubro que centrava as suas atenções quase que exclusivamente em Português e Matemática que sendo de facto essenciais não podem ser o tudo em matéria de currículo.
Tiago Brandão Rodrigues referiu ainda o processo em curso de análise da complexa matéria das “metas curriculares”. Como já referi, julgo necessário um processo de ajustamento mas é igualmente necessário um processo cauteloso de estudo, envolvimento e definição e a minimização da instabilidade e do risco de alterações simbólicas, rápidas e inconsequentes.
Não posso deixar de referir o facto de o Ministro se ter reunido com o corpo docente da escola que visitou. Na verdade já vai sendo tempo de ouvir os professores e não apenas os que sistematicamente falam pelos professores.
Será que podemos ter algum optimismo?

É preciso.

domingo, 3 de janeiro de 2016

ELE NÃO VAI LÁ

Vai agora iniciar-se o segundo período escolar, o período das decisões. Na verdade, embora falte o terceiro período este que agora se inicia acaba por ser muito importante, ainda me lembro dos avisos dos meus professores a que se juntava a "seca" dos pais.
Quando o primeiro corre bem e segundo acontece sem sobressaltos, estávamos "passados". Se o primeiro não correu grande coisa e este período também não correr bem, dificilmente recuperaríamos no terceiro período, estávamos "chumbados", retidos como agora se diz.
Assim, o segundo período é um tempo em aberto, um tempo que permitirá manter bons resultados, recuperar de algumas dificuldades ou certificar o insucesso.
É neste aspecto que centro estas notas. De facto, alguns alunos devido aos seus resultados no primeiro trimestre, à sua história ou pelo "retrato" que deles foi tirado, são alunos que "não vão lá", ou seja, a escola, os professores, algumas vezes sem se dar conta, outras por ausência de meios ou disponibilidade e outras ainda pela convicção de que é "normal" que nem todos aprendam mesmo que tenham capacidades para isso e, portanto, não há nada a fazer, têm a sua frente alunos para os quais a expectativa de sucesso é baixa ou nula, dito de outra maneira, "eles não vão lá". A escola desiste deles e eles desistem da escola.
Curiosamente, muitos destes alunos são reconhecidos como miúdos espertos, dotados, de tal maneira que "se eles quisessem" teriam sucesso. O problema é que com alguma frequência, sem nos darmos conta e, ou por falta de recursos, nós a escola é que "não conseguimos" que eles tenham sucesso. Eu sei que a afirmação é forte e pode ser injusta em muitas situações, mas existem muitos miúdos de quem a escola desistiu por variadíssimas ordens de razões.
Ou seja, eles poderiam "ir lá", mas a escola também "não vai lá".

sábado, 2 de janeiro de 2016

DOS DEBATES DAS PRESIDENCIAIS

Acabei de assistir ao que tinha sido anunciado como um debate entre Henrique Neto e Sampaio da Nóvoa na RTP1 moderado por José Rodrigues dos Santos.
Tal como já ontem me tinha parecido no debate entre Sampaio da Nóvoa e Marisa Matias, o formato não facilita o debate e a incompetência e falta de preparação do “moderador” torna ainda mais difícil que tal aconteça.
O “debate” de hoje mostrou o que tenho vindo a chamar o “pecado original” da candidatura de Sampaio da Nóvoa, não se construiu a partir de uma carreira partidária. Surge num quadro mais alargado de participação cívica e cidadania. A forma como olha para o país, para o seu passado, para o seu presente e para o seu futuro assenta numa lógica de inclusão e transversalidade é diferente de um olhar que se formatado numa lógica partidária vê o acesso ao poder como o objectivo, sabendo-se que, evidentemente, que esse poder será exercido sobre todos mas não com todos.
Serve isto para dizer que as lutas pelo poder vivenciadas num quadro partidário acabam muitas vezes por se viverem de formas mais personalizadas, mais de guerrilha do que pelo debate de ideias.
Nesta lógica, o encontro, não lhe posso chamar debate, entre Henrique Neto e Sampaio da Nóvoa mostrou alguém que não vinha para debater ideias para a Presidência, Henrique Neto, que afirmou, aliás, não ser preciso fazê-lo, pois já tinha dito tudo. Assim, utilizou o tempo disponível para um ataque agressivo a Sampaio da Nóvoa baseado em interpretações suas do que este terá afirmado e atacando-o também pelo que Henrique Neto entendia que deveria ter afirmado.
Creio que Sampaio da Nóvoa terá ficado verdadeiramente surpreendido por esta estratégia e insistiu sem resultado na tentativa de discutir a Presidência e o futuro. A incompetência de José Rodrigues dos Santos deixou que assim continuasse.
Não tenho nada contra a agressividade em debates mas que seja mobilizada para a defesa de ideias e não para juízos laterais e interpretações cujo objectivo claro é a pessoa Sampaio da Nóvoa e não o candidato Sampaio da Nóvoa.
Desde o início da candidatura em que surgiu aquela delinquente peça de João Taborda da Gama no DN sobre a participação de Sampaio da Nóvoa nas provas académicas de Saldanha Sanches que afirmei que iria ser desencadeada uma campanha tóxica, era só o começo.
Sampaio da Nóvoa, certamente bem aconselhado, deverá estar preparado para uma campanha que a cada dia mais dura se tornará, uma espécie de campo minado. Não poderá jogar com as mesmas armas, terá de fazer a diferença pelas ideias e pela visão.
Creio que não deverá jogar o “jogo” que lhe vai ser proposto para jogar, sobretudo, pelas candidaturas que competem com a sua, deverá ser paciente e insistir assertivamente na diferença.
A natureza desta campanha mostra, também, porque seria importante que alguém como Sampaio d Nóvoa chegasse a Belém.
Como hoje Sampaio da Nóvoa ainda conseguiu dizer no “debate” e até Henrique Neto concordou, uma das dimensões fundamentais do nosso futuro é a inovação. Eu acrescentaria que esta inovação poderia começar com a presença de alguém com o seu perfil na Presidência da República.
É difícil mas terá de ser possível.

RESGATAR AS UTOPIAS

Gostei de ler.

500 anos depois, o sentido de Utopia não se perdeu

Num tempo em que nos querem vender o pragmatismo como farol da Humanidade é fundamental resgatar as utopias.
Resgatar as utopias é o caminho para resgatar as pessoas, todas as pessoas. É o caminho para resgatar a dignidade para as pessoas, para todas as pessoas. É o caminho para construir um sentido para a vida das pessoas, de todas as pessoas. É o caminho para ...
Não, não é utopia.
É a sobrevivência e a mudança que a sustenta.