A anunciada fusão do 1.º e 2.º ciclos do ensino básico está a começar a caminhar. Lê-se no DN que o Governo já criou uma “Equipa Multidisciplinar para a Reorganização da Matriz Curricular do Ensino Básico e Secundário”, cuja constituição foi publicada recentemente em Diário da República presumindo-se o início dos trabalhos. A peça do DN também identifica as muitas dúvidas existentes, desde logo a data anunciada para a fusão, ano letivo 2027/2028.
Como a experiência frequentemente
mostra, temos tido múltiplas circunstâncias nas políticas públicas de educação
que mostram como nem sempre a mudança é positiva. Considerando o contexto actual e variáveis
como a natureza da rede escolar e a dispersão de escolas, a dramática falta de
docentes ou ainda estudos comparativos com outras realidades educativas e
potenciais implicações nas aprendizagens, talvez seja de ter alguma prudência
ou citando Pedro Abrunhosa, “É preciso ter calma”.
Será mesmo melhor e como se
costuma dizer, aguardarmos os desenvolvimentos não deixando de recordar
Lampedusa em “O Leopardo” e a ideia de que é preciso que tudo mude para tudo
fique na mesma.
No mesmo sentido e pensando na
natureza e impacto das problemáticas actuais nas comunidades educativas,
lembrei-me de Almada Negreiros em a Cena do Ódio “e qu'inda foste inventar
submarinos, p'ra te chateares também por debaixo d'água”.
Não, não é pessimismo, é realismo
assente no que conhecemos do país e das políticas públicas que temos e se
anunciam.
Como se diz por aqui no meu quente
Alentejo, deixem lá ver.
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