domingo, 24 de maio de 2026

UM 1.º CICLO DE 6 ANOS? É PRECISO TER CALMA

 A anunciada fusão do 1.º e 2.º ciclos do ensino básico está a começar a caminhar. Lê-se no DN que o Governo já criou uma “Equipa Multidisciplinar para a Reorganização da Matriz Curricular do Ensino Básico e Secundário”, cuja constituição foi publicada recentemente em Diário da República presumindo-se o início dos trabalhos. A peça do DN também identifica as muitas dúvidas existentes, desde logo a data anunciada para a fusão, ano letivo 2027/2028.

Como a experiência frequentemente mostra, temos tido múltiplas circunstâncias nas políticas públicas de educação que mostram como nem sempre a mudança é positiva.  Considerando o contexto actual e variáveis como a natureza da rede escolar e a dispersão de escolas, a dramática falta de docentes ou ainda estudos comparativos com outras realidades educativas e potenciais implicações nas aprendizagens, talvez seja de ter alguma prudência ou citando Pedro Abrunhosa, “É preciso ter calma”.

Será mesmo melhor e como se costuma dizer, aguardarmos os desenvolvimentos não deixando de recordar Lampedusa em “O Leopardo” e a ideia de que é preciso que tudo mude para tudo fique na mesma.

No mesmo sentido e pensando na natureza e impacto das problemáticas actuais nas comunidades educativas, lembrei-me de Almada Negreiros em a Cena do Ódio “e qu'inda foste inventar submarinos, p'ra te chateares também por debaixo d'água”.

Não, não é pessimismo, é realismo assente no que conhecemos do país e das políticas públicas que temos e se anunciam.

Como se diz por aqui no meu quente Alentejo, deixem lá ver.

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