AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

POLÍTICAS DE FAMÍLIA. Outro diálogo improvável

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Pois é Francisco, sempre pensei em ter a família junta, gosto muito de vocês.
Eu sei Pai, eu, a Laura e os miúdos também gostamos muito de si e da mãe, mas preferíamos estar na nossa casa. Esta maldita crise obrigou-nos a perdê-la.
Tem calma, vamos conseguir arranjar-nos, tu e a Laura ficam com o teu quarto antigo e os miúdos ficam na sala.
Eles estavam habituados a ter um quarto só para eles, vão estranhar.
Os miúdos adaptam-se a tudo, olha eu passei muito e cá me aguentei.
Os tempos são outros Pai.
É preciso calma, já te disse, a gente ajuda, vou levar o Fábio e o Tiago à escola, dou-lhes uma ajuda, até me vou sentir melhor com alguma coisa para fazer. Estava para aqui com a tua mãe sem nada para fazer. Vamos ter tempo para conversar.
É verdade, quando eu e a Laura tínhamos trabalho o tempo faltava e vínhamos poucas vezes.
A gente aguenta-se, vais ver.
Eu e a Laura andamos todos os dias à procura de trabalho mas está difícil. Estou com medo Pai.
Olha, nos tempos em que passámos muito, o meu pai dizia sempre, onde come um, comem dois, melhores tempos virão, com a minha reforma e a pensão da tua mãe a gente não se vai abaixo, espero que não as cortem como já fizeram e dizem que vão continuar.
Espero bem, mas não tenho muita esperança. A gente ouve as notícias, é só desgraças, cada dia está pior.
Mas não te esqueças que estamos juntos. A gente somos uma família, a gente vai aguentar-se.
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4 comentários:

  1. E que tal pôr o pai a dizer...

    "A gente é uma família, a gente vai aguentar-se."

    ... ou

    "Nós somos uma família, nós vamos aguentar-nos."

    ... para o diálogo parecer ainda mais improvável?! :-)

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  2. Existem famílias em que são estas as palavras e se dizem assim ...

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  3. Acho que o Zé Morgado não entendeu o que eu quis dizer.
    A minha proposta apenas salienta que o diálogo ficaria ainda mais IMPROVÁVEL, se sintacticamente correcto, de tão arredado que estaria do discurso de muitas famílias portuguesas, infelizmente!

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