AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

EVIDENTEMENTE

 Os tempos vão estranhos. As políticas públicas de educação e não só, giram em torno do português “cada cavadela, cada minhoca” ou da internacional lei de Murphy, “tudo o que pode correr mal, corre mal”.

Há uns anos, poucos, sem atentar na evidência, vendia-se a narrativa dos professores a mais. Parece agora claro que a falta de professores é uma … evidência. Responsabilidades? Nenhuma, evidentemente.

Como se não bastasse a falta de docentes, apesar do abaixamento do número de alunos a frequentar o ensino básico e secundário, temos agora a falta de vagas nas escolas para muitos alunos.

O Ministro da Inovação, evidentemente, inova, ou seja, aumenta o número de alunos por turma porque, lá está, a evidência diz que 30 alunos por turma é tranquilo. Também me parece evidente, as escolas têm recursos suficientes para lidar com isto. Ainda bem.

No meio, apesar da evidência resultante do teste à (chamemos-lhe assim) digitalização dos exames finais realizado no ano passado, o processo este ano correu mal, outra evidência, mas que, mais uma evidência, responsabilidades assumidas, nenhuma evidentemente.

Acresce ainda que, com a divulgação dos resultados do PISA 2025, se desencadeou uma animada controvérsia sobre as evidências e a sua leitura, com a evidente divergência de pontos de vista que, como se sabe, são uma vista a partir de um ponto, o de cada um.

E como alguém dizia, assim se cumpre Portugal, uns vão bem … outros mal.

Temos só um pequeno problema, o futuro, mas recuperando o mantra da pandemia, “vai correr bem”.

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