AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

sexta-feira, 9 de julho de 2021

OS DIAS DO ALENTEJO

Umas notas fora da agenda.

 Os dias no Alentejo, desta vez com os netos, começam com a ida à vila para as compras e, como não pode deixar de ser, para umas lérias.

Hoje precisava de passar pela farmácia e à minha frente estava uma senhora com uma idade que certamente já lhe pesará que media “os diabetes” e o colesterol em simpática conversa com a farmacêutica. Por aqui ainda se conversa enquanto “nos aviamos”.

Bom, Dona Maria, o colesterol está muito bem, mas o “valor da diabetes” está alto, disse a farmacêutica ao que a Dona Maria respondeu com a dúvida sobre o que fazer, pois até toma os remédios. “Tem que comer menos hidratos de carbonos, menos doces, a senhora já sabe” insiste a farmacêutica.

A Dona Maria pareceu aceitar a sugestão, mas ainda “protestou”, “Tal estão as coisas, dantes queria comer e não tinha que comer, agora tenho alguma coisinha para comer e não posso. Parece que a gente como eu nunca pode comer.”

Percebe-se e deve relativizar-se a apreciação, mas é bom não esquecer que muita gente passou mal em Portugal. Há gente que ignora ou faz por esquecer o que se passou, como há gente que ignora ou faz por esquecer o que se passa ainda hoje.

E são também assim os dias do Alentejo, hoje particularmente ásperos pelo calor.

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