AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

sábado, 8 de setembro de 2018

À PROCURA DE "UM MANUAL DE INSTRUÇÕES PARA O REGRESSO ÀS AULAS"


Mais do que me parece ser habitual nestes dias a imprensa tem apresentado múltiplas abordagens ao início do ano lectivo.
É verdade que o arranque deste ano, para além de ser marcado com os habituais sobressaltos e atrasos na colocação dos professores e funcionários, é ainda marcado pelo conflito sem fim à vista entre professores ME, pelas mudanças significativas decorrentes do alargamento aquilo a que chamam de “flexibilização curricular”, da definição em cima da hora das “aprendizagens essenciais”, das mudanças também já muito perto do início dos trabalhos em matéria de educação inclusiva, entre outras.
A esmagadora maioria das abordagens da imprensa parece perseguir o estabelecimento de uma espécie de “Manual de Instruções para o regresso às aulas”.
Surgem inúmeros os conselhos e orientações para diferentes destinatários, ouvem-se professores, pais, alunos, especialistas e opinadores, como sabem a educação não é matéria de saber, é matéria de opinião. Estou à vontade nesta apreciação porque também dei a minha colaboração a um destes trabalhos, na Visão. Desculparão por ser parte interessada, mas esta abordagem apela mais à reflexão que à tentativa de estabelecer receitas e por isso me parece interessante.
No entanto e neste espaço também deixo um pequeno contributo para o que eu desejaria que fosse o próximo ano lectivo.
É uma ideia muito simples como todas as utopias.
Gostava que todos os alunos, os mais novos aos mais velhos, os que são dispensados pelo tribunal do seu direito à educação por razões culturais, os que não acompanham o ritmo, não têm jeito para a escola e são diferentes, os que não cabem nos lugares e espaços que estão formatados à sua espera, enfim, que todos, mas mesmo todos, quisessem fugir diariamente para a escola. Não porque se sentissem mal nos seus contextos familiares mas porque se sentem bem na escola, participam, sentem que pertencem e aprendem.
Gostava que todos os professores, mas mesmo todos, quisessem diariamente fugir para a escola, mesmo quando estão cansados. Que sentissem como seu trabalho de construção do futuro é fundamental para todos os alunos, que se sentissem valorizados e reconhecidos por toda a comunidade, que se sentissem apoiados por colegas, direcções e pais.
Gostava que que diariamente muitos pais quisessem fugir para a escola. Não porque desgostem de tudo o resto mas porque quando entram na escola se sentem bem-vindos, sentem que os filhos também gostam que eles lá vão e o quanto isso é importante para o sucesso do trabalho de filhos e professores.
Gostava que diariamente … bom, acho que o meu contributo está a ficar demasiado extenso, os manuais querem-se breves e prescritivos.
Sejam felizes.

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