AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 18 de junho de 2015

PAIS, ESCOLA E REDES DE COMUNICAÇÃO

As redes de comunicação, de todas as naturezas, são parte integrante do nosso quotidiano e desempenham um papel fundamental. No entanto, o espaço e o suporte de muitas destas redes, vizinhança, social, profissional tem vindo a ser ocupado, sinais dos tempos por suportes virtuais que agilizam alargam essa comunicação.
Também no campo da educação se tem vindo a instalar este recurso às redes de comunicação. Recordo o exemplo da rede Weduc já a operar há algum tempo que procura estabelecer uma rede de comunicação mais eficaz e operacional entre os pais e a escola permitindo a troca de saberes e informação em tempo real sobre muitíssimos aspectos da vida escolar dos miúdos e ainda para além de outras funcionalidades, o contacto, em rede claro, com outros pais.
Como muitas vezes aqui tenho afirmado qualquer dispositivo ou suporte que incremente a qualidade e o nível de envolvimento e participação dos pais na vida escolar dos filhos é, por princípio, positivo pois essa é uma necessidade e uma dificuldade sentida por pais e professores.
No entanto, gostava de deixar umas notas sobre estes dispositivos.
A relação dos pais com a escola e a sua participação e envolvimento na vida escolar dos miúdos não se esgota na relação presencial ou virtual com os professores ou outros elementos da escola. Do meu ponto de vista, uma parte muito importante deste envolvimento passa pela relação directa, sem mediação, com os miúdos.
Nesta perspectiva, importa estar atento a que alguns pais, devido aos estilos de vida e a um tempo que sempre escasseia, possam, mesmo que de forma menos consciente, sentir que estando em permanente e fácil contacto com a escola, com os professores, pode ser "diminuído" o seu tempo o tempo com os miúdos a propósito da vida escolar.
Os miúdos precisam de sentir que os pais se interessam pelo seu "trabalho", pelos incidentes do dia-a-dia, pelas suas brincadeiras, dificuldades, amigos sucessos, etc., enfim pelo seu mundo. Acontece que este diálogo deve, tanto quanto possível e por vezes não é fácil, ser presencial e regular, ou seja, os aspectos muito positivos que as redes envolvem não podem servir de suporte, paradoxal, a um maior afastamento dos pais face aos miúdos porque "já sabem tudo" sobre a escola.
Alguns pais poderão, de facto, saber bastante mais sobre a escola mas poderão correr o risco de ir sabendo menos sobre os filhos. 
Os miúdos mais do que alunos, continuam filhos. Os pais não se podem esquecer disso. Por estranho que pareça às vezes esquecem, veja-se a recente proposta de manter os alunos na escola onze menos por ano sabendo nós como os horários da escola são a tempo inteiro.

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