AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

domingo, 30 de junho de 2013

A TRAGÉDIA DOS FOGOS. SERÁ DESTINO?

A subida das temperaturas, própria do tempo em que estamos, traz para a agenda a questão dos fogos florestais. O Público apresenta um trabalho sobre esta matéria sublinhando o progressivo desinvestimento na prevenção privilegiando o combate após a deflagração. O resultado é terrível conforme pudemos verificar com a tragédia de 2012 dos fogos na Madeira e em Tavira, a título de exemplo, dadas as suas gigantescas proporções e efeitos devastadores.
Um Inverno que se prolongou e foi chuvoso deixou as zonas não habitadas com uma enorme cobertura vegetal de enormes que se constitui como uma enorme quantidade de combustível a que só falta um gesto criminoso, um comportamento negligente ou um qualquer incidente para se transformar em potenciais tragédias.
Para este ano anunciam-se novas estruturas de resposta rápida e meios de combate, designadamente meios aéreos mais sofisticados. É sempre assim, todos os anos somos informados de melhorias nos dispositivos de prevenção e combate, no aumento de meios à disposição, na racionalização da gestão dos recursos, etc. etc.
Entretanto, quando se começar a verificar a ocorrência mais frequente de fogos teremos o costume, a comunicação social, sobretudo a televisiva, de forma frequentemente desajeitada,  a mostrar o "terreno", o "cenário dantesco", a ouvir "moradores que passaram uma noite em branco", a ouvir o "senhor comandante dos bombeiros", a referir os "meios aéreos, dois Canadairs e um Kamov", a ouvir os "responsáveis locais ou regionais da protecção civil", a gravar despudoradamente imagens de dor, sofrimento e perda de gente anónima que tendo quase nada, vê arder o quase tudo, parece um filme sempre visto e sem surpresas.
É evidente que temperaturas muito altas e vento que nos caracterizam durante os meses de Verão são condições desfavoráveis, mas a falta de prevenção, a negligência e delinquência dão um contributo fortíssimo ao inferno que sobressalta cada Verão.
Sem nenhuma espécie de conhecimento destas matérias, para além do interesse e preocupação de um cidadão atento e preocupado com os custos enormes destes cenários de destruição, tenho alguma dificuldade, considerando a dimensão do nosso país, em compreender a inevitabilidade destes cenários. Os espanhóis têm por uso afirmar que os incêndios se combatem no inverno, nós combatemo-los no inferno.
Trata-se de um destino que não pode ser evitado? Trata-se de uma área de negócios, a fileira do fogo, que, pelos muitos milhões que envolve, importa manter e fazer funcionar sazonalmente? Trata-se "só" de incompetência na decisão política e técnica em termos de resposta e prevenção? Trata-se da falência de modelos de desenvolvimento facilitadores de desertificação e abandono, designadamente das área rurais?
O poeta falava de um fogo que arde sem se ver, é bonita a imagem. Mas quando um fogo arde e se vêem os seus efeitos devastadores e dramáticos, dói mais e não se perdoa.
Acresce que em Portugal passamos o ano todo a apagar fogos de diferentes naturezas e implicações.

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