AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

sexta-feira, 7 de junho de 2013

A GREVE BOA E A GREVE MÁ

O processo de contestação e greve em desenvolvimento pelos professores tem sido uma narrativa, como agora se diz, curiosa.
Em primeiro lugar, reafirmo que não me pronuncio sobre a posição tomada pelos professores relativa aos aspectos profissionais que estão envolvidos, mas também entendo que alguns dos problemas colocados pelos professores são também problemas da comunidade pois, do meu ponto de vista, envolvem a qualidade do sistema público de educação. Também não esqueço a sempre presente componente de luta partidária e como o universo da educação é um palco privilegiado desta luta.
O que me parece de facto curioso é a proliferação de discursos sobre os efeitos da greve dos docentes, designadamente no que respeita a perturbações envolvendo os alunos e que foram proferidos pelas mais diversas vozes e em diferentes tons, incluindo Nuno Crato, obviamente, Paulo Portas, Passos Coelho ou Cavaco Silva bem como, compreensívelmente, por parte dos pais.
Como também já escrevi, creio que a maioria dos professores não quereria sentir motivos para realizar a greve com os constrangimentos que dela poderão resultar. O que tenho alguma dificuldade em perceber é como pode uma greve de professores não ter impacto nos alunos. Provavelmente só mesmo realizada nas férias o que parece uma hipótese remota. O recurso à greve assenta, justamente no impacto que ela tem, não há volta a dar.
Hoje surge outra perplexidade, Passos Coelho resolveu apelar para que os professores canalizem o seu protesto para a greve geral em vez de a realizar agora.
Compreendo, naturalmente, que a situação criada pela greve de professores também não seja “simpática” para o Governo por todas as razões e mais algumas.
O que me surpreende é um Primeiro-ministro sugerir como e quando devem realizar-se as acções de protesto de algum grupo face às suas políticas desde que, evidentemente, esse grupo se respeite as normas legais nos protestos que desenvolve.
Creio que esta afirmação mostra como o Primeiro-ministro desvaloriza a greve geral e o seu impacto, chatices da democracia, pelo que os professores poderiam protestar nesse dia e pronto, não se falava mais nisso.
A PEC – Política Educativa em Curso continuaria sem sobressaltos.
Uma nota final para para reafirmar que parte das medidas de política educativa que têm sido desenvolvidas e são anunciadas como intenção, também me parecem prejudicar seriamente os alunos. Estranhamente ou talvez não, as preocupadas vozes que tanto são sensíveis ao impacto da greve nos alunos mantêm um discreto silêncio sobre tais matérias.

3 comentários:

  1. E mais curioso ainda é saber que para o dia da Greve Geral (27 de Junho)também estão agendados exames, nomeadamente de Matemática, no 6º e 9º ano.
    Passos Coelho desvalorizará os exames do Ensino Básico e o prejuízo para estes alunos em prol dos do Ensino Secundário ou será apenas imponderado e desbocado, manifestando-se sem consultar os seus assessores?!

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  2. «Pais consideram “irónica” sugestão de passar greve dos professores para dia 27

    Embora considerem que a sugestão feita por Passos Coelho possa “minimizar impacto da greve”, pais lembram que no dia de greve geral também há exames.

    08-06-2013 10:44
    [...]»

    http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=110469

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  3. "A greve é um direito constitucional" dizem todos os actores, mas apenas se não prejudicar ninguém. Assim, os sindicatos, neste caso dos professores deveriam marcar a greve para um sábado ou domingo. Haveria ainda a alternativa do mês de Agosto, mas só lá para meados do mês, porque com a bagunça que se está a criar, duvido que nos primeiros dias os professores estejam livres para tirar uns dias de férias. Haverá alguma greve aceitável por estes senhores? Só se for uma greve dos reformados, essa sim, não incomoda ninguém.

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