AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

POUPADINHOS

O Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio alertou para a preocupante baixa taxa de poupança evidenciada pelas famílias portuguesas. No entanto, com algum optimismo, admite que nos próximos anos a situação possa melhorar.
Creio que o Senhor Governador já estava a levar em conta o crescente espírito de poupança que os portugueses revelam no abastecimento dos seus carros. De facto, segundo dados da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, cerca de 40 500 cidadãos abastecerão os seus veículos sem pagar durante 2007. Tal procedimento leva a uma poupança de 1.5 milhões de euros. Depois de começarmos a poupar não pagando os empréstimos bancários, poupamos não pagando o combustível e a seguir veremos. Gente empreendedora e poupadinha. É certo que os vencimentos e pensões também são poupadinhos.

ESCUTAS A MAIS OU ESCUTAS A MENOS?

Nos últimos tempos o tema “escutas” tem sido objecto de exaustivas e diversificadas notícias e análises na imprensa. De uma maneira geral, os opinantes tendem a entender que temos “escutas” a mais sugerindo a ideia de que, parece, “toda a gente” é escutada.

Lamento mas estou em completo desacordo com este entendimento. Uma das características das sociedades actuais, da portuguesa também, é justamente a pouca escuta que as pessoas merecem. Os pais não escutam os filhos que, por sua vez, não escutam os pais. Os alunos não escutam os professores que, por sua vez, não escutam os alunos. Os políticos não escutam os cidadãos que, por sua vez, não escutam os políticos. Os novos não escutam os velhos que, por sua vez, não escutam nada. As famílias não escutam os familiares que, por sua vez, não escutam as famílias. Finalmente, eu não escuto ninguém e, por sua vez, ninguém me escuta a mim. Escutas a mais?

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O MAU ESTADO DO ESTADO

Um estudo realizado pela Universidade Católica conclui que 74%, 3 em cada 4, dos cidadãos inquiridos entende que o Estado, a Administração, funciona pior ou muito pior que o sector privado.

Num país completamente “subsídiodependente”, com um Estado muito gordo e com presença a mais que tudo tutela ou quer tutelar, parece-me profundamente injusta e ingrata a apreciação. Como diz o povo “não se morde a mão que nos dá o pão”. Provavelmente, o cidadão em cada quatro que foge à apreciação negativa ainda não obteve um qualquer subsídio ou apoio. Deve manter a esperança e quando for contemplado não andar a defender que “isto do Estado anda muita mal derivado à falta de dinheiro prá ajudar a gente”.

domingo, 28 de outubro de 2007

FALTAS, EXAMES, CHUMBOS E ... RUÍDO

Algumas notas (breves) sobre faltas, exames, chumbos e … ruído.
1 – Não me parece adequado tratar da mesma forma o absentismo justificado e injustificado na escolaridade obrigatória e no pós-obrigatório (secundário por exemplo). A relação dos alunos com a escola e com os pais, a relação da escola como os alunos e com os pais e a relação dos pais com os alunos e com a escola não é semelhante em todas as idades. Pensemos nesta questão considerando um aluno de 8 anos e um de 17. A idade é indiferente?
2 - Durante o período de escolaridade que a comunidade entende em cada tempo que TODOS devem ter, e por isso lhe chama obrigatória, todas as medidas devem ter um carácter de inclusão na comunidade escolar e não se constituírem como medidas potenciadoras de exclusão, que comprometem o próprio desígnio de cumprimento com sucesso da escolaridade obrigatória.
3 – Não parece um bom sinal admitir que faltas justificadas ou injustificadas têm exactamente o mesmo efeito, a realização de uma prova que a escola, cada escola, decidirá que consequência pode ter para o aluno. Fenómenos educativos com causas diferentes não parecem solicitar respostas semelhantes. Só por acaso é que podem acertar.
4 – Contrariamente ao que uma visão conservadora faz crer, nenhum estudo sério prova que os alunos só porque chumbam passam a ter sucesso. Isto não equivale a dizer que não entenda o chumbo em algumas circunstâncias e ponderando factores individuais como idade e recursos.
5 – O chumbo, com demasiada frequência, não passa de uma medida de natureza administrativa que, como referi no ponto anterior, assenta na errada convicção de que basta repetir para ser bem-sucedido. O chumbo, a acontecer, deve obrigatoriamente contemplar uma perspectiva de natureza pedagógica, ou seja, “vamos chumbar o aluno por este conjunto de razões e no próximo ano vamos estruturar este dispositivo de apoio visando o seu progresso”.
6 – Algumas perspectivas mais conservadoras e/ou ignorantes estrebucham lutando por mais exames. Parecem ter o estranho entendimento de que “se medirem muitas vezes a febre, esta acabará por baixar”. A questão central é a qualidade dos processos educativos (escolares e familiares), avaliação regular e exigente e formas de apoio de natureza técnica e pedagógica a alunos, professores e pais e não exclusivamente exames pontuais sem efeito positivo óbvio e/ou medidas de natureza administrativa como muitas vezes é o “chumbo”, sem verdadeiro impacto na qualidade.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

NADA DE MAIS SÉRIO NA VIDA DOS PUTOS DO QUE BRINCAR

Hoje, num evento ligado à minha actividade profissional, discutia-se a questão das brincadeiras das crianças, da sua importância e da forma como as famílias e a comunidade em geral tendem a encará-las. Parece evidente que para muitas crianças a brincadeira é uma actividade em vias de extinção. Na vida de algumas porque, transformadas em “crianças agenda”, saltam, muitas vezes a contragosto, de actividade em actividade, sem tempo para si mas enchendo o tempo e usando o banco de trás do carro como parque infantil. Outras, são convidados pelos adultos (pais e educadores) a envolverem-se actividades e “jogos” que fazem bem a “imensa coisa” e, no fundo, ajudam (crê-se) a prepará-las para a excelência. Finalmente, um outro grupo que, abandonado, se cola a um ecrã. Nestes contextos, as crianças dificilmente acedem a um espaço e a um tempo seus, com actividades suas e com materiais seus. Muitos entendem, mal, que isto é um desperdício de tempo e de oportunidades para aprender (fazer) coisas "úteis".

Oiçam os putos. Nada de mais sério existe na vida deles do que brincar.

PS – Volto Domingo, brinquem à vontade. A sério.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

ELES AÍ ESTÃO, OS RANKINGS, DE NOVO

O Outono, entre outras coisas bem mais interessantes, traz-nos a sazonal divulgação das classificações das escolas conhecida pela questão dos “rankings”. Depois de uma acesa batalha em muitos aspectos liderada por “neocons” ultraliberais pouco conhecedores, como por exemplo José Manuel Fernandes, temos a rotina, o Ministério divulga os resultados e dados relativos às escolas, alguma imprensa entretém-se a olhar para esses dados e produzem-se umas classificações “criteriosas”, com “indicadores ponderados”, utilizando “diferentes critérios”, etc. etc. Curiosamente, os estudos publicados concluem invariavelmente por: “supremacia das escolas privadas face às públicas”, por exemplo, nas diferentes listas produzidas entre as 10 primeiras escolas figura apenas uma pública; as escolas do litoral apresentam genericamente melhores indicadores que as do interior, como seria de esperar num país assimétrico e litoralizado, sendo ainda que os pólos de Lisboa, Coimbra e Porto acolhem as escolas que genericamente melhores resultados evidenciam; as escolas das regiões autónomas mostram globalmente piores indicadores, etc. Parece-me claro que, para quem conhece minimamente o país, em particular o país educativo, estes dados são obviamente previsíveis. A minha questão é “QUAL O CONTRIBUTO SIGNIFICATIVO QUE A ORGANIZAÇÃO E DIVULGAÇÃO DESTES RANKINGS OFERECE PARA A MELHORIA DA QUALIDADE DO SISTEMA?”. No meu entendimento a resposta é: “pouco relevante”. E tanto mais o será quanto menor é a qualidade de vida social, económica e cultural das populações, comprometendo de forma inaceitável princípios de equidade. A este propósito, vale a pena recordar o recente relatório do Instituto de Segurança Social referindo a existência de 2,1 milhões pessoas em situação de pobreza. Rankings? Uma treta ultraliberal.

Sendo um defensor intransigente de uma cultura e prática de exigência, avaliação e qualidade, parece-me bem mais importante o aprofundamento dos mecanismos de autonomia e responsabilização e a constituição obrigatória em todos os agrupamentos ou escolas de Observatórios de Qualidade que integrem também elementos exteriores à escola. Existem capacidade técnica e recursos suficientes. O trabalho realizado por esse Observatório, este sim, deveria ser divulgado e discutido em cada comunidade.

PLANO NACIONAL DE LEITURA

Um dia de terça-feira sempre muito comprido, dificulta o contacto com este espaço e impediu-me de ter oportunamente sublinhado alguns resultados positivos que o Plano Nacional de Leitura parece evidenciar, pese algumas dificuldades referidas por escolas envolvidas no processo de avaliação realizado pelo Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do ISCTE.

Entre os aspectos encorajadores dos estudos recentes sobre hábitos de leitura, é importante registar que os alunos de 5º e 6º anos , 10 – 12 anos de idade, parecem ser os leitores mais entusiasmados o que será um bom prognóstico sobre o incremento de hábitos de leitura, minimizando um outro indicador segundo o qual 97.5% dos portugueses destina a “ver televisão” os seus tempos livres.

É também importante tentar contrariar uma tendência evidenciada no sentido de, ao longo da escolaridade, se verificar um abaixamento nos hábitos de leitura exceptuando os alunos que pretendem continuar a estudar. Este facto sugere algo de natural, a ligação entre a qualificação e a leitura, e reforça a importância de contrariar fenómenos de abandono e insucesso escolar.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

MINORIAS E DESENVOLVIMENTO


As conclusões do 9º Congresso Nacional de Deficientes apontam para a situação complicada em que muitas pessoas com deficiência (sobre)vivem. Sublinham as políticas ineficazes e desatentas de sucessivos governos e identificam a Saúde, Emprego e Reabilitação, Acessibilidades e Barreiras e ainda a Educação como as áreas de maiores dificuldades e em que mais frequentemente os deficientes se sentem discriminados.
Há muito tempo que entendo, como muitas outras pessoas, que um dos bons indicadores de desenvolvimento de uma comunidade, é a forma como cuida das suas minorias. Logo, o caminho é longo, não é fácil, mas torna-se necessária vontade política e uma mais sólida cultura de solidariedade e exigência.

domingo, 21 de outubro de 2007

O MEU PAI NÃO BRINCA COMIGO

O Expresso noticia de forma discreta, como o tema justifica, que, de acordo com um estudo internacional apresentado este sábado em Lisboa, as crianças portuguesas são as que brincam menos tempo com os pais, isto é, 6% das crianças afirmam brincar diariamente com os pais enquanto nos outros oito países temos cerca de 20%. De forma coerente, também se constatou que o tempo destinado a ver TV pelas crianças portuguesas é cerca do dobro do que se verifica nos outros países.
Estou a lembrar-me de uma velha estorinha que já aqui citei.
- Pai…
- Sim.
- Pai… Quanto ganhas por uma hora de trabalho?
- Que pergunta!
- Responde.
- Cerca de 30 €.
(algum tempo depois)
- Pai…
- Sim.
- Tenho aqui 30 € que juntei. Podes vir brincar comigo uma hora?
Mais do que constatar o que já sabemos, importa que possamos perceber como, no mundo actual, real e não ideal, podemos ter gente mais disponível para os filhos, e filhos menos dependentes de ecrã para estarem acompanhados.

PS – Nesta perspectiva foi comovente ver o Dr. Menezes acompanhado por um dos filhos a visitar o Bairro da Cova da Moura e justificar a presença do gaiato pelo facto de, trabalhando tantos dias a forma de estar com os filhos é trazê-los para o trabalho. Notável.

JOSÉ MANUEL FERNANDES E O DIREITO AO DISPARATE

José Manuel Fernandes, director do Público conhecido pela sua capacidade de opinar sobre tudo (e por isso um dos mais ilustres tudólogos da praça) deu hoje um passo de gigante na aproximação que tem vindo a fazer ao universo mais conservador da opinião publicada em Portugal. O tudólogo JM Fernandes, em Editorial a propósito das afirmações do Nobel da Medicina James Watson (de que ele próprio já se retratou) sobre a inferioridade intelectual dos negros, afirma que as reacções negativas que se desencadearam, cancelamento de conferências por exemplo, configuram um delito de opinião e logo um excesso inaceitável.
Existe um equívoco neste discurso do tudólogo JM Fernandes. Quando alguém entrevista um Nobel da Medicina, precursor dos estudos sobre o ADN não se espera uma “opinião” sobre a eventual superioridade genética dos brancos, espera-se que o seu conhecimento (saber) ajude a compreender as matérias em discussão. Opinião tem o tudólogo JM Fernandes quando fala sobre o que manifestamente não sabe, o que aliás acontece com frequência. É de notar que o próprio Watson em declarações posteriores reconhece que o estado actual dos CONHECIMENTOS (e não das opiniões) não permite sustentar as afirmações que ele próprio subscrevera. No entanto, como vai sendo hábito em Portugal, os medíocres são sempre mais papistas que o papa. Num aspecto concordo com o tudólogo JM Fernandes, não podemos abdicar do direito ao disparate.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

O GOVERNO E A RUA


Nenhum Governo pode ou deve governar a pensar exclusivamente na rua. Mas também nenhum governo pode ter a arrogância de esquecer a rua. 200 000 pessoas numa manifestação a 18 de Outubro de 2007, um dia útil, é muita rua.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

JORNALISMO DE SARJETA E "BOA IMPRENSA"

Há algum tempo atrás, o Ministro Santos Silva inflamou a opinião publicada ao referir-se a um “jornalismo de sarjeta”. Hoje relembrei a expressão ao deparar com a primeira página do “24 Horas” que rezava “Eusébio apanhado com uma mulher pela polícia”. Não entendo como isto pode ser uma “notícia” e, portanto, susceptível de publicação e muito menos entendo a chamada à primeira página. No entanto, o que mais me incomoda e entristece, é acreditar que alguém comprará o jornal atraído por aquela “notícia”.
Outra situação interessante é o facto de o DN referir, também em primeira página e de forma destacada, a publicação na próxima semana de um novo livro de Miguel Sousa Tavares enquanto no mesmo dia e de forma discretíssima se informava que foi atribuído a Gonçalo M. Tavares o mais importante prémio literário brasileiro pelo seu romance “Jerusalém”. Como se percebe, há Tavares e Tavares. Na gíria da comunicação social chama-se a isto ter “boa imprensa”. Não é intelectualmente sério.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

POBREZA E ESPERANÇA

(Foto de Francisco Garrett)
Na agenda das consciências assinala-se hoje o Dia Mundial de Erradicação da Pobreza. No que respeita a Portugal, cerca de 2,1 milhões de portugueses, 19% da população, vivem em situação de pobreza. Destes, 740 000 vivem com menos de 240 €, sublinho 240 €, por mês. Por coincidência é também divulgado que, entre 2008 e 2013, no âmbito do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN), Portugal receberá cerca de 9,8 milhões de euros por dia. Seria interessante que alguém pudesse explicar ao João e à Maria, dois daqueles 740 000 que têm menos de 240 € por mês, que a vida deles pode mudar. O problema é que eu acho que eles não vão acreditar.

ESTOU COMOVIDO

Hoje algumas notícias deixaram-me comovido e com a sensação renovada de que vale a pena viver. Vejam.
Uma cidade alentejana, Beja, um conhecidíssimo bastião dos ideais monárquicos, recebeu com pompa, circunstância e afecto Suas Altezas Reais os Príncipes das Astúrias. Vieram premiar o Alqueva, uma conhecida central de rega e pólo de desenvolvimento turístico. É muito bonito e afasta a velha e xenófoba ideia de que “de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento”.
O Ministro das Finanças afirma solenemente que “não podemos reprimir salarialmente os funcionários”(!!). Os funcionários ficaram bem mais descansados com esta declaração e convencidos de que o que lhes tem acontecido nos últimos anos, se deve a gralha, mais uma, do Ministério das Finanças.
A atitude do BCP de perdoar dívidas de vários milhões de euros ao filho de Jardim Gonçalves, só pode ser entendida como uma nobre e já pouco vista preocupação de poupar a um velho pai o desgosto com algumas diabruras e excessos próprias da juventude do seu gaiato. Lindo.
A U.E. comprometeu-se a aumentar a ajuda ao Comércio Internacional privilegiando os países de África, Caraíbas e Pacífico. Os governantes de muitos destes países já estarão a pensar onde vão guardar a “ajuda” e os seus povos nem saberão que ela existe. Mas é uma atitude solidária e desinteressada que só enobrece a U.E.
O Dr. Vítor Santos responsável pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, ERSE, disse-nos que os aumentos da tarifa de electricidade não serão superiores a “duas bicas” para a maioria das famílias. O povo ainda não sabe como agradecer tamanha generosidade.
Vejam lá se não tenho razão para pensar que foi um daqueles dias que valeu a pena.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

É MAIS UM ILUMINADO, O DR. MENEZES

Estou entusiasmado. O Dr. Catavento Menezes afirma que “há muitos portugueses a precisar de um farol que lhes indique o caminho”. O homem não se enxerga. Ouve a conhecida fórmula “iluminai-nos Senhor” e pensa que é com ele. Olhe que aquilo a que gosta de chamar “as bases” e que o Dr. Barroso tratava por "Zé", já não está à espera de um D. Sebastião ou de um Messias salvador da pátria e pastor de um rebanho tresmalhado. O pessoal está farto de iluminados a querer dar luz que, na maior parte das vezes, é baça.
O menino guerreiro, o Dr. Santana Lopes, agora retirado da vida artística e mais dado ao trabalho, diz no DN que não teve culpa de suceder a Barroso. Pois não. Fomos nós que desejámos e nos batemos em eleições para colocar esta surreal figura como Primeiro-ministro esperando alguma coisa de útil e não dirigida ao seu enorme umbigo. Mas ele já está aí pronto para, numa estreitíssima, sincera e desinteressada colaboração com o Dr. Menezes o substituir na primeira curva da estrada. Sem surpresas. É tudo farinha do mesmo saco.

domingo, 14 de outubro de 2007

NOTAS DO PORTUGAL DOS PEQUENINOS

A leitura da imprensa, como sempre, fez-me saber coisas no mínimo interessantes sobre o Portugal dos pequeninos.
O Congresso do PSD foi a construção da unidade e coesão em torno do novo líder e dos políticos de enorme qualidade (atenção ASAE) que se acotovelam para um lugarzinho. Esta unidade e coesão parecem bem traduzidas no facto de o Dr. Menezes ter conseguido eleger apenas um terço dos elementos do Conselho Nacional, órgão máximo do partido.
A Dra. Catalina Pestana diz ter uma lista de alegados abusadores de crianças e jovens que será divulgada daqui a 25 anos (!!). Já ouviram falar numa figura chamada “supremo interesse da criança”?
A extinção da Direcção Geral de Viação parece ter levado à paragem de milhares de processos de infracção correndo-se o risco de prescrição de uma boa parte deles. A cidadania agradece o sinal que a rapidez e eficácia da justiça transmitem.
O Correio da Manhã informa em capa que Mourinho, o “special one”, saiu de casa. Fiquei naturalmente preocupado e a torcer para que tudo se recomponha e não tenhamos mais um lar desfeito. Desta vez o menino guerreiro, o Dr. Santana Lopes, parece que não saiu da capa do CM substituído por uma notícia que tanto interessa aos portugueses.
O Orçamento Geral de Estado foi entregue com uma gralha já assumida pelo Ministério das Finanças. Ao que se ouve parece que existem mais. Veremos.
O BCP parece que terá perdoado dívidas de alguns milhões de euros a um cliente insolvente, por acaso, filho do Eng. Jardim Gonçalves. O moço diz que o facto de se chamar Jardim Gonçalves o tem prejudicado. Ele há coisas fantásticas.
Por falar em fantástico, fiquei deveras impressionado com os números do último concerto da digressão do grande Tony Carreira realizado em Gondomar. Parece que, como é hábito, até milagres se realizaram do tipo “eu dantes tava deprimida e só d’o ouvir fico logo boa”. Os pastorinhos que se cuidem.

O PORCO PRETO DE "AVIÁRIO"

Notícias do meu Alentejo. A chuva que já apareceu ajuda a pintar de verde a terra. Isto quer dizer que chegou a altura de a começar a fabricar. Mas devo dizer-vos que umas horas em cima do tractor só se aguentam com os olhos cheios daquela luz, com o cheiro da terra mexida e com a companhia da colónia de carraceiros (garças-boieiras) que sempre seguem o tractor catando a bicharada.
Entretanto, um amigo do meu Alentejo esclareceu-me sobre um mistério que não percebia. Estando na moda a criação de porco preto em herdades alentejanas em parceria com os espanhóis, fazia-me um bocado de confusão ver os porcos em engorda intensiva com rações e farinhas fornecidas de Espanha e depois serem lá transformados criando, entre outros produtos, o famoso Pata Negra. O consumidor compra, assim, porco que acredita ser de montado mas, de facto, é criado em “porcário” não desconfiando que as azinheiras não dão bolota todo o ano, mas que as fábricas fornecem farinhas todos os dias. A questão é que o licenciamento para a criação de porcos, pressupõe a existência de uma área compatível com o número e necessidades de mobilidade dos animais, área de montado, e ninguém controla se eles estão fechados às centenas em espaços mínimos e em engorda intensiva. Atenção ao que compram como sendo Pata Negra de porco ibérico de montado.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O CATAVENTISMO DA ZITA E O MILAGRE DOS PASTORINHOS

A agenda de hoje suscita-me dois comentários a partir de duas situações bem diferentes. Em primeiro lugar e de acordo com alguma imprensa, Zita Seabra parece reunir condições e estar na corrida para a liderança da bancada parlamentar do PSD. É-me relativamente indiferente a decisão que, nesta matéria, o Dr. Menezes venha a tomar embora simpatize com a ideia de ver o menino guerreiro, o Dr.Santana, com as suas competências de malabarista e animador humorístico nos debates com o Engenheiro do marketing. No entanto, este trajecto de Zita Seabra é um excelente exemplo, apenas mais um, do cataventismo político que de forma despudorada caracteriza boa parte da classe política. Aliás as sucessivas cambalhotas de Zita Seabra são coerentes com o trajecto da grande figura que é o seu novo chefe, o famoso contorcionista Menezes.
O segundo comentário prende-se com a notícia de que o milagre da cura de um menino com diabetes, alegadamente realizado pelos pastorinhos de Fátima, está a levantar algumas reservas aos médicos especialistas. Estas reservas estão a preocupar o Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos uma vez que se complica o processo de canonização do pastorinho Francisco e da pastorinha Jacinta. A sério? Então a comunidade médica especializada duvida do milagre da cura? Então teremos também que duvidar dos milagres? Que vai ser da nossa gente que de forma tão frequente afirma “só por milagre é qu’isto muda"? Doutores médicos, vá lá, por favor, digam depressa que foi um milagre.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

INSTITUIÇÃO A MAIS E PESSOA A MENOS

Uma das maiores conquistas das sociedades modernas, democráticas e abertas é a defesa e promoção das liberdades e direitos individuais sustentando a afirmação da autonomia de cada indivíduo e da sua capacidade de autodeterminação, ainda que inscrito em diferentes redes sociais. Esta arrevesada introdução serve para me referir à inquietação de hoje, uma excessiva “institucionalização” da nossa vida.
Já esta semana soubemos que continuamos com um número altíssimo de crianças e jovens institucionalizados, muitos dos quais sem projecto de vida. Soubemos hoje que cerca de 80% dos doentes mentais internados têm essa condição há mais de um ano. Temos uma altíssima taxa de presos preventivos. Temos os alunos que mais tempo passam em instituições escolares. Temos os velhos cada vez mais institucionalizados. Temos práticas e comportamentos que são autênticas instituições como a corrupção, a fuga e fraude fiscal, a má condução, o cataventismo da maioria dos nossos políticos, a promiscuidade entre futebol, política e autarquias, etc. Temos ainda figuras que, por diferentes razões, são também verdadeiras instituições como o Dr. Lopes, o menino guerreiro agredido pelos irmãos desde a incubadora e agora um humilde soldado, o Major Valentim, conhecido distribuidor de electrodomésticos, o Professor Marcelo (o maior dos entertainers políticos), o Sr. Pinto da Costa, angelical e desinteressado ofertante de lembranças, o Sr. Luís Filipe Vieira, o líder da maior instituição portuguesa, o Glorioso, etc. Temos ainda completamente institucionalizadas uma taxa de desemprego demasiado alta e uma taxa de endividamento familiar cada vez mais pesada, e, finalmente, a mais deprimente das instituições, a descrença.
É. Temos cada vez mais instituição e cada vez menos pessoa.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

MANIFESTAÇÕES - O APOIO DA PSP

Lê-se e estranha-se. A PSP terá visitado as instalações do Sindicato de Professores da Zona Centro procurando informações sobre a eventual manifestação a realizar pelos sindicalistas no âmbito de uma visita do Sr. Primeiro-ministro à Covilhã. De acordo com o SPRC, as autoridades terão aconselhado “algum cuidado na linguagem” e no comportamento a adoptar. A Sra. Governadora Civil de Castelo Branco, a Comissária Serrasqueiro, acha o procedimento “habitual e rotineiro” nestas ocasiões.

Parece que tudo isto está a desencadear reacções menos positivas o que me surpreende. Então não passamos o tempo a reclamar um policiamento de proximidade? Temos pois a PSP em casa dos potenciais manifestantes. Não queremos cooperação entre as autoridades de segurança e a sociedade civil? Cá está, a participação conjunta na definição das palavras de ordem, comportamentos e percursos, o que é bonito, reconheçamos. Então não se exige prevenção? É claramente mais sensato avisar os senhores manifestantes sobre como as coisas devem decorrer, do que tomar medidas mais pesadas se “o caldo se entornar”. E como diz a Comissária Serrasqueiro, trata-se de algo “habitual e rotineiro nestas situações”. E TAMBÉM MUITO TRISTE, E MUITO PREOCUPANTE.

PS – Para que conste, entendo que, sob a capa do direito à manifestação, não pode valer tudo, designadamente, insultos gratuitos e, por vezes, boçais que, do meu ponto de vista, diminuem as causas e os seus defensores.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

PACHECO PEREIRA E MÁRIO MACHADO

Entristeceu-me ver Pacheco Pereira, homem que respeito mesmo quando discordo, ser objecto de um agradecimento elogioso de natureza política por parte de um fascista delinquente chamado Mário Machado. Há momentos infelizes e creio que a intervenção de Pacheco Pereira sobre este"preso político" terá sido um desses momentos. Prefiro acreditar nisto.

CRIANÇAS INSTITUCIONALIZADAS

Foi divulgado o Relatório de 2006 sobre Crianças e Jovens em Situação de Acolhimento elaborado pelo Instituto de Segurança Social. Alguns dados. Das cerca de 12000 crianças e jovens institucionalizadas (número excessivamente elevado), 40% não recebem visitas da família, nem as visitam. Quase metade está institucionalizada há pelo menos 4 anos e 28% há mais de 6. Em idades mais baixas, quando o processo de adopção é mais viável, verifica-se que um terço do grupo até aos 3 anos está institucionalizado há mais de um ano. Em 7.4% das situações, não existe um projecto de vida definido. Finalmente, metade da população acolhida tem entre 12 e 17 anos o que praticamente inviabiliza a adopção. As justificações mais frequentes para o acolhimento continuam a ser negligência, abandono educativo e nos cuidados básicos e modelos parentais desviantes.

Não é possível que mantenhamos esta cultura de institucionalização que demite as instituições de se organizarem para estadias transitórias e não entender que, tão importante como acolher bem, é iniciar imediatamente a definição de um projecto que devolva às crianças um direito, o direito a uma família. A Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco e toda a tutela deveriam assumir de forma mais assertiva o desmontar da cultura dominante obrigando a que as instituições definam em tempo útil projectos de vida para as crianças e jovens. A vida não pode ser estar numa instituição até sair por limite de idade. Mas esta responsabilidade também é de todos.

domingo, 7 de outubro de 2007

MANIFESTAÇÃO OU INSULTO

Estou profundamente de acordo consigo Senhor Primeiro-ministro. Não é admissível confundir o direito de manifestação com o insulto. Quando tal se verifica, ou falta a educação, ou falta a razão, ou… faltam ambas.

Para que todos possamos evoluir, peço-lhe Senhor Primeiro-ministro que esteja atento, pois alguns membros do Governo, incluindo o Senhor, por vezes, falam e (re)agem de uma forma que insultam a inteligência do cidadão.

O 5 DE OUTUBRO, O PRESIDENTE E A EDUCAÇÃO

A minha habitual deslocação para o meu Alentejo, permite que um pequeno comentário ao discurso do Presidente da República com referências à educação e as reacções que lhe seguiram, seja feito depois da poeira assentar e ao mesmo tempo que recupero de uma tarde de sábado agarrado a uma inspiradora marreta a rachar lenha de azinho, enquanto o Mestre Marrafa lavava as oliveiras e laranjeiras, protegendo-as da mosca.
Os discursos dos Presidentes da República, sobretudo os integrados na liturgia da República, não passam normalmente de um exercício retórico, uma espécie de prova de vida política, sustentados num eufemismo chamado “magistratura de influência”. Causa-me, por isso, alguma perplexidade a agitação desenvolvida em torno das ideias (nada de novo) sobre educação desenvolvidas pelo PR. A oposição, como sempre, acha que o discurso é um importante “recado” ao Governo e este, como sempre, acha que o discurso sublinha as suas próprias políticas e preocupações. O habitual, política à portuguesa.
Circunstancialmente, este discurso aconteceu no Dia do Professor, o que amplificou uma referência do Presidente à necessidade dos professores serem prestigiados e de se fazerem prestigiar. Também aqui nada de novo. Parece óbvio que a percepção de confiança de uma comunidade passa, entre muitas outras coisas e sem hierarquia, pela confiança depositada em quem educa os seus filhos, quem administra a justiça e gere a segurança e em quem presta os cuidados de saúde. Acontece que, a conflitualidade de interesses normal nas sociedades democráticas tem uma exacerbada presença na área da educação levando a que nunca, mesmo nunca, se consiga um entendimento mínimo sobre o que fazer e como fazer. Toda a gente tem os seus interesses federados num qualquer sindicato. Isto envolve professores, técnicos e funcionários, políticos, pais, estruturas de formação de professores, autarquias, produtores de material e manuais escolares, comunicação social, etc. Este quadro leva a que, em Portugal, a qualidade na Educação pareça ter de se desenvolver contra estes grupos e não com estes grupos, com o resultado que se conhece. Esta situação é bem ilustrada com a famosa afirmação “admito que perdi os professores mas ganhei a opinião pública” da Ministra da Educação. Vai sendo de tempo de entendermos que a educação é um problema nosso e que, com papéis e modelos diferenciados, temos de encontrar em conjunto os caminhos para uma formação de qualidade e exigente dos que menos vêem os seus interesses representados, os alunos. Continuamos a perder tempo, porra.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O FALSO PSIQUIATRA BOM

O Conselho de Ministros aprovou ontem o Plano Nacional de Saúde Mental, instrumento que, desejo, possa contribuir para uma inadiável reforma da prestação de serviços nesta área que, de acordo com os dados do Inquérito Nacional de Saúde de 2005/2006, afecta 28% da população portuguesa. Um dos eixos centrais dessa reforma será a descentralização, esbatendo as grandes estruturas hospitalares e aproximando os apoios de doentes, famílias e comunidades.
Curiosamente, no mesmo dia era julgado um indivíduo que durante 17 anos trabalhou como psiquiatra, ao londo dos quais prescreveu, consultou e apoiou os que a ele recorreram, participou em formação e palestras e emitiu pareceres especializados. Tudo isto, ao que parece, sem grandes motivos de queixa, ou seja, as pessoas elogiaram-no e ter-se-ão sentido ajudadas. Esta situação causa, naturalmente a maior das perplexidades e terá explicações que não cabem aqui. O meu receio é que, com a actual e fortíssima contenção de custos no Ministério da Saúde, o Sr. Ministro veja aqui uma forma económica e “eficaz” de aumentar a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde na área da Saúde Mental. Afinal, parece que basta aquela “lata” e um jeitinho tão nossos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O CHOQUE DO ENG. JOÃO CRAVINHO

O Eng. João Cravinho, recuperado pela Visão do seu estratégico retiro em Londres, afirma que “foi um dos maiores choques da minha vida” a “absoluta incompreensão do PS para a natureza real do fenómeno da corrupção”.

Esta reacção do Sr. Eng. Cravinho dever-se-á certamente à sua ausência do país, pois quem por cá anda tem percebido que as políticas e discursos do PS têm causado muitos choques. Agora coube-lhe a si Sr. Engenheiro. Seja bem-vindo ao clube dos chocados.

PS – Directamente do Portugal dos Pequeninos, regista-se que, certamente com base nos famosos “critérios editoriais”, a abertura do Telejornal de serviço público da RTP foi dedicada à redução do castigo do grande pai da pátria, o sargentão Scolari. O resto, a bem dizer, foram notícias de rodapé e, assim, dormimos um soninho descansado que o papão foi para cima do telhado, cantava a minha mãe há muitos anos.

O PROCESSO CASA PIA. LEMBRAM-SE?

O processo Casa Pia voltou hoje às primeiras páginas. Lembram-se? Existe um julgamento a decorrer há quase 3 anos e onde se julgam os presumíveis autores de cerca de 600, sim 600, crimes de abuso de crianças e adolescentes. Com o ruído das alterações no Código de Processo Penal, com as manobras e habilidades de natureza processual em que, frequentemente, a nossa justiça se perde e como ninguém parece duvidar de que houve abusos, oxalá tudo isto não venha a acabar, se e quando acabar, com as crianças e jovens processadas por assédio e os eventuais abusadores indemnizados por danos morais. A ver vamos.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

OBRIGADO ASAE

Os meus agradecidos parabéns aos cavaleiros da ASAE. Estão sempre, como agora se diz, na linha da frente do combate pela nossa qualidade de vida. Depois do arroz chau-chau pirata, do DVD pirata, do pólo Lacoste pirata, chegou vez das cozinhas hospitalares com “desconformidades” (este termo é lindo). De facto, as cozinhas do Hospital Santa Maria e do Hospital D. Estefânia foram encerradas o que até parece curioso se não fosse preocupante, ou seja, vamos tratar-nos e atacam-nos pelo estômago através das “desconformidades”. Obrigado ASAE.

Já agora, numa de gastronomia, creio que os indomáveis agentes deveriam inspeccionar os cozinhados que o Governo nos tem servido. Têm aumentado exponencialmente os casos de má digestão e, até, de intoxicação. Será dos produtos (recursos) que utilizam? Da confecção (políticas)? Do empratamento (marketing/propaganda)?

A alternativa a uma eventual necessidade de encerramento poderá advir do conhecido Chez PSD agora com o famoso Chef Menezes especialista em grandes saladas e escabeche a acompanhar francesinhas. Mas não tenho grandes esperanças. O Chef Menezes tem um staff pobrezinho e os recursos, sem o mercado do Poder, são escassos. Provavelmente, o serviço do Chez PSD continuará a assentar na grande salada, no escabeche e em algumas conservas fora de prazo.

Acode-nos ASAE.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

SOCIEDADE FILARMÓNICA UNIÃO ARRENTELENSE

(Foto de João Morgado)
No âmbito do Dia Mundial da Música acabei de assistir a um concerto lindíssimo da Banda da Sociedade Filarmónica União Arrentelense. Trata-se de mais uma daquelas colectividades de resistentes que, apesar de estarmos num país de ruído muitas vezes insuportável, ainda juntam umas dezenas de putos novos e de putos menos novos fazendo da música uma festa. Temos que lhes agradecer. É fácil, basta aparecer nas suas apresentações.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

OS PAIS, AS MÃES E OS AVÓS

Em 2006, apenas 438 homens requereram a licença de paternidade o que corresponde a cerca de 0.5% dos nascimentos em Portugal. A tradição parece manter-se, os putos pequenos são tarefa de mulher.

Entraram hoje em vigor as medidas que visam aumentar a produtividade demográfica das famílias. Destacam-se o subsídio (sempre o subsídio) à gravidez e o aumento do abono de família a partir do segundo filho e por dois anos. Os estudos sobre demografia e a opinião recolhida sugerem que, ainda que no sentido certo, as expectativas sobre a eficácia destas medidas no sentido de aumentar o número de nascimentos são baixas. Talvez iniciativas com impacto na organização do trabalho, ajustamentos de natureza fiscal e com uma duração que acompanhe todo o crescimento dos filhos fossem mais bem-sucedidas.

Finalmente, a agenda diz que hoje é o Dia Internacional do Idoso e a realidade diz que muitos idosos têm dias para esquecer. Muitos desses dias são marcados pela solidão atenuada pelo convívio nas salas de espera (longa espera) dos Centros de Saúde. Segundo um trabalho do Público, em Portugal 28% das pessoas entre os 65 e os 69 trabalham, sendo que na UE são 8.2%. Os cínicos dirão que, pelo menos, estão ocupadas. Também entre nós, 25% dos idosos não se consideram felizes e um em cada quatro com mais de 65 anos receia cair na pobreza. Depois aumenta o consumo de antidepressivos.

Do princípio ao fim a vida não está animadora.

ALENTEJO DO CORAÇÃO

No Dia Mundial do Coração em que, como é habitual, a comunicação social se refere aos poucos cuidados que a população portuguesa revela com o coração, foi bonito ver a Região de Turismo Planície Dourada, a alentejana, claro, promover um Festival do Amor. Haja quem se preocupe com o coração. O Alentejo do meu afecto.

O CIRCO CHEGOU À CIDADE

Em 23 de Julho escrevi. “Ele aí virá de Gaia país abaixo brandindo a espada que baterá para sempre os sulistas, elitistas e liberais. E os fracos como o Dr. Mendes, o Marques. E os comentadores cegos à sua aura de genialidade como o Marcelo, o Professor, e o Pereira, o Pacheco. Treme Sócrates que ele está aí com a bandeira que tirou da mão de Sá Carneiro numa renhida disputa com outra figura maior, o Dr. Lopes, o Santana. Treme Portugal que ele ameaça tudo mudar e tudo fazer.”

Já está. E não vem sozinho. Trará certamente consigo algumas figuras centrais da nossa história recente. O Dr. Mendes Bota, poeta, cantor pimba, entertainer, dj e, naturalmente, político com provas dadas, sobretudo, na organização de jantares de apoio e na sindicalização de votos. Virá o Dr. Rui Gomes da Silva, outra figura do pensamento político português que ficou conhecido por, quando Ministro de Santana Lopes, ter querido calar o grande Professor (sim o Marcelo) cujos comentários desagradavam ao dono. Como uma desgraça nunca vem só, também o menino guerreiro já se colocou em bicos de pés na corrida à direcção do grupo parlamentar do PSD. Levanta-te Sá Carneiro, olha que eles dão cabo do partido.

PS – No meu Alentejo, sempre mais estimulante que esta trapalhada, no sábado de manhã o velho Zé Marrafa olhou para o céu e disse “isto vai dar água”. Resolvi passar a tarde a guardar a lenha cortada no casão. Fiz bem porque a água veio e a lenha está seca à espera de me aquecer o inverno.