A circunstância de viver próximo permite-nos a proximidade e acompanhamento dos netos que, felizmente, fazem parte desta fase já adiantada de uma vida comprida e que, sorte a nossa, tem sido cumprida.
Em tempo escolar e sempre que se
realizam testes é inevitável a pergunta ao Simão ou ao Tomás (que ainda faz
fichas, teste é para o ano), “como é que correu o teste?”.
Curiosamente, quando pergunto
quase sempre me lembro de que nos dias de teste o meu pai também invariavelmente
me perguntava “como é que correu o teste?” e eu sempre respondia, “mais ou
menos”, era mesmo assim. O tempo andou e comecei a perguntar ao meu filho,
“como é que correu o teste?” e a resposta mais habitual era “bem” e como os meus
netos assim tem sido. O teste é de todos os tempos da escola e é necessário que
seja.
Felizmente, não me pareceram
muito preocupados com o “teste”, faz parte do trabalho deles, como faz parte do
trabalho dos professores, não há educação escolar sem avaliação.
O que desejava é que esta
imprescindível dimensão e o trabalho que envolve tivessem como preocupação a
simplificação, estivessem libertos da pressão “grelhadora” e da burocracia
asfixiante a que professores e escolas estão sujeitos. Seria bem ais útil para
todos.
Não vale a pena correr atrás de
novos paradigmas, de discursos e propostas de práticas travestidas de inovação
que nada acrescentam e, por vezes, vêm complicar. É verdade que andar atrás do
“novo” é uma tentação para muitos e alimenta portfólios e apresentações.
Como é evidente, este apelo à
simplificação não tem a ver com menos rigor, qualidade, intencionalidade
educativa ou não proporcionar tempo de efectiva aprendizagem para todos. Antes
pelo contrário, se conseguirmos simplificar processos e recursos, incluindo a
avaliação, alunos, professores e famílias beneficiarão mais do esforço enorme
que todos têm de realizar e estão a realizar.
Sempre que falo desta questão
recordo-me do Mestre João dos Santos, a quem tarda uma homenagem com
significado nacional, quando dizia, cito de memória pelo privilégio de ainda o
ter conhecido e ouvido, que em educação o difícil é trabalhar de forma simples,
é mais fácil complicar, mas, obviamente, menos eficaz, menos produtivo e muito
mais desgastante.
Talvez valesse a pena tentarmos
esta via de maior simplificação. As circunstâncias já são suficientemente
complicadas.
Assim, estimados netos Tomás e
Simão, que os vossos testes e fichas vos corram bem e que ajudem os vossos
professores e professoras a percorrer convosco a estrada que leva ao futuro.
Sem comentários:
Enviar um comentário