AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

domingo, 19 de abril de 2026

COMO É QUE TE CORREU O TESTE?

 A circunstância de viver próximo permite-nos a proximidade e acompanhamento dos netos que, felizmente, fazem parte desta fase já adiantada de uma vida comprida e que, sorte a nossa, tem sido cumprida.

Em tempo escolar e sempre que se realizam testes é inevitável a pergunta ao Simão ou ao Tomás (que ainda faz fichas, teste é para o ano), “como é que correu o teste?”.

Curiosamente, quando pergunto quase sempre me lembro de que nos dias de teste o meu pai também invariavelmente me perguntava “como é que correu o teste?” e eu sempre respondia, “mais ou menos”, era mesmo assim. O tempo andou e comecei a perguntar ao meu filho, “como é que correu o teste?” e a resposta mais habitual era “bem” e como os meus netos assim tem sido. O teste é de todos os tempos da escola e é necessário que seja.

Felizmente, não me pareceram muito preocupados com o “teste”, faz parte do trabalho deles, como faz parte do trabalho dos professores, não há educação escolar sem avaliação.

O que desejava é que esta imprescindível dimensão e o trabalho que envolve tivessem como preocupação a simplificação, estivessem libertos da pressão “grelhadora” e da burocracia asfixiante a que professores e escolas estão sujeitos. Seria bem ais útil para todos.

Não vale a pena correr atrás de novos paradigmas, de discursos e propostas de práticas travestidas de inovação que nada acrescentam e, por vezes, vêm complicar. É verdade que andar atrás do “novo” é uma tentação para muitos e alimenta portfólios e apresentações.

Como é evidente, este apelo à simplificação não tem a ver com menos rigor, qualidade, intencionalidade educativa ou não proporcionar tempo de efectiva aprendizagem para todos. Antes pelo contrário, se conseguirmos simplificar processos e recursos, incluindo a avaliação, alunos, professores e famílias beneficiarão mais do esforço enorme que todos têm de realizar e estão a realizar.

Sempre que falo desta questão recordo-me do Mestre João dos Santos, a quem tarda uma homenagem com significado nacional, quando dizia, cito de memória pelo privilégio de ainda o ter conhecido e ouvido, que em educação o difícil é trabalhar de forma simples, é mais fácil complicar, mas, obviamente, menos eficaz, menos produtivo e muito mais desgastante.

Talvez valesse a pena tentarmos esta via de maior simplificação. As circunstâncias já são suficientemente complicadas.

Assim, estimados netos Tomás e Simão, que os vossos testes e fichas vos corram bem e que ajudem os vossos professores e professoras a percorrer convosco a estrada que leva ao futuro.

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