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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

“VAI SEMPRE HAVER QUEM O FAÇA ÀS ESCONDIDAS”

 Sem surpresa o Parlamento aprovou o projecto de lei que que regulamentará as restrições no acesso às redes sociais a menores de 16 anos, podendo a partir dos 13 com consentimento parental. A proposta é agora remetida para a Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.

Em matéria de educação e formação dos mais novos não sou apologista de estratégias essencialmente proibicionistas, facilmente contornáveis como já na imprensa se refere. Creio que é bem mais potente o incremento de comportamentos de auto-regulação ajustados às diferentes idades.

Neste contexto e tal como referi há dias merece leitura e reflexão a entrevista no Público a Joaquim Fialho, autor do estudo “Scroll. Logo Existo!: Comportamentos adictivos no uso dos ecrãs”. No mesmo sentido também é interessante a entrevista da presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Maria do Céu Patrão Neves. reflexão. É também um contributo para a reflexão a peça, “Eles sabem que as redes sociais têm riscos, mas proibir não é solução: “Vai haver sempre quem o faça às escondidas”, com opinião de gente nova.

Retomo o que há pouco aqui deixei. A experiência diária e, como agora se diz, a evidência, mostram de forma cada vez mais clara como o excesso de tempo que crianças e adolescentes (mas não só) passam “trancados” em ecrãs têm impacto negativo no seu bem-estar e saúde mental, no desenvolvimento de competências e capacidades cognitivas, sociais e emocionais e, naturalmente, na aprendizagem. São conhecidos muitos exemplos de situações graves ocorridas no contexto de utilização das redes sociais.

Em muitos sistemas educativos e também por cá, têm surgido iniciativas, sobretudo nos espaços escolares, no sentido de minimizar esse tempo incluindo a redução da utilização dos recursos digitais na aprendizagem, sobretudo em particular com os mais pequenos.

Certamente mais difícil será a mudança nos contextos familiares e comunitários. O próprio comportamento dos adultos não parece favorável a esse trajecto de mudança.

Creio, aliás, a absoluta desregulação da utilização por parte dos adultos será um enorme obstáculo à auto-regulação por parte dos mais novos. Ainda considerando o mundo dos adultos, todos nós conhecemos proibições estabelecidas que não respeitamos, a condução é um exemplo paradigmático. Aliás, boa parte do entendimento comum é de que as leis que proíbem não são imperativas, são meramente indicativas. Por exemplo, define-se legalmente que não se ultrapassem os 120 km/h nas autoestradas, mas poucos de nós, condutores, vemos o limite como imperativo a cumprir, é “apenas” uma … sugestão.

Na verdade, é clara a dificuldade de mudança dos comportamentos, independentemente dos discursos de concordância com a preocupação ou a expressão de dificuldades.

Também importa combater o equívoco de que não proibir significa a ausência de regras e limites. Do meu ponto de vista, a proibição por vezes necessária não invalida a um trabalho consistente e competente de promoção de auto-regulação. Um dos aspectos críticos na promoção de auto-regulação é a informação adequada e o diálogo sobre essa informação.

É o bem-estar de todos, jovens e adultos, que está em jogo. É uma questão demasiado importante.

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