AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

EDUCAÇÃO E ESTABILIDADE

 Estão a decorrer negociações entre o ME e representantes dos professores com uma agenda bem pesada e com negociações que não serão fáceis quando se discutem modelos de colocação e recrutamento. Estarão ainda de fora outras questões centrais como modelo de carreira e avaliação para além do estatuto salarial.

Independentemente das opções que estarão em cima da mesa, incluindo o alargamento da autonomia das escolas, julgo que será imprescindível acautelar dimensões como transparência, regulação, escrutínio e justiça. São por demais os exemplos das portas que se abrem com decisões e procedimentos dificilmente aceitáveis à luz destes critérios.

Parece-me ainda essencial que a discussão tenha também como eixo crítico a estabilidade, a estabilidade das escolas e do seu corpo docente e, naturalmente, a estabilidade dos professores.

São muitos, demasiados, os professores que ao longo de muitos anos vão percorrendo o país em busca de alguma estabilidade profissional.

Esta instabilidade é vivida com custos severos do ponto de vista económico, muitos docentes mantêm duas residências, familiares, separação forçada de filhos e cônjuges e até, do meu ponto de vista, emocional com potenciais riscos no bem-estar e desempenho profissional. Esta é, seguramente, uma das razões para a baixa atractividade da profissão docente.

Este cenário releva, obviamente, de medidas de política educativa com erros de décadas e outros mais actuais. Por outro lado, o modelo de gestão da colocação de professores carece de óbvia alteração, designadamente, caminhando numa perspectiva de descentralização que acompanhe a necessária e regulada autonomia das escolas e promova estabilidade.

Muitos professores, alguns com muitos anos de experiência, vivem vidas adiadas, sem estabilidade, mantendo a dependência familiar ou adiando a vida familiar própria.

Parece também adiada a esperança e a confiança num futuro melhor.

Será que vamos desperdiçar, mais uma oportunidade?

A história não vos absolverá.

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