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terça-feira, 17 de agosto de 2021

DO BEM-ESTAR DOS MAIS NOVOS

 Ainda há poucos dias a propósito da divulgação de um trabalho da Universidade de Calgary, no Canadá sobre o impacto da pandemia no bem-estar e saúde mental dos mais novos abordei esta questão. Ontem, no Público estava uma peça sobre a mesma matéria que dada a sua relevância retomo.

No período de Março a Maio deste ano os episódios de urgência de pedopsiquiatria no Centro Hospitalar Universitário do Porto aumentaram 95% face ao mesmo período em 2019. Em Lisboa, no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, as listas de espera para uma consulta de pedopsiquiatria aumentaram para dois meses na primeira infância e para entre quatro a cinco meses na adolescência.

Também neste Hospital e como há dias referi, o número de crianças e jovens que tiveram contacto com a pedopsiquiatra através de serviço de urgência aumentou quase 50% no início de 2021 face ao mesmo período do ano passado.

Têm sido múltiplos os estudos que referem esta questão, a deterioração da saúde mental de crianças e jovens, mas também de adultos, no quadro da pandemia. O confinamento que se associou a isolamento e falta de rede social, as dificuldades de diversa ordem sentidas nos contextos familiares terão dado um contributo significativo.

Deste quadro resulta a necessidade de atenção à saúde mental, normalmente um parente pobre das políticas públicas de saúde.

O impacto da pandemia nas aprendizagens tem sido muito referido, por vezes até de forma que me parece excessiva, e está a ser objecto de uma intervenção específica, Plano 21/23 Escola + que iremos acompanhando. Para além disso, seria importante que a esta recuperação no plano das aprendizagens estivesse associada a uma forte preocupação com o bem-estar e saúde mental de crianças e jovens e com necessidade de respostas oportunas. Por outro lado, em qualquer das questões devem evitar-se discursos catastrofistas que assustam e podem deixar os pais, crianças e adolescentes numa situação ainda mais fragilizada. Importa sim a atenção aos sinais de mal-estar que que crianças e jovens podem evidenciar e que nem sempre “não são significativos”, “são coisas da idade” ou “passam com o tempo”

Retomando o que já escrevi, crianças e jovens que passam mal, não aprendem, vivem pior e correm riscos sérios de comprometer o futuro pelo que os apoios e respostas não podem, não devem, falhar.

Como o povo diz, é de pequenino que se torce o … destino.

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