AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

segunda-feira, 17 de junho de 2019

OS EXAMES COM CONTEÚDOS "ENCOLHIDOS"

O Presidente do IAVE, Luís Santos, refere hoje em entrevista no Público alguns aspectos interessantes como a afirmação já conhecida de que os relatórios das provas de aferição são pouco considerados nas escolas, do meu ponto de vista o modelo existente potencia esta situação, ou que na construção dos exames do secundário se verificará “algum encolhimento” nos conteúdos de diferentes disciplinas que serão incluídos. Esta situação decorre da existência de alunos envolvidos no projecto-piloto da flexibilidade curricular e dos restantes que cumpriram o currículo em vigor com as implicações de natureza óbvia que se verificam nas matérias abordadas.
Como alguém disse, estava escrito nas estrelas.
Recordo que em Março de 2018 a imprensa referia inquietações expressas por pais, professores e directores de escola relativamente ao projecto-piloto de autonomia e flexibilidade curricular em desenvolvimento em 233 escolas, sobretudo ao impacto que alguns admitirão existir no desempenho dos alunos em exames nacionais uma vez que os currículos permanecem inalterados e teme-se que a existência de efeitos.
Ao que se referia, boa parte das escolas mesmo as envolvidas no projecto não estariam a introduzir mudanças no 10º ano apesar de as entenderem globalmente positivas pois não sabiam que reflexo essa alteração poderia ter no desempenho dos alunos nos exames. Aliás, referiam mesmo a existência de “Medo dos exames nacionais”.
Aliás, no âmbito do acompanhamento do projecto por parte da OCDE, Andreas Schleicher, o seu Director do Departamento de Educação, também se referiu à dificuldade de conciliar o modelo de flexibilidade curricular com a norma curricular para os exames.
Como já tenho escrito a propósito de vários aspectos, importaria que as mudanças ou experimentação em educação entendidas por necessárias, e estas serão, não se realizassem de forma apressada, sem um consenso tão sólido quanto possível sobre objectivos, conteúdos e calendário e a consideração prévia das condições e requisitos que sustentem as mudanças em execução com um mínimo de sobressaltos e de riscos.
Como muitas vezes refiro, é tão importante "fazer as coisas certas como fazer certas as coisas". Se bem repararmos nem sempre isto se verifica, mesmo na nossa acção individual. Em políticas públicas é ainda mais necessário, em educação é crítico.
É claro o risco de transformar algo que poderia ser positivo num problema. Sei que não é fácil prever tudo e que as mudanças, mesmo quando necessárias, têm custos de diferente natureza mas existem situações em que os riscos devem ser mínimos. Podem acontecer efeitos negativos e representações desfavoráveis sobre a mudança, alimentam-se as opiniões críticas, surgem dificuldades para alunos e escolas que seriam dispensáveis e, finalmente, comprometem-se os próprios resultados fragilizando entendimentos que seriam essenciais.


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