AS MINHAS CONVERSAS POR AÍ

terça-feira, 23 de outubro de 2018

A ESCOLA PODE FAZER A DIFERENÇA


Mais uma vez.
A escola, no seu sentido genérico, não tem responsabilidade directa por décadas de políticas urbanísticas, sociais, educativas, económicas que produzem exclusão e pobreza.
A escola, no seu sentido genérico, não tem responsabilidade directa na manutenção de estereótipos, preconceitos ou representações sociais sobre pessoas ou grupos.
No entanto, é pela escola que também passam as consequências deste cenário e das alterações positivas que podem acontecer.
Assim, não sendo por milagre, não sendo por acaso, não sendo por mistério, com recursos e visão a escola, cada escola, pode, deve, fazer a diferença e contrariar o destino de insucesso que aguarda, sobretudo, pelas crianças nascidas no lado menos confortável da vida.
Apesar de todas as dificuldades são possíveis as boas práticas que merecem divulgação e reconhecimento.
Do meu ponto de vista, tantas vezes aqui afirmado, a questão central será a valorização da escola pública. Esta valorização deverá assentar em quatro eixos fundamentais, a qualidade considerando resultados, processos, autonomia e gestão optimizada de recursos, segundo eixo, qualidade para todos, a melhor forma de combater os mecanismos de exclusão e a desigualdade de entrada, terceiro eixo, diferenciação de metodologias, diferenciação progressiva e não prematura dos percursos de educação e formação e, quarto eixo, dispositivos de apoio oportunos suficientes e competentes às dificuldades de alunos e professores.
Este entendimento, do meu ponto de vista, não carece de grande inovação, temos que chegue e já cansa a retórica da inovação.
Este texto vem a propósito das referências que hoje se encontram ao relatório da OCDE “Equity in Education: Breaking down barriers to social mobility” onde mais uma vez, com base no desempenho dos alunos no PISA, se mostram as dificuldades dos sistemas educativos, também em Portugal, de promoverem mobilidade social e equidade e de como as variáveis sociodemográficas contaminam o desempenho escolar. Importa, no entanto, sublinhar o progresso registado em diferentes dimensões.

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